Blast from the Past

Wingardium leviosa! Relembre os momentos divertidos de Harry Potter and the Philosopher's Stone (PS)

Sempre fui fã declarado de Harry Potter. Li o primeiro livro da série com 11 anos, então vocês fazem ideia do que aconteceu. Um pré-adole... (por Rayner Lacerda em 27/07/2013, via PlayStation Blast)


Sempre fui fã declarado de Harry Potter. Li o primeiro livro da série com 11 anos, então vocês fazem ideia do que aconteceu. Um pré-adolescente descobrindo as aventuras do jovem garoto em um fantástico mundo de magia. Posso dizer com pompa que realmente cresci com o personagem, acompanhando muitas vezes o seu amadurecimento. Óbvio que seguindo o sucesso literário, a EA quis levar o bruxo para o mundo dos games. Porém, nessa época o grande foco era o PC, trazendo adaptação com gráficos de ponta, idioma localizado e toda a propaganda de grande produção. A versão do velho tijolão cinza não ganhou tanto destaque, mas sendo um fã inveterado, decidi me arriscar.

Foi assim que começou minha trajetória com o bruxinho no mundo dos games. Harry Potter and the Philosopher’s Stone parecia um título tímido, quase ofuscado, mas me conquistou de uma forma que eu nem imaginava. Não sei, talvez pela paixão literária com a série eu tenha me deixado levar além da conta, mas o fato é que me diverti horrores com o jogo, e sempre vou lembrar disso com carinho.

Pegando carona no sucesso do filme

Sim, você não leu errado. Ainda que a série seja um sucesso estrondoso hoje em dia, os jogos só surgiram por causa da adaptação cinematográfica, como de praxe. De lá para cá pouca coisa mudou, já que as grandes produtoras não costumam se arriscar com adaptações vindas da literatura, mesmo com exemplos magníficos como The Witcher. Mas por bem ou mal o jogo saiu. E foi muito bem recebido pela critica da época, em todas as suas versões.


O principal atrativo era você poder reviver toda a ação do cinema no videogame, controlando o bruxinho nas diversas aventuras pelo castelo de Hogwarts. O trailer do jogo mostrava um mundo bastante interativo e desafiador. Foram minutos suficientes para que eu ficasse encantado com tudo aquilo.

O fato é que o título tinha diversas características que realmente nos transportavam para o universo da série. Será um grande prazer relembrá-las junto com vocês.

Primórdios de um Sandbox?

Um fator logo exaltado no trailer do jogo era a liberdade. Você andava livremente pelo castelo e seus arredores, vasculhando como quisesse as áreas disponíveis. Mas também tinha compromisso para comparecer às aulas e demais atividades curriculares. Trocando em miúdos, a promessa era realmente transportá-lo para Hogwarts.


A exploração era divertidíssima, apesar de limitada. Você podia circular por toda a escola, mas de forma bastante controlada. A maioria das áreas só ficava disponível ao final do jogo. Mas convenhamos, eram esses mistérios e a possibilidade de desbloquear novos caminhos aos poucos que deixavam tudo mais divertido.

Isso sem falar no fato de que Hogwarts era muito bem construída, levando-se em conta as capacidades gráficas do console, é claro. Retratava de modo fiel os locais que apareceram no filme. Tudo estava lá: masmorras, o pátio, o salão principal com a ampulheta que contava os pontos das casas, etc.

Toda a magia dos minigames

Mas o grande destaque mesmo estava na jogabilidade, quase toda através de minigames. Como eu disse, a vida de estudante era abarrotada de atividades: aulas de magia, partidas de quadribol, exploração do castelo e investigação dos estranhos acontecimentos que rondavam a escola.

As aulas eram bem legais, um tipo de “aperte o botão na hora certa”. Você precisava executar uma determinada combinação para aprender o feitiço corretamente. Quanto menos tempo gastasse, mais pontos dava à Grifinória. O problema é que quase todas as classes funcionavam desse jeito, sem muita variação. Não importa se você estava na aula de poções do Snape ou tentando executar um Wingardium leviosa, as ações eram praticamente as mesmas.

Obviamente também não dava para usar os feitiços a toda hora, tendo que esperar pelas situações específicas, que geralmente envolviam algum puzzle bem simples. É claro que isso funcionava dentro da estrutura do jogo, mas era muito frustrante para quem quisesse sair levitando ou queimando tudo. Não era defeito do título, apenas implicância de um fã incompreendido.

O quadribol também era dos minigames mais divertidos. Quando o jogo começava, era preciso voar e passar dentro de aros que saíam à medida que o pomo de ouro disparava pelo campo. Após completar um certo número, a câmera mudava e você ficava pronto para pegá-lo, tendo apenas que fechar a mão no momento certo.

Todos esses ingredientes resultavam em uma jogabilidade muito intuitiva e divertida. Era possível passear incansavelmente pelo castelo e seus arredores, mesmo que tivesse de percorrer muitas vezes os mesmos caminhos. E o desenrolar dos acontecimentos foi muito bem construído, deixando a narrativa muito fluída.

Lembro claramente de ter boas experiências nos momentos finais, enfrentando desafios para impedir o roubo da pedra filosofal, suspirando de alívio quando tudo terminou bem e vibrando ao descobrir que minha casa tinha ganhado a Copa (como se fosse uma grande novidade).

Um início decente

Apesar de focar apenas nos acontecimentos cinematográficos, deixando boa parte da diversão dos livros de fora, Harry Potter and the Philisopher’s Stone foi um belo presente para os fãs. Deu aquele gostinho de quero mais já característico dos livros. Ao terminá-lo, tudo o que eu desejava era que o tempo passasse o mais rápido possível, para poder jogar o próximo título.

Revisão: Bruna Lima
Capa: Vitor Nascimento
Rayner Lacerda é historiador, formado pela UFV. Eterno estudante e professor do mundo, se interessa por praticamente tudo, mas são os games a sua grande paixão. Tal fascínio o levou ao Blast, onde escreve atualmente. Encontre-o no Facebook

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