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Análise: Resident Evil Revelations (PS3) é terror de qualidade em alto mar

Diário de bordo, por Thomas Schulze Tudo começou em uma madrugada gelada de junho. Conversava com os outros diretores de pauta aqui do G... (por Thomas Schulze em 09/06/2013, via PlayStation Blast)

Diário de bordo, por Thomas Schulze

Tudo começou em uma madrugada gelada de junho. Conversava com os outros diretores de pauta aqui do Game Blast e já me preparava para dormir quando recebi um convite da Capcom para conhecer em primeira mão o mundo de Resident Evil: Revelations. Tentado por essa oportunidade única, me despedi da minha namorada, minha família e meu gato de estimação e embarquei no Queen Zenobia, navio que está me levando ao mundo de Revelations nesse segundo. Como não sei se vou sobreviver à jornada, resolvi escrever esse diário como um alerta para os eventuais aventureiros que também quiserem mergulhar neste survival horror.

Diário de bordo: Hora 1

Jill dando uma de Marcelinho
e ajeitando o cabelinho
Logo que início minha jornada já percebo que estou entrando em um mundo muito mais bonito do que imaginava. Relatórios de quem só viu o Queen Zenobia por imagens portáteis em baixa definição não fazem justiça à bela iluminação dos raios refletindo no mar e na proa nessa noite chuvosa em alto mar. Ao meu lado estão Jill Valentine, uma velha amiga, e também o agente Parker Luciani, a quem acabo de conhecer. Estamos em busca de dois agentes da BSAA, Chris Redfield e Jessica Sherawat, que desaparecem enquanto investigavam a célula terrorista Il Veltro.

Felizmente, todos os personagens que encontro em meu caminho parecem falar meu idioma. Apesar de alguns deslizes no português aqui e ali, os erros em nada influenciam na compreensão do que está acontecendo à minha volta. Por outro lado, não sei se é culpa das marés, ou se este velho marujo está velho demais, mas por alguma razão não acho que esteja me movendo tão bem quanto gostaria em alto mar. Me esquivar dos inimigos é quase um processo de loteria, exigindo muita sorte ou uma precisão sobre-humana. Até agora não sei ao certo.

Pode admitir, você já tomou golpes porque
se distraiu olhando para a bunda da Jill...




Três vivas para a volta dos
inimigos aterrorizantes!
Depois de uns poucos minutos a bordo do navio Queen Zenobia já encontro meus primeiros inimigos. Para minha surpresa, ao invés de zumbis criados por experimentos insanos da Umbrella, agora preciso lidar com Oozes, uma pálida e nojenta B.O.W. (ou arma bio-orgânica). Não que faça muita diferença para mim, que rapidamente saco a pistola para dar cabo dessa nova monstruosidade. Felizmente mirar é bem simples,e rapidamente já estou atirando em minha melhor forma.

Não leva muito tempo para que eu receba o scanner Genesis, e fico impressionado com sua utilidade, já que quando o aciono posso estudar melhor o mundo ao meu redor. Cada vez que escaneio um monstro ganho pontos de pesquisa, e esses pontos se convertem em itens que enchem minha energia. Um outro incentivo para fuçar cada canto do mapa com o Genesis é que ele pode detectar itens invisíveis ao olho nu, então imediatamente esse item se tornou meu maior aliado no navio, muito mais prestativo que meus auxiliares humanos tão passivos.

Diário de bordo: Horas 2-3

A essa altura já encontrei uma boa quantidade de armas pelo caminho, e comecei a me perguntar como faria para administrar meu inventário. Minhas dúvidas foram solucionadas quando encontrei alguns baús. Menos uma preocupação, embora deva admitir que a cada minuto que passa estou ficando um pouco mais aflito. Acho que boa parte disso se deve às músicas orquestradas que ecoam em meus ouvidos, vindas sabe-se lá de onde. As melodias ora minimalistas, ora épicas se fundem aos sons guturais e orgânicos dos monstros que dividem o navio comigo, causando calafrios.

Contra os inimigos, abuse e
Ooze das suas armas
Outra parte da minha aflição, ou melhor, a maior parte dela, se deve  a todas as espécies de monstros que estou encontrando. Vi desde Sea Creepers e Globsters, passando por Farfarellos e Fenrirs, até Starmigliones (não recomendo uma busca no Google Imagens para aqueles que quiserem dormir de noite). Mas com certeza o pior de todos é o Scagdead, um monstrengo enorme cujo braço em forma de serra pode matar num só golpe. Meu primeiro encontro com um desses foi facilmente o momento mais assustador que eu já vivi desde que encontrei meu primeiro zumbi na mansão Spencer.

Diário de bordo: Horas 4-7

Volta e meia minha jornada pelo barco é cortada por relatos de agentes espalhados ao redor do mundo. Pude acompanhar Chris em uma missão gelada, Parker relembrando o incidente que ocorreu em Terragrigia, além de ser apresentado a Quint Cetcham e Keith Lumley, dois nerds da BSAA que partiram em busca da verdade investigando estações tecnológicas. Essa mudança ocasional de foco foi uma grata mudança de ares e ajudou a evitar que eu sentisse enjoo marítimo depois de tanto tempo navegando sem parar, especialmente depois de me ver obrigado a revisitar várias salas pelas quais já tinha passado em busca de novos itens.
Como sempre, Chris e seus 50cms de braço ficam
responsáveis pelas maiores cenas de ação.

A trama é tão ruim que me lembra
os péssimos filmes sobre Resident
Evil. (Ok, talvez não tão ruins assim)
Enfim, depois de muitos sustos e alta tensão, seja em alto-mar ou nos confins mais distantes da Terra, finalmente encontrei o grande responsável por toda a confusão, desde a criação dos Oozes, passando pela destruição de Terragrigia e pela volta das células terroristas no mundo. Com todas as cartas na mesa, não consigo evitar um riso ao notar os absurdos a que fui exposto. Toda a teia de eventos revelada ao longo de minha estadia no Queen Zenobia me remeteu aos mais exagerados e rocambolescos devaneios orientais, uma história sem pé nem cabeça repleta de agentes duplos, agentes triplos, conflitos de interesse e conspirações governamentais tolas.

Diário de bordo: Hora 8

Zumbi às vezes tem cura.
Periguete, por outro lado...
Quando eu achava que minha jornada já havia chegado ao fim, eis que recebo a oportunidade de embarcar também num tal de “Modo Raide”. Para a minha surpresa, essa aventura parece capaz de consumir ainda mais tempo que a anterior, mesmo consistindo de cenários mais curtos do que os que visitei no Zenobia. As dezenas de desafios propostos me deixaram com vontade de tentar superá-los de novo e de novo até receber as maiores condecorações possíveis.

Tudo começou simples o bastante,  e já estou me sentindo bastante confiante. Essas ondas de Oozes já não são nada para mim e para minhas armas cheias de power-ups que comprei com meus pontos de experiência. Mas espere, que som é esse? Ah não, é um Scagdead gigante! Socorro! Por favor, se estiver lendo isso, mande aju...

Fim do diário

Prós

  • É a volta do terror à série;
  • Modo Raide é viciante e divertido;
  • Excelente trilha sonora.

Contras

  • Roteiro rocambolesco;
  • Revisitar cenários frequente pode irritar os mais impacientes.
Resident Evil: Revelations (PS3) - Nota: 8.0
Thomas Schulze é formado em Direito, mas passou mais tempo em locadoras do que no fórum. Carioca não praticante, é uma das seis pessoas no mundo que gostaram do final de Lost e Mass Effect 3. Você pode falar sobre o quanto ele está errado no Facebook e Twitter.

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