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Discussão: A falta de retrocompatibilidade pode ter influência nas vendas do PS4?

Sempre que um console novo é anunciado, as especulações são imediatas. Algumas se confirmam, outras não. No caso da retrocompatibilidade ,... (por Rayner Lacerda em 08/03/2013, via PlayStation Blast)

Sempre que um console novo é anunciado, as especulações são imediatas. Algumas se confirmam, outras não. No caso da retrocompatibilidade, aqueles mais céticos (ou pessimistas) acertaram em cheio, pois o PS4 não irá rodar os jogos do PS3, pelo menos não do jeito convencional. Será que isso é, de fato, um fator negativo? Você, leitor, possui alguma opinião sobre o assunto? Acompanhe a nossa matéria e discuta com a gente.

A discussão sobre a retrocompatibilidade não é nova. As opiniões são diversas, desde aqueles que a defendem com unhas e dentes até aqueles que não se importam com esse detalhe e só querem mesmo é aproveitar as inovações do seu novo console.



No que diz respeito à retrocompatibilidade, a Sony tomou medidas distintas ao longo dos anos. Mudanças que influenciaram diretamente no sucesso de seus consoles, como veremos a seguir.

PlayStation 2, o queridinho

Acredito que você, assim como eu, passou bons e inesquecíveis momentos na companhia do seu PlayStation. Aquele tijolão cinza ficará para sempre em nossos corações, isso é fato. Quando a Sony anunciou o seu sucessor, muita gente ficou em dúvida sobre o que fazer com o velho companheiro.

Talvez, prevendo isso, a empresa fez um anúncio que mudaria todo o panorama: o novo console rodaria os jogos do antigo guerreiro. Era a deixa que os fãs mais acanhados precisavam, afinal, todo gamer que se preze nutre um carinho muito grande pelos seus games. Acredito que essa foi uma das medidas mais inteligentes que a Sony adotou para o PlayStation 2. Se os céticos não apostavam suas fichas no sucesso imediato do console, ao menos poderiam desfrutar de seus antigos jogos na nova plataforma.

Se a Sony não tivesse adotado essa medida, talvez a trajetória do console teria sido um pouco diferente. Não me entendam mal, não estou dizendo que o PS2 foi um sucesso por causa da retrocompatibilidade, longe disso, mas essa medida foi importantíssima para consolidar a base de fãs da empresa.

No fundo, tudo gira em torno da confiança entre empresa e consumidor. Ao dizer para os fãs que o PS2 rodaria os jogos do PS, a Sony estava mostrando que os consumidores podiam confiar nela. "Fiquem tranquilos, não vamos deixar que os seus jogos antigos fiquem empoeirados, vocês poderão jogá-los quando quiserem em nosso novo console". E é óbvio que essa estratégia foi muito bem aceita, dando imensa credibilidade para a gigante japonesa.

PlayStation 3, o mercenário

Calma! Antes que vocês me apedrejem, vou explicar o adjetivo. O PlayStation 2 foi um tremendo sucesso, vendendo milhões de unidades ao longo de seus anos de vida. Com o anúncio do PS3, a Sony voltava a um velho Déjà vu: como conseguir uma base sólida de fãs para o novo console. É o mesmo pensamento, galera: "não posso esperar que todos os donos do PS2 migrem para o novo console, mas posso incentiva-los se o PS3 rodar os seus antigos jogos".



Novamente, tudo parecia uma maravilha, até que os chefões começaram a pensar sob as regras de mercado: "mas peraí, ao invés de deixar o consumidor jogar os seus jogos antigos, eu posso simplesmente vendê-lo novamente para ele". E foi exatamente isso o que aconteceu. Vale lembrar que o contexto era outro, com a popularização crescente dos conteúdos digitais. O resultado? Vocês devem se lembrar muito bem: a Sony retirou de cena os modelos do PS3 que eram compatíveis com os jogos de PS2.

Imaginem um cara que possui uma tremenda coleção de jogos de PS2, como vocês acham que ele se sentiu ao saber que a sua coleção ficaria empoeirada e, além disso, teria que comprar novamente todos os seus títulos favoritos? E para piorar, a Sony disse que todos os títulos já lançados estariam em formato digital, e não foi bem isso que aconteceu, como podemos ver até hoje.


