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Análise: Rocksmith (PS3)

Desenvolvido pela Ubisoft San Francisco , Rocksmith  (PS3, X360 e PC) foi o primeiro simulador autêntico de guitarra. Lançado em 2011 no me... (por Alex Campos em 28/03/2013, via PlayStation Blast)

Desenvolvido pela Ubisoft San Francisco, Rocksmith (PS3, X360 e PC) foi o primeiro simulador autêntico de guitarra. Lançado em 2011 no mercado norte-americano, o jogo apresenta a premissa de não apenas permitir ao jogador interpretar grandes canções em sua casa, mas também, ensinar-lhe a tocar uma guitarra de verdade. Diferindo da estrutura já saturada que o gênero de Rock Band e Guitar Hero apresentava, o jogo abandonou as réplicas com botões e inovou ao permitir a conexão e captação de uma guitarra real através de uma conexão P10/USB, se aproximando muito mais de uma experiência real de prática musical.

Mais que um simulador de guitarra

Desde o advento dos jogos de performance musical com guitarras, o gênero virou uma espécie de terra-santa para a venda de toda sorte de réplicas plásticas de instrumentos. Com essa justificativa, as ultimas gerações de consoles foram permeadas por diversos títulos semelhantes, cuja grande diferença estava no set-list embarcado. Até então, embora esse estilo de jogos tenha sido responsável por iniciar vários jovens no mundo do rock, tudo que ele revelou ao mundo foram tão somente virtuoses do apertar de botões. Isso até o surgimento de Rocksmith.

Diga adeus a essas porcarias.

Seja por aspirações artísticas ou sociais, aprender um instrumento é um daqueles sonhos que quase todos têm. Infelizmente, a prática instrumental é diretamente dependente da qualidade do seu instrutor, e a satisfação para muitos está na prática em conjunto, o que pode se tornar incrivelmente maçante quando sua banda não tem comprometimento. Rocksmith é um jogo para essas pessoas, todas elas.

Embora a fórmula básica seja a mesma de outros jogos do gênero, é na execução que o jogo ganha seu espaço. Assim como em Guitar Hero, você deve pressionar as cordas nos trastes indicados na telona, entretanto, esqueça as longas horas de imaginação onde você se deleitava com cinco ou seis botões, aqui é tudo real. Para obter um bom resultado nas canções, as notas executadas devem corresponder àquelas apresentadas na tela, por isso, o jogo conta com uma variedade de sistemas que se aplicam ao desenvolvimento técnico do jogador no instrumento.

Quase como um professor 

Para não afastar o jogador iniciante, Rocksmith trabalha com um conceito de performance elástica, respondendo de acordo com os erros e acertos do jogador, adequando a dificuldade e o número de notas gradativamente. É comum para o guitarrista iniciante ser apresentado apenas com notas simples durante uma canção, mas, a medida em que este vai acertando essas notas, o jogo passa a acrescentar varias outras técnicas como double-stops, slides, palm mutes... O resultado de tamanho esforço na apresentação do jogo fica ainda mais evidente quando você vê uma pessoa sem a menor experiência poder se divertir legitimamente tocando um instrumento.

Outro dos grandes destaques do jogo é o Guitarcade. Durante seu progresso rumo ao estrelato, o jogador libera uma grande variedade de mini-games, semelhantes a Tetris e Space Invaders, mas totalmente controlados pela utilização de diferentes técnicas na guitarra. Sejam slides, sejam escalas ou hammer-ons. Além disso, o jogo apresenta uma grande quantidade de vídeos instrucionais e tutoriais sobre a prática do instrumento, fazendo com que seja realmente possível – talvez pela primeira vez na história - aprender um instrumento através de um jogo digital.

Slide Tetris!

