Blast from the Past

Final Fantasy IX (PS), a teatral fantasia que fechou o ciclo da série no PlayStation

Final Fantasy IX, o último título da série para o icônico Playstation, chegou próximo ao fim do e... (por Pedro Vicente em 10/04/13, via PlayStation Blast)


Final Fantasy IX, o último título da série para o icônico Playstation, chegou próximo ao fim do espetáculo, pouco antes do fechamento das cortinas do primeiro console da Sony. Além de ser um jogo que conseguiu extrair muito bem o potencial do velho PSone, o nono jogo da franquia conseguiu cativar pelo enorme carisma e pela belíssima estória que tinha para contar. Figura, até hoje, como um dos jogos mais queridos por mim. Jogado e (re)jogado até a exaustão. Saiba porque, para este redator fã dos bons tempos dos RPG´s japoneses, Final Fantasy IX é um dos melhores jogos do gênero.

Por trás das cortinas

Lançado no ano 2000, Final Fantasy IX chegou ao Playstation quando as atenções já estavam se voltando para seu sucessor, o Playstation 2. O jogo vendeu mais de 5 milhões de cópias ao redor do mundo, quantidade consideravelmente menor que a de seus antecessores do console, VIII e VII. O nono jogo da franquia marcou um retorno à um mundo não cientificamente avançado, algo que não aparecia desde Final Fantasy V, se tratando dos jogos principais da série.

O grande time responsável pela execução do jogo contava com os maravilhosos Hironobu Sakaguchi e Nobuo Uematsu, mas, é outro grande nome da, naquele momento, Squaresoft, que assina a direção desta obra: Hiroyuki Ito. Responsável não só pela direção, mas também por outros aspectos do jogo, Hiroyuki é parte essencial deste capítulo da série que o próprio pai Hironobu Sakaguchi considera como sendo seu favorito, algo próximo ao idealizado por ela para a franquia.

O grandioso enredo é inspirado nas grandes tragédias, nele de tudo acontece: briga entre reinos, amores impossíveis, reviravoltas e, claro, muitos momentos melancólicos. Na condução desta bela peça, podemos ver o esmero e cuidado dos criadores em cada diálogo, em cada cenário, em cada "figurante" que anda pelo mundo e, quase sempre, troca palavras muito bem humoradas com os protagonistas. Além disso, a própria estrutura narrativa e literária, expressa nas falas e na condução da trama, remete aos diálogos teatrais e à sagacidade dos grandes dramaturgos.


As personagens da grande peça


São muitos os atores do enredo do jogo. Entretanto, os protagonistas (leia-se, a party) são oito. Zidane Tribal, o principal elemento do time, é um ladrão, ligado ao grupo Tantalus, que está sempre pronto para se aventurar e, contra tudo e contra todos, ajudar ao próximo. Zidane é um dos caras mais "gente boa" dos videogames, além de sempre tentar colocar seus companheiros pra cima nas horas de dor, ele ainda é um fanfarrão de marca maior. Claro, mesmo o carismático e otimista líder do grupo tem seus momentos de dor e incerteza durante o jogo.

Garnet Til Alexandros, ou Dagger, é a princesa do reino de Alexandria. Em meio aos problemas gerados pela morte de seu pai e a um conturbado reinado de sua mãe, a rainha Brahne, Garnet se vê cheia de dúvidas e com muita vontade de explorar um mundo que só viu pelos livros. Mas nunca longe de Adelbert Steiner que é o guarda-costas da princesa. O típico soldado leal que obedece todas as ordens dos governantes do reino. Sua obediência será questionada durante a jornada.

Vivi Ornitier é um black mage. É muito poderoso, mas está procurando um motivo para sua existência, ou melhor, se ele de fato vive. Quem é, de onde veio e para onde vai (e quando) são grandes questões para o pequenino. Freya é uma guerreira da cidade de Burmecia, vive em busca de seu grande amor que desaparecera.

Quina Queen é um ser misterioso. De uma raça que parece estar mais preocupada em comer do que qualquer outra coisa, Quina terá que lidar com seu egoísmo durante o erendo. Eiko Carol é uma pequenina e solitária habitante da vila perdida de Madain Sari. Vive com vários moogles e é uma das duas únicas sobreviventes da tribo dos summoners (aqueles com o poder de chamar as entidades como Odin e Bahamut, por exemplo). Amarant, um mercenário, faz de tudo para acabar com a raça de Zidane, à quem atribui atitudes que lhe prejudicaram no passado.

