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Análise: Ação frenética e várias novidades vencem os clichês em Tales of Graces f (PS3)

Uma garota misteriosa, a força da amizade e a força para proteger o que é importante. Estes são os temas de Tales of Graces f , 12º título... (por Farley Santos em 11/04/2013, via PlayStation Blast)

Uma garota misteriosa, a força da amizade e a força para proteger o que é importante. Estes são os temas de Tales of Graces f, 12º título da popular série de JRPGs . Lançado originalmente para Wii, o game foi adaptado para PS3 após inúmeros pedidos dos fãs. Além dos gráficos em HD, a nova versão incluiu inúmeros extras e melhorias. Para a alegria dos fãs ocidentais, o título foi localizado e lançado em inglês. Será que vale a pena se aventurar no mundo de Tales of Graces f? Confira a seguir.

Laços de amizade são eternos

Ephinea é o palco de Tales of Graces f. Neste planeta existem grandes obeliscos chamados Valkines Cryas, que geram Eleth, energia utilizada pela humanidade para prosperar. Existem somente três destes monumentos em todo o mundo e as pessoas construíram reinos em sua volta: a nação verdejante de Windor, a quente e desértica Strahta e a brutalmente gelada Fendel. As diferenças entre os países resultaram em alguns conflitos, entretanto o mundo costuma estar em paz.


Tudo começa em Lhant, um dos condados de Windor. Asbel é o filho e herdeiro do Lord Lhant, sendo sua única preocupação se divertir na companhia de seu irmão Rubert e sua amiga Cheria. Um dia a dupla de irmãos decide visitar uma clareira próxima à cidade e encontram uma estranha garota que não se lembra de nada. Os garotos decidem levá-la de volta para a cidade, a fim de tentar fazer ela recobrar sua memória e a nomeiam Sophie. Rapidamente todos eles tornam-se amigos inseparáveis. O grupo também se torna amigo de Richard, o príncipe de Windor que estava visitando Lhant. Um dia todos eles decidem explorar uma ruína subterrânea e uma estranha criatura tenta matá-los. Sophie se sacrifica para derrotar o monstro. Após o trágico evento, os amigos se separam.


Muitos anos depois, Asbel já é um cavaleiro real de Windor e nunca mais voltou à sua terra natal. Tudo muda quando Cheria aparece com graves notícias: o pai de Asbel faleceu e o jovem é o novo lorde de Lhant. A garota pede que o cavaleiro volte para sua cidade, pois o país vizinho Fendel pretende tomar o local. Uma vez lá, a dupla entra em confronto com as tropas de Fendel. Quando ambos estavam encurralados e sem chance de sobrevivência, Sophie misteriosamente reaparece e os ajuda. A garota novamente não se lembra de nada, nem de seus amigos, mas mesmo assim decide acompanhá-los. Asbel promete que desta vez não deixará que nenhum de seus amigos se machuquem. Esse é só o começo de uma história de amizade e inúmeros conflitos, que podem afetar todo o mundo.


Um mundo familiar

Elfinea é um típico mundo de fantasia, com florestas e desertos. Neste aspecto, Tales of Graces f não trás nada de novo. Os NPCs e cenários são desinteressantes e pouco convidativos à exploração. Não existe o tradicional mapa mundi, ao invés disso é necessário caminhar por estradas e regiões que lembram calabouços. A ideia é boa, entretanto não existe muito o que ver nestes cenários. Boa parte destas estradas são somente corredores e contam com pouquíssimos segredos. A consequência dessa escolha é que o mundo do game é pequeno, sem muitas localidades para visitar. De qualquer maneira é mais divertido andar por estes locais do que por mapas mundi vazios.

A trama também não é muito inspirada. Prepare-se para vivenciar inúmeras situações conhecidas de outros vários JRPGs, repletas de clichês e previsibilidade. Os personagens também são muito estereotipados: a cientista maluca, o garoto irritado, o herói galante que só faz o bem. Contudo é muito fácil gostar dos personagens, principalmente nos momentos em que o grupo interage através das skits, as tradicionais conversas sempre presentes nos jogos da série. Elas são divertidas e ajudam a construir a personalidade dos protagonistas.


Ação frenética nos confrontos

A principal novidade de Tales of Graces f é o sistema de batalha: os confrontos ainda lembram jogos de luta, sendo que as várias novidades faz com que este seja um dos melhores sistemas da série. Intitulado Style Shift Linear Motion Battle System, este novo sistema pouco lembra as batalhas dos títulos anteriores. A diferença mais aparente está na perspectiva: ao invés da ação ser lateral, agora a câmera fica atrás do personagem, tomando o topo da tela como referência.