Uma coleção de equipamentos e um set-list coeso 

Seja pelo som, seja pela estética, um dos esportes favoritos de qualquer guitarrista que se preze é acumular o maior número de pedais, amplificadores e guitarras diferentes possíveis. Para fazer jus ao ego dos instrumentistas mundo afora, Rocksmith traz uma infinidade de equipamentos a serem desbloqueados pelo progresso no jogo. Efeitos estes que podem ser combinados e salvos em slots de equipamento para serem utilizados durante a jogatina, alterando o timbre de sua guitarra durante as canções.

Na parte sonora, embora apresente poucos clássicos, é inegável que todas as músicas estão de acordo com a proposta do jogo, sendo canções de fácil aprendizado, marcadas por fortes seções rítmicas e passagens melódicas simples nas guitarras. Para aqueles que desejarem mais, também é possível comprar músicas individuais e pacotes de banda pela rede online de seu console.


Um pequeno degrau para o gênero 

Embora traga inovações louváveis, Rocksmith não está livre de críticas. Enquanto jogos tradicionais do gênero lhe permitem controlar todas as seções através dos controles em formato de guitarra, aqui é necessário estar com o controle ao lado a todo momento. Com um reconhecimento tão preciso de notas, a falta da possibilidade de navegar pelos menus usando a guitarra como controle é bem perceptível.

A parte visual do jogo também carece de polimento. Ainda que não atrapalhe a experiência final, os cenários e a plateia do jogo são terríveis! Ver as mesmas faces em vários lugares, balançando os braços em movimentos repetidos durante 10 ou 15 minutos de apresentação, além de soar como um pesadelo psicodélico diretamente do Woodstock, ainda mata um pouco a imersão. Você pode estar destruindo na guitarra, ou errando tudo, tanto faz, a plateia não está nem aí – quase como o público em minha cidade.

Eles batem palmas a música toda...eternamente...
Por último, vale lembrar que o jogo apresenta também problemas de latência, quando o som da guitarra sai das caixas de som algum tempo depois que você tocou. Mesmo que não influencie no score, isso pode fazer da experiência um tanto desconexa. Para evitar esse tipo de situação o jogo sugere ao jogador a utilização de sistemas de som externos, e em hipótese alguma a passagem de som via cabo HDMI. Tal configuração pode ser feita no Menu de configurações do console.

Rock-on

Rocksmith certamente não é a experiência definitiva. Ainda que traga grandes qualidades e seja um real avanço aos jogos musicais tradicionais, a falta de polidez, assim como os entraves comuns ao desenvolvimento de novas experiências, fazem com que o jogo seja apenas um simulacro do que a prática musical pode proporcionar. Uma boa réplica, mas ainda uma réplica.

Ainda assim, é inegável a ambição e a qualidade do trabalho apresentado. Como músico profissional, é gratificante ver pessoas que, na maioria dos casos não teriam paciência para aprender sequer o mais simples dos acordes, se divertindo e buscando realmente executar aquilo que é instruído (ainda que isso levante uma séria consideração filosófica sobre a metodologia de ensino padrão).


Por fim, embora ainda limitado em diversos aspectos, Rocksmith é certamente um título interessante, não só para aqueles que querem experimentar a sensação de “tocar alguma coisinha” sem fazer aulas, mas também, para aqueles que já tocam e buscam novos passatempos ligados ao instrumento. O título conta atualmente com suporte para guitarra e baixo, e pode ser jogado por até dois jogadores em multiplayer local.

Prós

  • Utiliza uma guitarra de verdade;
  • Curva de aprendizagem amigável;
  • Inúmeros mini-games e acessórios desbloqueáveis;
  • Ensina o básico do instrumento de modo divertido.

Contras

  • Falta de acabamento visual;
  • Interface confusa;
  • Problemas de latência.

Rocksmith - PlayStation 3 - Nota: 8.5 
Revisão: Alan Murilo
Alex Campos é graduando em Produção Sonora pela UFPR. Trabalha como músico freelancer e participa ativamente no cenário de jogos indie nacionais. Estuda por diversão sobre a indústria de games e está no Facebook.

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