Além dos antagonistas como Kuja, rainha Brahne, Zorn, Thorn e Garland, o jogo ainda conta com uma série de coadjuvantes carismáticos. Desde o grupo Tantalus, passando pelos cavaleiros de pluto, os habitantes das cidades, os moogles e chocobos, até um sem número de raças e tipos. Todos os atores a postos para um grande espetáculo.
A turma toda reunida

A cenografia do mundo

A apresentação gráfica de Final Fantasy IX é muito boa. Mas não apenas pela utilização do poderio do Playstation em seus últimos dias, mas também pelo maravilhoso e fantástico mundo criado para o jogo. Como dito anteriormente, desta vez o mundo não é ultra-tecnológico como seus antecessores. O que se apresenta aqui é um mágico mundo, mais voltado para uma ideia medieval.

São quatro continentes recheados de lugares inóspitos, cidades pulsantes e campos verdes. No continente Mist, no qual começa a aventura, existem três reinos que vivem em paz: Alexandria, Lindblum e Burmecia. Claro que a história do jogo nos leva, logo em seu início, ao fim desta paz e ao início de conflitos dolorosos.

Ainda não sei se prefiro a caravela voadora ou o castelo em forma de espada
Cada cidade apresenta sua vida, seus habitantes e sua arquitetura. Sempre me recordo de três cidades em especial. A vila de Dali, local com muitos problemas em curso mas que inspira uma tranquilidade. A trilha sonora da cidade é calma e bonita. Outro local é a noturna cidade de Treno, próxima à Alexandria, esta cidade abriga desde a nobreza até elementos pauperizados, passando por meliantes, comerciantes e acadêmicos. É um centro muito importante para a aventura do grupo de Zidane.

Por último, não poderia deixar de citar a cidade de Lindblum. Uma cidade gigantesca e cheia de vida. Nela de tudo pode acontecer. E de fato tudo acontece, do mais feliz ao mais triste.

Atenção: o vídeo abaixo contém spoilers!



O mundo de Final Fantasy IX é pulsante e único. É extremamente gostoso e divertido de se explorar até o último segredo.

Os Atos da tragédia

O teatral enredo começa exatamente com uma peça de teatro. Zidane e o bando Tantulus seguem para Alexandria com um único intuito: raptar a princesa Garnet. E para isso, nada melhor do que divertir a população, os guardas e a família real com a famosa peça de Lord Avon, "I Want to be your Cannary". 

Durante o evento Zidane consegue se aproximar de Garnet e, para sua surpresa, descobre que a garota desejava ser levada daquele lugar. No meio do quiproquó causado pela fuga de Garnet e Zidane, Steiner e Vivi se juntam ao grupo em cima do palco da peça, e a farça é revelada para todos. Brahne, rainha de Alexandria e mãe de Garnet, autoriza o ataque ao palco, que é também a própria caravela voadora do grupo Tantalus.

Melhor que luta de Anderson Silva com Jon Jones
Em sua fuga o navio cai na perigosa floresta petrificada. A partir daí o grupo começa sua jornada pelo continente, que culmina com a descoberta de um plano de Alexandria que consiste na criação de um exército poderoso para destruir as outras nações em sua busca por poder. Esse conflito cresce e coloca o destino do mundo inteiro em perigo. Assim, os outros personagens vão se juntando aos poucos no grupo, e o enredo vai se desenrolando.

A estória de Final Fantasy IX é muito bonita. Existe uma série de diálogos e momentos que eu sei de cor até hoje. Sejam os trocadilhos de Zorn e Thorn, seja as aparições de Kuja, os momentos de Zidane e Garnet, a dor dos personagens, todos os momentos são carregados de uma forte emoção, e todas as personagens tem que lidar com um conflito interno ao longo do jogo. Esses momentos de luta entre a dor e a esperança destes personagens faz do jogo um deleite para quem se deixa levar pelo carisma destes heróis, e pela beleza deste enredo.

