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Quebrando o gelo com Chu-Chu (Xenogears)

"Nice chu meet chu!! I'm Chu-Chu!" ou em português claro “Prazer em conhecê-lo! Eu sou Chu-Chu!”, porém com muitos “chus” no... (por Érika Honda em 06/04/2013, via PlayStation Blast)

"Nice chu meet chu!! I'm Chu-Chu!" ou em português claro “Prazer em conhecê-lo! Eu sou Chu-Chu!”, porém com muitos “chus” no sotaque. Pasmo após esta inusitada apresentação, Fei Fong Wong observa a pequena criaturinha que antes acreditava ser um fofo e esquisito bicho de pelúcia. Para tornar tudo ainda mais estranho, a pequena bola de pêlos rosa diz para Fei, “Eu me apaixonei por você assim que te vi em Bledavik!! Para onde você for, eu irei também!!”. “Oh não... acabei de me declarar!!” conclui envergonhada e corando, se é que isso é possível para um quase bicho de pelúcia rosa.

Conheçam Chu-Chu

Chu-Chu faz parte do elenco de personagens de Xenogears, jogo lançado em 1998 para PlayStation. Elenco esse de grande peso, que conta com personagens únicos e carismáticos, que carregam, cada um, sua própria história cheia de complexidade, característica comum de se encontrar em RPGs antigos da Square. Apesar de Chu-Chu aparentar ser um simples mascote e personagem secundário, ela e sua raça acabam complementando a história.

A primeira aparição de Chu-Chu no jogo se dá logo após uma missão de resgate, que ocorre em um dos capítulos iniciais do jogo, e que envolve o protagonista Fei, o seu amigo Bart e a resgatada Margie. Após terem salvo com sucesso a pequena garota, o grupo enfim se vê livre para relaxar e conversar a bordo do Yggdrasil, o submarino de Bart. É nesse momento que a criatura rosa mostra sua cara.
Bart: "Livre-se desse bicho de pelúcia esquisito que está parado na plataforma. Está atrapalhando!"
Margie: "Isso não é um 'bicho de pelúcia esquisito'! Ela tem um nome. Seu nome é Chu-Chu!"
Para a surpresa de todos, a pequena criatura começa a andar.

Humor e personalidade

Em um RPG com uma estória e uma temática tão sérias e adultas, chega a ser esquisito existir um personagem tão exageradamente carismático e infantil. Porém, não é de se estranhar muito já que em RPGs japoneses esse estereótipo é comum. O personagem é o típico mascote fofinho que fala coisas bobas e pensa como uma criança. Agrada meninas e horroriza marmanjos. Não aparenta ter muita inteligência, porém é fiel e corajosa, sendo uma grande aliada. Demonstra grande carinho pelo protagonista Fei e parece decidida a segui-lo em sua jornada, não importa o que digam.

Mais do que uma bolinha rosa

Quando pensamos que Chu-Chu é somente uma personagem fofinha e secundária, não pensamos que ela terá um grande papel no desenvolvimento da história. Para nossa surpresa, há alguns fatos interessantes envolvendo o bicho simpático.

O primeiro ocorre quando o grupo de heróis chega à cidade flutuante Shevat. Dada a grande liberdade de exploração do local, o jogador pode entrar nas inúmeras salas da cidade e conversar com diversos NPCs, descobrindo segredos e diálogos engraçados. Em uma das salas nos surpreendemos com vários Chu-Chus! Ou melhor, várias criaturas da mesma raça de Chu-Chu. Se já foi estranho encontrar um, imagina encontrar vários deles!

Chu-chus! Eles se multiplicaram!
Após explorar a sala e conversar com os vários NPCs aprendemos sobre os Dotesque Chu-Chupolin, a raça de Chu-Chu, conhecidos simplesmente como Chu-chus. Eles viviam pacificamente (e abundantemente) nas florestas até que um dia Solaris destruiu tudo, quase levando a raça à extinção. Wiseman, um personagem misterioso, fugiu para Shevat com os Chu-chus que conseguiu resgatar e lá vivem em segurança. Também aprendemos sobre a lenda de um Chu-chu poderoso e gigante, chamado por eles de Deus Majestoso Mambo. A raça vivia pacificamente com seu guardião até que um dia uma gigante bola de fogo caiu do céu, atingindo-os e engolindo o poderoso Deus, que a partir de então passou a viver no céu protegendo a tribo dos Chu-chus.

Chu-chus sentem-se gratos pelo povo de Shevat, porém não gostam de Solaris

Momentos depois encontramos uma pequena sala circular com vários pertences que parecem ser de Wiseman. Descobrimos que o mesmo decidiu fugir de Shevat levando consigo um Chu-chu. Como não há registros de outras criaturas dessa raça na Terra deduz-se que é o mesmo Chu-chu que entrou para o seu grupo, o que explica o fato de ela não conhecer nem a cidade flutuante e nem os outros Chu-chus.

Chu-Chu em ação

Em um momento crítico em Shevat, nossos personagens encontram-se em apuros diante de um poderoso e nada amistoso Gear, um tipo de robô gigante de batalha bem comum no jogo. Todos os Gears foram desativados devido a um sistema anti-Gear, exceto, claro, o Gear inimigo. Em meio a discussão sobre o que fazer, eis que surge Chu-Chu para salvar o dia!

"Não seja rude comigo. Não sou um animal inferior. Eu sou Chu-Chu."
Chu-Chu não é um Gear, logo ela não foi afetada pela paralisia. Porém, o que um bicho minúsculo faria contra um Gear gigante? É nesse momento que uma aura a envolve e de repente seu corpo emite uma luz branca ofuscante que a transforma em uma Chu-Chu gigante. Estamos diante do Deus Majestoso Mambo! ... ou quase isso.

"Eu consegui! Fiz a grande grande churansformação!"


Chu-Chu agora passa a participar de batalhas em sua forma gigante ao lado de Gears. Infelizmente, nas batalhas normais ela não se mostra tão poderosa e invencível como na batalha heróica acima. Por não ser um Gear, ela não é capaz de fazer aprimoramentos poderosos exclusivos a Gears e nem pode se equipar como eles. Seus atributos são inferiores e dependem somente de seu nível e equipamentos comuns. Porém, é a única capaz de curar Gears e não depende de combustível para lutar.

Pequeno grande bicho fofo em ação contra gigantes
Como seu poder depende somente de seus atributos normais, é possível elevar sua força com itens que elevam os atributos permanentemente. Claro que esses itens são limitados e raros. Porém, há lugares do jogo em que é possível obtê-los. Com muita paciência e grinding é possível evoluir o bichinho apenas com itens, podendo deixá-lo até mais poderoso que os Gears. Mas isso não costuma valer o esforço, já que temos tantos outros personagens naturalmente mais poderosos, mas é um desafio interessante para quem gosta da personagem.

Revisão: Samuel Coelho
Capa: Diego Migueis
Érika Honda é formada em Ciência da Computação pela Unicamp. Possui grande afinidade com as áreas de Tecnologia, Artes e Game Design. É gamer desde a infância e sua curiosidade e gosto crítico fizeram da redação um grande hobby.

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