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Análise: Arc System Works renova os jogos de luta com BlazBlue: Calamity Trigger (PS3)

No final de 2008 chegava aos arcades japoneses um novo jogo da Arc System Works. A empresa, fundada em 1988, trazia consigo a fama de Gu... (por Jameson Sheen em 27/04/2013, via PlayStation Blast)


No final de 2008 chegava aos arcades japoneses um novo jogo da Arc System Works. A empresa, fundada em 1988, trazia consigo a fama de Guilty Gear e a distribuição de Arcana Heart (desenvolvido pela Examu), mas pouco se sabia dela além da boa relação com a Atlus (Etrian Odyssey, Trauma Center, Megami Tensei e spin-offs). Foi ao chegar nos consoles, no ano seguinte, que o jogo conquistou sua legião de fãs. Além do visual moderno e "descolado" que já apresentava nos arcades, o jogo chamou atenção de seus fãs pelo seu modo história, apresentado no formato das populares visual novels nipônicas. Hoje conheceremos um pouco sobre o início dessa febre e como ela influenciou o gênero.

Gatilho para o sucesso


A primeira guerra de Ars Magus (第一次魔導大戦, Dai ichiji Madou Taisen) ou grande guerra negra (暗黒大戦, Ankoku Taisen) é o evento que começa a história do jogo no ano de 2100. Uma criatura gigante surge do desconhecido ameaçando toda a humanidade. Todo o poder militar da humanidade não é suficiente para causar qualquer dano ao que foi nomeado de Black Beast. Essa criatura espalhou uma substância catalogada como Seithr, ou "elemento mágico". O Seithr, mesmo em mínimas proporções, foi nocivo ao humano e responsável pela morte de mais da metade da população mundial. Então, por um motivo desconhecido, a criatura desapareceu, deixando apenas seu rastro de morte e destruição.
É nesse ponto que surge o grupo que seria conhecido como Six Heroes (os seis heróis), humanos dotados de habilidades acima do normal. Um deles, a maga Nine, ensina as mentes brilhantes da humanidade sobre magia e logo concluem que não são todos os humanos que podem usá-la. Em razão disso, desenvolvem uma maneira de manipular o Seithr presente na atmosfera convertendo-o para armas que são a união da pura magia com tecnologia. Depois de aproximadamente um ano, Black Beast retorna e é a vez da humanidade revidar. Para sua própria surpresa, Ars Magus (as armas criadas com Seithr) não eram suficientes, levando a humanidade à anos e mais anos de pesquisa para desenvolver armas mais poderosas, as Ars Armagus. Dessa maneira, liderados pelos Six Heroes, a humanidade pode combater a Black Beast e finalmente concluir essa guerra no ano de 2110.

Não é apenas visual


Se você gosta de animes, cultura oriental e visual novels, certamente gostará da franquia BlazBlue. Mas não é apenas essa ambientação que o torna um bom jogo de luta, pois ele é responsável por grande influência para jogos do gênero lançados atualmente. Os cenários podem não chamar atenção a princípio, já que interações com cenário e mutações entre rodadas não são novidades, mas é inegável que a arte apresentada é única. A trilha sonora também não fica pra trás! Contando com a participação de KOTOKO, famosa pelas aberturas de Shakugan no Shana, Onegai Teacher e Kannazuki no Miko; da lenda viva Hironobu Kageyama de Saint Seiya, Dragon Ball Z e tokusatsus; além do incrível trabalho de Daisuke Ishiwatari criando um estilo único em uma mistura de músicas tradicionais orientais com metal e techno. As músicas acompanham muito bem a história, tal como representam bem a personalidade de cada personagem.
Como todo jogo de luta, a diversão começa quando você escolhe seu personagem e inicia uma sequência de lutas até o chefe final. Essa diversão é estendida no modo multiplayer que suporta até seis jogadores por sala: quatro espectadores e dois combatentes. Dentre as funções do PlayStation 3 também está o Remote Play que permite que você jogue em seu PSP ou PS Vita sem dificuldades pela diferença entre os consoles. Infelizmente, apesar de ser muito bonito e limpo, o menu principal não é tão prático por não exibir todas as opções ao mesmo tempo, fazendo o jogador dar voltas e voltas em busca de seu destino.

Um jogo de luta focado na história?


Após a guerra, uma organização chamada Novus Orbis Librarium (frequentemente citada como NOL ou Library) foi criada para governar o mundo gerenciando Ars Magus (armazenado em grimórios) e consequentemente monopolizando esse poder de fogo. Para surpresa desse próprio sistema, alguns anos depois aconteceu uma segunda guerra, conhecida como a guerra civil de Ikaruga que tentava derrubar esse sistema. Quando a guerra terminou, NOL determinou que qualquer traidor ou rebelde deveria ser punido com a morte para evitar que grupos se formassem e acontecesse uma nova guerra.
A história de nosso herói, Ragna, começa aqui. Um rapaz de origem desconhecida que sozinho destrói uma das unidades da NOL. Como se não bastasse a ausência de informações sobre quem ele é e o que deseja, ele também é portador do "Azure Grimoire", uma das mais poderosas armas mágicas existentes e claro que ninguém tem informações sobre onde ele conseguiu e como aprendeu a usar. Ragna é classificado como uma ameaça de Rank-SS e recebe a maior recompensa da história por sua cabeça. Ragna não se preocupa em esconder seu destino: a unidade central da Library. Informados disso, a organização reforça suas defesas e envia membros de elevado escalão para eliminar o rebelde. Ao mesmo tempo em que cidadãos conhecidos como "vigilantes", munidos de habilidades especiais, partem para conseguir a recompensa pela cabeça do rebelde.
O Story Mode funciona da mesma maneira que as visual novels orientais, em que você tem a imagem de seu personagem e outros personagens com quem interage regidos por algumas animações relacionadas as suas reações e emoções, um cenário estático ao fundo, uma barra com diálogos ao pé da tela, e eventualmente a opção de escolher algumas respostas para guiar a história. A diferença para uma visual novel, é que em BlazBlue algumas escolhas podem te levar a combates em condições especiais como começar com poucos pontos de saúde ou até com sua barra para ataques especiais ilimitadas: as condições são determinadas pelo enredo e se encaixam muito bem.

