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Análise: Aí vem o furacão! As grandes figuras de DuckTales Remastered (PS3) protagonizam um dos melhores jogos do ano!

Tem coisa melhor que chegar da escola, pegar alguns salgadinhos e refrigerante e assistir ao seu desenho favorito? Se você respondeu “Sim,... (por Thomas Schulze em 13/08/2013, via PlayStation Blast)

Tem coisa melhor que chegar da escola, pegar alguns salgadinhos e refrigerante e assistir ao seu desenho favorito? Se você respondeu “Sim, tirar foto de comida e postar no Instagram”, melhor parar a leitura por aqui mesmo, pois DuckTales Remastered é uma pequena joia criada para resgatar e celebrar toda a magia existente nessa época tão bacana conhecida como o início dos anos 1990.

Um dos maiores clássicos
da geração 8 bits
Como o próprio nome indica, trata-se de uma remasterização do clássico jogo de plataforma bidimensional DuckTales, aclamado título de Nintendinho desenvolvido por veteranos da série Mega Man como o designer de personagens Keiji Inafune e o produtor Tokuro Fujiwara. Para fazer justiça à talentosa equipe original, era necessário encontrar gente com experiência em reviver franquias para realizar a remasterização. Foi aí que entrou a WayForward, e não é que eles mandaram muito bem?

Velhos castelos, belos duelos

Tanto na remasterização como no jogo original acompanhamos o Tio Patinhas e seus sobrinhos numa busca a tesouros perdidos em uma divertidíssima volta ao mundo (e além, já que os patos vão parar até na lua nessa empreitada). Passando pela floresta amazônica, um castelo na Transilvânia e até pelo gelado Himalaia, todos os cenários que nossos amigos patos visitam possuem dezenas de rotas e segredos ocultos, estimulando a exploração de cada canto das fases. Na nova versão foi até incluído um mapa no melhor estilo Metroidvania para facilitar a vida de qualquer escoteiro mirim, indicando a localização dos objetivos principais e evitando que o jogador fique confuso e sem saber para onde ir - algo que acontecia com certa frequência no jogo original.

A jogabilidade é bem simples mas, felizmente, bem calibrada e precisa. A única arma de Patinhas contra seus inimigos é sua inseparável bengala, que pode ser utilizada não somente para bater em objetos, abrir baús e desobstruir o caminho mas também como um “pogo”, quicando pelo cenário para alcançar plataformas mais altas e aparentemente inacessíveis. O legal aqui é que a jogabilidade do “pogo” foi muito bem modernizada, já que agora basta apertar quadrado no controle para usar a técnica de quique, enquanto no NES era preciso apertar o direcional para baixo e o botão de ação ao mesmo tempo, algo bem desconfortável. Mas se você é um jogador purista, vai gostar de saber que o esquema de controles antigo pode ser habilitado no menu de opções.

Os personagens desenhados à mão são muito impressionantes


Não é absurdo algum afirmar que DuckTales: Remastered é um dos mais belos jogos de videogame já lançados. Não foram poucas as ocasiões em que parei de jogar simplesmente para apreciar o belíssimo traço dos personagens, tão cheios de vida que mais parecem saídos de um novo Blu-Ray de animação da Disney. É fascinante observar as ricas expressões dos personagens, seja quando Tio Patinhas treme de frio ao ser soterrado pela neve ou quando o Capitão Boeing fica sem graça ao fazer uma trapalhada.

Mais impressionante que o visual só mesmo a trilha sonora. Se ela já era fenomenal no Nintendinho, o trabalho de remixagem merece todos os aplausos. Temas que já soavam agradáveis no limitado chip sonoro do console de 8 bits da Nintendo agora receberam guitarras e percussão, soando ainda mais empolgantes. Pra ouvir de novo e de novo, tal qual a música tema do desenho. Wooo hoo!

Vem emoção!

Reconhecendo o crescimento do mercado de videogames no Brasil e o sucesso que DuckTales fez em nosso país, nossos bons amigos da Capcom colocaram legendas em português no jogo, o que é uma excelente notícia, já que o roteiro da aventura é primoroso e merece ser apreciado pelo máximo de jogadores possível. Repleto de referências e com o mesmo senso de humor bobo e simpático do desenho, em cada uma das sete fases do jogo você se sente assistindo a um divertido episódio de DuckTales.

As cutscenes são bem divertidas, mas é bom saber que você pode
cortá-las sempre que tiver vontade.


Patralhão, um personagem muito
querido pelos fãs da série.
Quem teve a alegria de crescer assistindo ao desenho deve até derramar algumas lágrimas de emoção com a quantidade de fan service que foi colocado no jogo. É simplesmente impossível não ficar nostálgico ao dar seu primeiro mergulho na lendária piscina de moedas do Tio Patinhas. Além do retorno de todos os simpáticos personagens presentes no jogo de NES, como Capitão Boeing, Maga Patalógica e Madame Patilda, em DuckTales Remastered foram inseridos outros velhos conhecidos da série animada como o atrapalhado contador Patralhão e o sempre prestativo mordomo Leopoldo. Para criar ainda mais nostalgia, o elenco original da dublagem americana foi chamado para reprisar seus papeis, então é um prazer ouvir todas as grandes figuras de DuckTales.

Por isso a garotada só quer DuckTales

DuckTales Remastered conta com um nível de dificuldade elevado que remete diretamente ao tempo de Contra, Battletoads e tantos outros clássicos dificílimos que causavam suor nas mãos dos jogadores mais velhos. O jogo é cheio daqueles momentos em que você dá um pulo complicado e aterrissa no último milímetro de pixel que o impede de cair em um abismo fatal, sentindo seu coração parar por um segundo. Com dezenas de poços sem fundo e inimigos letais na tela ao mesmo tempo, a curta barra de energia do Tio Patinhas pode acabar frustrando os jogadores da “geração ovomaltino”, mas felizmente você nunca vai perder uma vida por culpa de mortes injustas, então a experiência de tentativa e erro acaba sendo bem gratificante.



Nesses tempos em que a indústria de videogames parece viver da exploração de blockbusters AAA, é revigorante revisitar um clássico tão simples e despretensioso. Por mais que sua nova roupagem o modernize para fazer frente com a tecnologia dos jogos novos, a verdade é que por trás de tanta pompa há a lembrança de que jogos com mais de vinte anos podem nos divertir tanto ou mais que jogos de custo milionário. Mais do que uma belíssima celebração do passado, DuckTales é um lembrete de que a diversão de verdade nunca envelhece.

Prós


  • Visual belíssimo e direção de arte primorosa;
  • Trilha sonora magistral retrabalhada de forma respeitosa;
  • Desafio e diversão na medida exata;
  • Jogabilidade bem calibrada e aprimorada em relação ao original.

Contras


  • Os anos 1990 não voltam mais.

DuckTales Remastered - PlayStation 3 - Nota: 10.0


Revisão: Rodrigo Estevam
Capa: Daniel Machado
Thomas Schulze escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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