Um exemplo claro: sou um tremendo fã do Spider Man 2 de PS2, para mim é um dos melhores games do cabeça de teia de todos os tempos. É uma pena que não posso aproveitá-lo no meu PS3, pois o jogo não está disponível na PS Store.

Conclusão: a atitude tomada pela Sony foi totalmente contrária ao incentivo feito com o sucessor do PS. A empresa, dessa vez, conseguiu afastar os fãs, ao invés de conquistá-los. A prova clara disso é o sufoco que o PS3 sofreu no seu lançamento, até se consolidar no mercado, anos depois.

E agora, o que esperar do PlayStation 4?

Como vocês devem ter percebido, o principal argumento para os que defendem a retrocompatibilidade é o seguinte: o que fazer com a montanha de jogos que suei tanto para comprar ao longo dos anos? Convenhamos que é um ponto totalmente válido, afinal, nem todo mundo, infelizmente, pode se dar ao luxo de comprar um novo console sem se desfazer do antigo companheiro.

Se "abandonar" um console já é difícil, imagina aquela sua coleção inteira de jogos que valem uma grana preta? É por isso que a retrocompatibilidade é um incentivo, ela valoriza o suado dinheirinho do consumidor e, principalmente, a sua fidelidade. É uma pena que, novamente, a Sony não pareceu se importar com isso.



Para os que já esperavam o pior, a notícia veio como um balde de água fria: o PS4 não será compatível com a sua coleção de PS3. É o mesmo esquema que ela fez na época do PS3. Mas dessa vez, a diferença é que você vai jogar os seus antigos jogos via streaming, pelo Gaikai. A Sony ainda não divulgou os detalhes sobre esse novo serviço, mas isso não muda o fato de que pagaremos novamente por jogos que já possuímos. Com o adicional de que agora eles dependerão de uma ótima conexão de internet.



Não sei vocês, mas para mim esse é um indício de que a história vai se repetir. Dessa vez, a situação pode ficar ainda pior. Essa jogatina via streaming tem tudo para não cair nas graças do consumidor, e o motivo é apenas um: a internet. Se você não tiver uma conexão muito boa, talvez não consiga rodar os jogos. Se estamos falando do Brasil, a situação é ainda pior: a menos que você seja um desses felizardos que possa pagar o olho da cara por uma conexão "mais ou menos".

Pior do que isso, o streaming nos deixa escravos da conexão. É simples: se na casa dos seus avós não tiver internet, pode esquecer, você não vai jogar os seus games antigos no PS4. Todos esses motivos me levam a crer que o PlayStation 4 não vai ser um sucesso estrondoso no lançamento. Por mais que novos jogos sejam anunciados na E3, o aparelho seria aceito muito mais facilmente se pudéssemos simplesmente retirar o nosso Dragon's Dogma da prateleira, e admirá-lo no novo console.

Confiança é algo que não se recupera facilmente, Sony.

Coleções empoeiradas

Todos nós sabemos que a retrocompatibilidade tem um preço, ela pode até mesmo adiar a produção de um console, por causa dos ajustes. Mas o resultado final seria um grande presente para os fãs, é uma pena que as empresas hoje em dia estejam mais preocupadas em retirar créditos de nossos cartões, ainda que descaradamente.

É triste ver que o público gamer de hoje em dia muitas vezes passa alheio à essas questões. Muitos nem se importam com as coleções empoeiradas, afinal de contas, são apenas "velharias", não é mesmo? Enquanto a grande maioria pensar dessa forma, e não se manifestar contra esse abuso, toda vez que cobrarmos retrocompatibilidade da Sony e dissermos: "não queremos pagar por jogos que já temos", essa será sua resposta:

Retrocompatibilidade?

Como eu disse anteriormente, a retrocompatibilidade é a maior prova de que a empresa confia e respeita a fidelidade do seu consumidor. E você, leitor, também a considera importante? Ou devemos nos concentrar apenas nos jogos da nova geração? Na sua opinião, o PlayStation 4 perderá uma parcela de consumidores por conta disso?

Revisão: Leandro Fernandes 
Rayner Lacerda é historiador, formado pela UFV. Eterno estudante e professor do mundo, se interessa por praticamente tudo, mas são os games a sua grande paixão. Tal fascínio o levou ao Blast, onde escreve atualmente. Encontre-o no Facebook

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