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Outra novidade muito bem vinda são os ATE´s (Active Time Events) que podem ser acionados quando Zidane está sozinho em uma nova cidade, para que o jogador possa ver o que fazem os outros heróis. Rendem desde momentos muito engraçados, até outros bem emocionantes.

A sonoplastia

Em Final Fantasy IX coube novamente ao gênio Nobuo Uematsu a composição das melodias. E claro que ele não decepcionou. A música é importantíssima para remeter o jogo a momentos de nossa vida, assim como para podermos relembrar daqueles momentos, e do próprio jogo, para sempre. 

No que diz respeito ao espetáculo, as músicas caem como uma luva aos momentos do jogo. Toques de alegria, tristeza, maldade e, até mesmo, fanfarronice, são executados com maestria. Mais do que discorrer sobre estas belas canções, deixo abaixo duas das minhas preferidas. A música da cidade de Treno e um dos principais temas do jogo, respectivamente.


Quem está na platéia

Final Fantasy IX não deixa, apesar do lado teatral enfatizado aqui, de ser um jogo. O sistema de batalha é o Active Time Battle, e é bem tradicional. Algo muito positivo no jogo é que cada personagem tem uma profissão definida, e se desenvolve a partir dela. Desta forma, cada herói é único tanto do ponto de vista da estória quanto no campo de batalha. E a forma como se aprende as habilidades se dá através dos equipamentos. Cada equipamento pode ensinar uma habilidade a algum dos protagonistas, basta permanecer equipado enquanto o personagem junta AP´s (ability points).

Outro ponto da batalha é o chamado Trance, ou o estado em que o personagem entre em fúria (ou transe mesmo) e se torna mais forte por um tempo determinado. Cada herói tem sua especificidade, também, na forma de seu Trance. Ora, em determinado momento do jogo o Trance de um antagonista é essencial e catastrófico para o desenrolar do enrendo.

Para fora da batalha, o jogador ainda pode se aventurar por uma série de minigames e sidequestes. A questão das cartas dos moogles e da Mognet, por exemplo. Além disso, existe um minigame sensacional, no qual este redator passou horas e passou, inclusive, muita raiva. É a busca pelos chocographs. Nela, temos que guiar um chocobo por um lugar (floresta, pequeno lago, etc) e ir cavando com o bico dele durante 60 segundos. Nesse tempo podemos encontrar tanto itens normais como chocographs, grafícos que guiam o montador de chocobo à algum tesouro e, ao fim, a enfrentar o mais difícil inimigo do jogo, Ozma.

Outro interessante evento separado da trama principal é a busca pelos Stelazzios, ou moedas dos signos, cada uma está escondida pelo mundo, e conta o pedaço de um pequeno conto. No mais, o jogo de cartas de Final Fantasy IX é pífio. Não lembra nem de longe o viciante e satisfatório Triple Triad do FFVIII. 

Fechando as cortinas

Final Fantasy IX é um jogo que me cativou. Pra sempre irei lembrar das duas apresentações da peça "I Want to be your Cannary", escrita por Lord Avon (aqui uma brincadeira/homenagem com William Shakespeare, que era conhecido como o contista de Avon) e representada pelo infame bando Tantalus. Mas, para além de momentos pontuais (que são muitos), personagens como Zidane, Vivi e Freya se transformaram em verdadeiros modelos de ser humano para aquele tímido garoto de 13 anos de idade e, para o homem de 26 anos, não deixaram de ser "heróis" que ainda trago no meu coração.


Talvez tenha sido esquecido e deixado de lados por muitos, mas para este redator Final Fantasy IX permanece como um dos melhores jogos do gênero, superado apenas por algumas (poucas) obras-primas, como por exemplo o monstruoso Final Fantasy VI que o coloca em 2º na lista de "melhores FF" deste humilde fã.

"No cloud, no squall shall hinder us"

Revisão: Samuel  Coelho
Capa: Daniel Silva
Pedro Vicente é um homem sem qualidades. Para se esquecer das décadas de fracassos de sua vida real, resolveu passar parte do seu dia jogando. Iniciado nos games por Adventures e JRPGs, hoje em dia joga de tudo. Gosta muito de escrever sobre jogos, mas só dá nota 10 para games em que você pode dar Suplex em um trem.

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