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Análise: Recupere o artefato Mirror of Smoke e derrote Xolotl em Lara Croft and the Guardian of Light (PSN/PS3)

Em 2010, quando Lara Croft and the Guardian of Light foi lançado, a franquia Tomb Raider encontrava-se estagnada e com vendas bem abaix... (por Alberto Canen em 21/04/2013, via PlayStation Blast)



Em 2010, quando Lara Croft and the Guardian of Light foi lançado, a franquia Tomb Raider encontrava-se estagnada e com vendas bem abaixo do esperado. Pensando nisso, o pessoal da Crystal Dynamics desenvolveu um jogo com uma fórmula diferente do que os fãs estavam acostumados. Para garantir tal liberdade, a melhor saída foi não lançar um título canônico da série, e sim um spin-off — tanto que o jogo sequer recebeu "Tomb Raider" no nome. Dessa forma, pudemos ver a heroína favorita dos games de uma forma bem diferente do que estávamos acostumados até então, e isso não foi ruim.

Tumbas, relíquias, civilizações antigas... tudo aquilo que você já está acostumado

O enredo do jogo gira em torno de um mito asteca, que conta sobre uma catastrófica guerra ocorrida há mais de dois mil anos entre as forças da humanidade, lideradas por Totec (Guardião da Luz), e as forças de Xolotl — o Guardião das Trevas. Graças a um artefato chamado "Mirror of Smoke", Xolotl pode invocar uma horda de monstros abissais, massacrando os guerreiros de Totec, que conseguiu, no final, aprisionar o maligno Guardião das Trevas no próprio artefato, tornando-se seu eterno vigilante, em forma de estátua de pedra. Com o tempo, o Mirror of Smoke virou um mito e se encontrava perdido em algum local secreto. Mas, naturalmente, nada está escondido o suficiente para Lara Croft. Como era de se esperar, mercenários roubam o artefato, o mal é liberado e Lara precisa enfrentá-lo pelo bem da humanidade. Mas, dessa vez, ela não lutará sozinha e contará com a ajuda do próprio Guardião da Luz: Totec.


Cooperando e competindo

Pela primeira vez, Lara tem um parceiro, com quem divide a tela em uma visão isométrica (estilo Diablo), bem diferente da típica visão em terceira pessoa dos outros jogos da franquia. Não há tela dividida e se os personagens se afastam um do outro, o zoom diminui até certo ponto para enquadrá-los.


Os controles são bem comuns para os jogos com esse tipo de visão: a alavanca esquerda serve para movimentar, enquanto a direita é usada para mirar, deixando o D-pad para troca de armas (quatro podem ser equipadas). Há muitas armas diferentes no jogo, bem como artefatos e relíquias que podem ser equipados pelos personagens de forma a melhorar as suas habilidades individuais.

Os elementos de cooperação (local ou online) são muito bem executados e cada personagem tem habilidades únicas que se complementam de forma a resolver os diversos puzzles. Lara faz uso de uma corda com gancho, com o qual ela pode alcançar locais distantes e criar uma "ponte" para Totec passar — algo meio difícil de imaginar na vida real: uma garota segurando uma corda para um homem andar por cima; o Guardião, por sua vez, possui uma lança, que ele usa para criar uma "escada" para Lara pular em cima e subir em pontos elevados (ele pode lançar quantas quiser), e tem um escudo, no qual Lara pode subir para alcançar locais mais altos — melhor que dar "pezinho". Interessante notar que se o jogador preferir encarar a campanha solo, o jogo não providenciará um Totec controlado por inteligência artificial e deixará Lara com mais habilidades, compensando a ausência do parceiro.

A corda nem dobra: Lara tá malhando firme
Apesar de um modo cooperativo bem arquitetado, existe um "quê" de competição. Mas não é nada de exacerbado e está mais ligado à pontuação. Quanto maior o número de inimigos derrotados e tesouros encontrados pelo jogador, maior será a sua pontuação ao final da fase. Há até leaderboard online para comparar os seus resultados com o resto do mundo. Mas se você não se liga muito em contar pontos, provavelmente nem notará que está competindo de alguma forma.

Caminho básico ou caminho completo: a escolha é sua

Guardian of Light, sagazmente, foi criado com uma fórmula que acomoda tanto os jogadores que querem mais ação e puzzles básicos quanto os que gostam, também, de desafios mais complexos. O jogo segue o seu curso normal, com boa quantidade de inimigos para derrotas e desafios rápidos para resolver, e oferece tumbas em caminhos opcionais, que contam com puzzles mais elaborados e diversas recompensas. Essas áreas alternativas não são necessárias para vencer o jogo, que tem uma duração aproximada de seis horas (sem os puzzles opcionais) e de oito horas, caso você queira encarar todos os desafios extras.


Para garantir mais entretenimento, há vários desafios durante o jogo que geram recompensas, como destruir todas as colunas de uma fase ou pular de pedra em pedra sem cair no chão, em determinada área. Após terminar uma fase, é possível repeti-la quantas vezes quiser, para terminar todos os desafios que possam ter ficado para trás, aumentando a longevidade do game. Mais uma vez, realizar essas tarefas não são essenciais para chegar ao fim do jogo, caso esse seja o seu único objetivo.

Desafio: coletar 10 caveiras vermelhas

Aposta que deu certo

A ideia de alterar a fórmula de uma séries de sucesso como Tomb Raider pode parecer por demais ousada, mesmo que se trate de um spin-off. Contudo, o pessoal da Crystal Dynamics provou que é possível trazer novos ares mesmo para uma franquia de peso. Lara Croft and the Guardian of Light trouxe a essência de Tomb Raider, mas com uma visão diferente. Ainda temos puzzles, tumbas, inimigos e tesouros de antigas civilizações, mas dessa vez recebemos um companheiro para dividir a ação e uma visão isométrica da tela, que muda a forma como o jogo é encarado. Talvez seja um pouco demais ser lançado em disco físico, mas amoldou-se perfeitamente à distribuição por lojas virtuais.


Prós

  • Modo cooperativo (local e online) e campanha solo bem executados;
  • Puzzles mais difíceis separados em áreas específicas, não deixando os jogadores empacados;
  • Diversas recompensas e desafios que estimulam a repetir as fases.

Contras

  • Diálogos e enredo poderiam ser melhor trabalhados.
Lara Croft and the Guardian of Light — PSN/PS3 — Nota: 8.5
Capa: Stefano Genachi
Revisão: Vitor Tibério
Alberto Canen é formado em Direito pela UFRN. Joga videogame desde os tempos do Atari e sempre acompanha as novidades na indústria de jogos. Está no Facebook e no Twitter.

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