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Análise: Resonance of Fate (PS3)

Esqueça os castelos e as espadas. Enquanto os RPGs nipônicos costumam apresentar uma larga influência cultural e uso de armas de corte, o m... (por Alex Campos em 14/03/2013, via PlayStation Blast)

Esqueça os castelos e as espadas. Enquanto os RPGs nipônicos costumam apresentar uma larga influência cultural e uso de armas de corte, o mundo de Resonance of Fate – da desenvolvedora tri-Ace - se estabelece com uma proposta bem mais original. Flertando com o universo dieselpunk - uma variação do steampunk, cheia de couro, maquinas, engrenagens e gasolina – o jogo deixa de lado a abordagem padrão para dar lugar a um mundo repleto de armas de fogo: pistolas, metralhadoras, granadas, molotovs e semelhantes, uma estética que se reflete largamente nas mecânicas implementadas.

Um mundo de castas 

Em Resonance of Fate, somos apresentados à uma sociedade beirando o desaparecimento. O mundo encontra-se contaminado, e o que sobrou da população sobrevive em Basel: uma grande torre desenvolvida em tempos passados. Esta possui diversos sistemas responsáveis por manter condições de sobrevivência para a raça humana, mas que, pelo passar dos anos, já não se encontram mais em perfeito funcionamento.


A vida em Basel está longe de ser igualitária. Como praticamente qualquer extensão de sociedade humana, não demorou para que se estabelecesse um sistema de castas, em que os mais ricos passaram a habitar os andares mais altos da torre, enquanto a população geral se estabelecia em cidades nos pisos mais baixos, mais próximos do mundo contaminado. Neste contexto, somos apresentados a nosso trio de protagonistas: Vashiron, Zephyr e Leanne – caçadores de recompensas tentando ganhar a vida em meio ao caos e a corrupção da sociedade.

Mecânicas inovadoras 

Partindo dessa temática, os combates podem ser considerados um dos grandes destaques do título. Tomando o lugar da tradicional abordagem por turnos, Resonance of Fate apresenta um sistema de batalha misto, que mescla o planejamento dos turnos com as sequências de ação onde o tiroteio realmente acontece.

Durante o combate, temos os turnos de ação estacionária, onde selecionamos o armamento e planejamos nossa rota de ação. Após o início da movimentação, entretanto, não só o seu personagem, como também os adversários passam a trocar tiros. Nesta fase, o armamento utilizado reflete largamente nos resultados, de modo que, enquanto as metralhadoras servem para causar scratch damage – um alto volume de dano, mas que não mata e se regenera com o tempo - as pistolas e granadas, embora fracas, são responsáveis por transformar este dano em dano real. Assim sendo, faz-se necessária a utilização de diferentes combinações de armamento a cada encontro.


Já na fase de movimentação, existem ainda eventos chamados Hero Actions. Nestes, você pode determinar uma linha de movimentação para que seu personagem percorra enquanto dispara contra diversos inimigos. Também é possível, através dos Hero Actions, colocar os personagens em posições que permitam Tri-Attacks – eventos nos quais os três personagens correm em volta dos adversários criando uma linha de fogo. Contudo, embora eficientes, estas abordagens devem ser usadas com cuidado, visto que consomem os mesmos pontos que garantem a sobrevivência da equipe, no caso de um membro ter sua vida zerada.

Em geral, os combates, além de dinâmicos e divertidos, são um espetáculo visual, com manobras e piruetas vindas direto de Matrix. Entretanto, a enormidade de mecânicas diferentes realmente exige que os jogadores passem pelo longo tutorial opcional, para dominar o básico do sistema.

Na parte de armas, visto que o jogo apresente apenas uma pequena variedade, o que mais conta são os acessórios a serem equipados em cada uma. Através de um esquema semelhante a um quebra cabeças, você deve juntar peças que se encaixem para formar melhores combinações. Além disso, na parte visual, existe uma infinidade de roupas a serem adquiridas por cada personagem, estas entretanto, não influenciem nos status.


Mais do que as batalhas, o mapa de Resonance of Fate é quase um jogo à parte. Com o mau funcionamento dos sistemas de Bazel, várias áreas encontram-se sem energia em todos os andares, impróprias mesmo para o trânsito humano. Por esta razão, antes de poder circular por cada andar da torre, você deve re-estabelecer a energia na região utilizando-se de Hexes – peças de energia de cores e formatos variados.

Devido aos diferentes formatos e peças necessárias, o sistema logo torna-se um divertido puzzle a parte, com itens e segredos a serem descobertos. Somando-se a isso, existem também estações coloridas que, quando ativadas e ligadas ao mapa, concedem diversos benefícios durante as batalhas.


Uma história repartida 

Embora traga uma estética diferenciada, carregada de ação, a narrativa do jogo é contada de um modo um tanto tímido. Cada capítulo mostra apenas uma pequena animação contando alguns dos detalhes da trama, e grande parte desta é contada apenas em diálogos com NPCs de rua, que comentam indiretamente sobre a situação da sociedade.

Esta abordagem pouco ortodoxa, ainda que criativa, limita a compreensão do jogador sobre os acontecimentos do mundo, e por vezes faz você se perguntar qual o sentido de determinada missão ou capítulo, ou mesmo se existe qualquer história sendo apresentada.

Por fim 

Mesmo que a história seja de certo modo criativa, Resonance of Fate é um jogo que se sustenta largamente em seu sistema de batalhas. Com uma alta enfase nos combates e no aumento de nível, o jogo pode se tornar maçante para aqueles que buscam uma experiência mais fluída, ou que apenas querem acompanhar uma boa aventura.

Ainda assim, para os amantes de JRPGs, ou para aqueles dispostos a encarar a grande curva de aprendizado do sistema de batalhas, o jogo pode facilmente se tornar uma experiência realmente proveitosa. Diferente de praticamente tudo disponível no mercado de games, Resonance of Fate é um JRPG interessante, uma tentativa de inovação em um gênero cada vez mais saturado.

Prós


  • Sistema de batalhas inovador e repleto de ação;
  • Temática inovadora;
  • Excelente dublagem, com diferentes opções de idioma.

Contras


  • Curva de aprendizagem acentuada;
  • Cenários lineares com baixa variedade de inimigos;
  • Narrativa tímida e fragmentada.

Resonance of Fate - PlayStation 3 - Nota: 8.0


Revisão: Leandro Fernandes
Alex Campos é graduando em Produção Sonora pela UFPR. Trabalha como músico freelancer e participa ativamente no cenário de jogos indie nacionais. Estuda por diversão sobre a indústria de games e está no Facebook.

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