Blast from Japan

Escolha um reino e lute até a morte em Grand Knights History, um belo RPG nipônico para PSP

A produtora Vanillaware é conhecida pela belíssima direção de arte de seus títulos. E o RPG Grand Knights History , único jogo lançado pel... (por Farley Santos em 30/05/2013, via PlayStation Blast)

A produtora Vanillaware é conhecida pela belíssima direção de arte de seus títulos. E o RPG Grand Knights History, único jogo lançado pela empresa para PSP, é um destes jogos. Além de gráficos e música soberbos, o game apresenta sólido sistema de batalha e alto nível de customização dos personagens. Mas o maior destaque é o recurso online: nele o jogador se alia a um exército e participa de uma guerra pelo controle de territórios. Sucesso de crítica e público, infelizmente Grand Knights History nunca saiu do Japão.

Um mundo em conflito

Ristia é um mundo composto por três nações: Logres, o reino antigo, liderado pelo imperador Fausel; Union, um estado de cavaleiros, sob o comando do rei Leon; e a mística terra de Avalon, liderada pela rainha e feiticeira Muse. O mundo vive em um constante estado de conflito, pois os três reinos desejam dominar todo o território. O jogador, no papel de um capitão, deve escolher uma das três nações e auxiliá-la a todo custo. Para isso é necessário recrutar guerreiros, cumprir missões e ocupar o território inimigo. A trama não é o ponto forte de Grand Knights History e é só um pretexto para uma grande guerra entre inúmeros jogadores.

Treinando para a guerra

Grand Knights History tem um grande foco na customização e evolução de personagens. Após escolher um dos três reinos, é hora de criar os membros do grupo. Uma equipe é composta de quatro guerreiros, que são construídos em um editor. As opções de aparência são vastas e é possível criar uma infinidade de personagens diferentes e únicos. Além do sexo, visual e voz do guerreiro, é necessário escolher também sua personalidade, que afeta a evolução de atributos como força e velocidade. Ao contrário de outros jogos do gênero, Grand Knights History tem somente três classes disponíveis: cavaleiro, arqueiro e feiticeiro, que se dividem em subclasses de acordo com as armas equipadas. Cada um destes papéis tem mais de duzentas habilidades, o que abre um leque gigantesco de estratégias quando combinadas entre si.

Uma vez feita a equipe, é hora de enfrentar as inúmeras missões e explorar os mapas. São tarefas como derrotar inimigos específicos, encontrar itens e dominar partes do território. Os mapas são nada mais que grandes tabuleiros contendo uma série de pontos conectados que podem esconder itens, segredos e confrontos especiais. Já os combates são por turnos e se passam em um campo cilíndrico, de visual bem único. Cada movimento consome uma quantidade específica de pontos de ação, que são debitados do total disponível para o grupo. É importante também prestar atenção à maneira que os aliados estão dispostos pelo campo de batalha, certas formações conferem bônus de status e efeitos especiais. Ataques de inimigos ou aliados podem alterar a posição dos personagens, o que possibilita montar inúmeras estratégias de combate.

Disputa global

Um fato curioso em Grand Knights History é que existe um limite de tempo para treinar seus personagens. Ações no mapa, como viajar entre os locais e enfrentar inimigos, consomem uma quantidade específica de dias dentro do universo do jogo. Uma vez passados sessenta dias, seus guerreiros perdem a licença de treinamento e não podem mais evoluir. Depois disso, a única opção é enviar o grupo para o modo online. Ou seja, para completar o modo história é necessário treinar e utilizar mais de uma equipe de guerreiros.

O destaque e o foco do game é justamente o modo online. Ele é uma extensão do modo principal, sendo que o exército de cada reino é composto pelos próprios jogadores, de acordo com a nação escolhida no modo história. O conflito se transforma de acordo com o resultado das batalhas entre os jogadores. O mais interessante é que o modo online é assíncrono: toda vez que o jogador conecta aos servidores do jogo os dados da guerra são atualizados, sendo possível jogar sem conexão com a internet.

Além de realizar missões, como no modo história, é possível enfrentar times de outros jogadores recebidos pela internet. O computador controla estes grupos, de acordo com regras definidas pela pessoa que treinou aqueles personagens. Estes confrontos costumam ser bem desafiadores: os guerreiros utilizam combinações devastadoras de técnicas e habilidades, resultado da dedicação dos jogadores. Até sete equipes controladas por inteligência artificial podem ser enviadas para a guerra online. Os tradicionais combates player versus player também estão presentes em Grand Knights History.

Um belo conflito

Seguindo a linha de outros títulos da Vanillaware como Muramasa: The Demon Blade (Wii/Vita) e Odin Sphere (PS2), Grand Knights History apresenta belíssimos gráficos 2D desenhados à mão. Os personagens são grandes e detalhados, apresentando movimentação fluída e estilosa, principalmente em batalha. A música ficou a cargo do estúdio Basiscape, que já tinha trabalhado na trilha sonora de Muramasa. As composições misturam características militares com temas de fantasia, o que combina perfeitamente com a ambientação do jogo.


Cavaleiros somente no Oriente

Ousadia e beleza são palavras que definem Grand Knights History. A trama pode ser simples, entretanto as inúmeras opções de customização e os recursos online o tornam bem atraente e singular. O game foi um sucesso no Japão, mesmo tendo sido lançado no fim da vida do console: as cópias se esgotaram rapidamente e as avaliações da mídia especializada foram muito positivas. A localização para o ocidente chegou a ser anunciada pela XSEED Games, que acabou abandonando o projeto por alegar falta de recursos. Grand Knights History é mais um daqueles belos RPGs que os jogadores ocidentais nunca poderão aproveitar.

Revisão: Jaime Ninice
Capa: Diego Migueis

Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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