Entretanto a maior mudança está nos ataques. Cada personagem tem acesso a dois tipos de técnicas: Assault Artes e Burst Artes. As Assault Artes funcionam como os ataques básicos e conta com uma árvore de técnicas que podem ser ativadas em sequência, cada uma com características e atributos únicos. Já as Burst Artes são habilidades mais complexas, como feitiços e ações avançadas, sendo possível escolher somente quatro por vez, similar às técnicas especiais dos jogos anteriores. Cada ação gasta uma quantidade específica de pontos Chain Capacity (CC), que se recuperam automaticamente depois de algum tempo. Quanto mais poderosa a técnica, maior é a quantidade de CC necessária para executá-la.

Outro movimento muito importante é a esquiva. Segurando o botão de defesa e movendo a alavanca para alguma direção, o personagem vai se mover rapidamente naquela direção. É um movimento essencial para escapar de ataques inimigos e se posicionar melhor. Cada personagem tem particularidades no combate e são bem diferente entre si, o que oferece grande variedade de jogabilidades. Dominar estas nuances do sistema de batalha é essencial, já que o desafio é alto. Todas estas mudanças tornaram os confrontos dinâmicos, frenéticos e extremamente divertidos, que fica ainda melhor quando mais jogadores participam.

O poder dos títulos

Subir de nível significa novas habilidades, correto? Isso não acontece em Tales of Graces f. O desenvolvimento dos personagens é feito através de títulos. Cada um destes tem uma série de cinco habilidades associadas, que são aprendidas através de Skill Points (SP), pontos que são recebidos de acordo com o desempenho nas batalhas. Os títulos são obtidos através da progressão da história, missões paralelas, ações no game e assim por diante. É um sistema flexível e que incentiva a exploração, já que sem eles não é possível aprender técnicas avançadas e fortalecer corretamente os personagens.


O tradicional sistema de cozinhar itens está bem mais robusto em Graces. Através do Arles Pot é possível não só fazer receitas, como também utilizar tomos mágicos de efeitos variados e criar cópias de praticamente qualquer item. Já através do Dualize, é possível criar novos itens e armamentos a partir de dois objetos. A principal vantagem é que os novos equipamentos podem ganhar habilidades especiais. Todos estes sistemas têm inúmeras possibilidades à disposição, aqueles que gostam de colecionar tudo vão ter muito trabalho.

Uma nova camada de tinta

Tecnicamente Tales of Graces f é competente, mas não impressiona. Por ter sido desenvolvido originalmente para Wii, o game conta com modelos simples e movimentação mediana, bem abaixo de títulos HD. A adaptação para o PS3 foi boa e em alguns pontos é possível ver que houve mais esmero: os protagonistas estão bem detalhados e os efeitos de luz são belos. Contudo, em vários momentos, é possível ver texturas de baixa resolução e objetos destoantes, principalmente fora das batalhas. Já a música, que é de autoria do veterano Motoi Sakuraba, é genérica e desinteressante. Salvo alguns temas de batalha, você dificilmente se lembrará das composições.


Além da adição de troféus, o Namco Tales Studio adicionou uma nova história, que se passa meses depois da conclusão da trama principal. Neste novo capítulo, novas técnicas avançadas de batalha estão disponíveis, assim como vários outros desafios extras. Existe também um modo fora da história principal no qual o objetivo é derrotar grupos de poderosos inimigos, com direito a leaderboards online para comparar o seu desempenho.

Contos refrescados

É fato que Tales of Graces f conta com inúmeros clichês que assolam os JRPGs, como trama previsível, personagens estereotipados e locações genéricas. Contudo é difícil não viciar no combate frenético e nas conversas divertidas entre os personagens. A aventura é longa e repleta de coisas para fazer e segredos para serem descobertos. É bom ver também que o Namco Tales Studio tentou modernizar a fórmula ao remover o mapa mundi, por mais que o resultado tenha sido mediano. Mesmo com alguns problemas, Tales of Graces f é um game muito divertido e interessante. Se procura um JRPG de ação e não valoriza muito a trama, ele é uma excelente escolha.

Prós

  • Combate dinâmico e divertido;
  • Extensa quantidade de conteúdo;
  • Sistema de títulos provê flexibilidade na evolução dos personagens;
  • Ausência de mapa mundi refresca a fórmula batida.

Contras

  • Trama simples e previsível;
  • Música repetitiva e desinteressante;
  • Gráficos e texturas medianos em alguns momentos.
Tales of Graces f - PS3 - Nota Final: 8.0
Revisão: Leandro Freire
Capa: Felipe Araujo
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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