E os vizinhos?

BlazBlue: Calamity Trigger foi lançado para PlayStation 3 e Xbox 360 em junho de 2009, mas já podia ser degustado nos arcades desde novembro do ano anterior. Em 2010, um port do jogo foi lançado para PSP, além do port para PC que é totalmente compatível com a versão do Xbox 360 permitindo até mesmo partidas online. Apesar da versão de PlayStation 3 ser usada em torneios oficiais, é comum que os jogadores usem o arcade stick, o controle de fliperama, para jogar não apenas BlazBlue como muitos outros jogos de luta. Originalmente, esse gênero foi desenvolvido para arcades décadas atrás e mesmo que hoje tenhamos exclusividades para consoles, os jogadores sentem-se mais confortáveis desse modo.

Em 2010 algumas atualizações foram lançadas para as versões de Xbox 360, PlayStation 3 e PSP. O foco foi corrigir alguns erros, como o som que ficava muito alto quando Bang liberava o seu modo "Fu-Rin-Ka-Zan" e depois ficava tão baixo que era quase impossível ouvir. Com essas atualizações, tornou-se possível entrar em salas em que disputas online já estivessem em andamento e novas combinações de cores para roupas dos personagens. A atualização que mais agradou os jogadores foi receber a versão "Unlimited" (funcionam semelhante as versões Gold e Black dos personagens de Guilty Gear) dos personagens, desde que cumprisse os requisitos para destravá-los dentro do jogo (que pode incluir finalizar a aventura single player, finalizar o modo história do personagem, etc)

Somos todos irmãos

Como dito, quem disputa jogos de luta em torneios, já está acostumado a usar o arcade stick em vez do gamepad básico do videogame. BlazBlue segue essa mesma linha, mas de um modo diferente de Marvel vs Capcom e Street Fighter. Há uma tribo urbana conhecida como "weeaboo" que apesar de ser um termo pejorativo, classifica aqueles "otakus extremistas", do nível que tem suas "waifus" (wifes), vários mangás, action figures, gosta de conteúdo ecchi e outras peculiaridades. Como bem sabem, o Xbox 360 não é muito popular no Japão não apenas por ter de ser importado por aquelas bandas, mas também pela costume de dar preferência ao produto nacional, com exceções apenas para eventuais contatos com a cultura norte-americana. Muitos jogos que encontramos no PlayStation 3, atendem aos gostos desse público, tornando-o um console muito popular no Japão, ainda mais quando acompanhado de visual novels de adaptações de animes já populares por lá. BlazBlue conquistou esse público, não apenas por ser um jogo de luta único e redefinindo vários paradigmas do gênero, mas por agradar visualmente e seu Story Mode bem estruturado.
BlazBlue é um filho de Guilty Gear, por ter nascido das mesmas mãos, mas muito diferente. É como se fosse um irmão mais novo para a franquia Guilty Gear, onde ambos os públicos se dão muito bem. Nisso ainda temos a comunidade de Arcana Heart, Persona, Touhou, e todos conseguem andar de mãos dadas, compartilhar fanarts em fóruns e torcer para que lancem light novels de suas franquias favoritas.
BlazBlue é uma das franquias de maior sucesso dos últimos anos. Apesar de parecer um jogo de nicho, apenas para japonês, fãs de visual novels e jogos de luta, é uma comunidade muito mais receptiva que a comunidade do aclamado DotA e com uma diversidade sexual mais ampla do que outros jogos em que a grande maioria são garotos. Apesar de não ser muito popular no Brasil como Street Fighter, BlazBlue conquista mais e mais fãs e não demorará muito para ser abraçado pelo público com a favorável situação da cultura oriental sendo de conhecimento de mais jovens a cada dia.

Prós


  • Conquista fãs da cultura oriental facilmente pela estética visual;
  • Um jogo de luta com Story Mode bem elaborado;
  • Personagens bem desenvolvidos, carismáticos e com profunda história.


Contras


  • Para quem está acostumado com os jogos de luta mais populares, pode ser difícil acostumar-se aos comandos;
  • O single player é muito curto e, mesmo jogando-o com outros personagens, pode ser repetitivo;
  • O início não é muito intuitivo, então pode levar tempo até começar aprender os combos.


BlazBlue: Calamity Trigger - PlayStation 3 - Nota: 7.5

Revisão: Leandro Freire
Capa: Diego Migueis
Jameson Sheen é programador e estuda Game Design. Investe seu tempo livre aprendendo novos idiomas e novos instrumentos musicais. Além de análises e outros artigos, escreve para coluna semanal Pokémon Blast. Você pode ler mais sobre Sheen em seu Twitter.

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