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Análise: Salve sua família no hilário apocalipse zumbi de Lollipop Chainsaw (PS3)!

Suda 51 é um dos mais geniais desenvolvedores de jogos atuais. Considerado por muito o Quentin Tarantino dos jogos, Suda busca sempre c... (por Gabriel Vlatkovic em 04/08/2013, via PlayStation Blast)


Suda 51 é um dos mais geniais desenvolvedores de jogos atuais. Considerado por muito o Quentin Tarantino dos jogos, Suda busca sempre criar jogos únicos, ousados e cheios de estilo, e mesmo que nem sempre os resultados sejam completamente satisfatórios, as experiências são extremamente marcantes e diferenciadas. Em sua mais recente empreitada, o jogador é colocado no papel da cheerleader, Juliet Starling, que nas horas vagas trabalha com sua família exterminando zumbis pelo mundo. Bizarro, não é? Vocês ainda não viram nada!

Aniversário macabro

Juliet Starling é uma garota normal que cursa o ensino médio em uma escola na Califórnia, Estados Unidos. No dia de seu aniversário, a garota combinara de se encontrar com seu namorado, Nick, para receber seu presente. Contudo, ao sair de casa, a garota presencia um verdadeiro apocalipse zumbi acontecendo pelas ruas. Nada covarde ou inibida, a garota saca uma serra elétrica de sua bolsa e sai decapitando e destruindo todos os zumbis que cruzam seu caminho. Ao chegar ao colégio, a garota se depara com Nick sendo atacado por um morto-vivo e corre para resgatá-lo. Infelizmente o rapaz é mordido, o que força Juliet a realizar um ritual conhecido pela família Starling que consiste em arrancar a cabeça do infectado para que a doença não se alastre para o cérebro. Como ninguém nunca pensou nisso?

Juliet e Nick em mais uma de suas juras de amor
Nick sobrevive milagrosamente e, após uma das cenas mais hilárias desta geração de videogames, passa a acompanhar Juliet em sua caçada pendurado em sua cintura. Sim, a cabeça de Nick acompanha Juliet pendurada na cintura da cheerleader. Assim se inicia a jornada da garota em busca dos causadores do incidente e do extermínio dos zumbis que estão infestando a Califórnia.

As finalizações de Juliet são... bizarras
Durante a aventura, divididas em fases que representam diversas regiões da vizinhança do colégio, Juliet e Nick se encontrarão com os parentes da garota, bem como com os mais bizarros zumbis já vistos em toda a história dos videogames. O jogo é recheado de referências à cultura pop e conta com um senso de humor dos mais afiados e, nem nas cenas mais dramáticas, Juliet e seus amigos (e inimigos) deixam de provocar risadas em qualquer um que os estiver acompanhando.

Matando com estilo

Lollipop Chainsaw é um hack ’n’ slash que não foge muito do que estamos acostumados a ver no gênero. Juliet possui uma série de ataques que podem formar combos que causam mais danos nos inimigos. Além disso, a garota pode coletar pirulitos espalhados pelas fases, que lhe concedem novas habilidades e melhorias na barra de energia. O que realmente faz com que Chainsaw se diferencie completamente de jogos do gênero é o estilo e ambientação da aventura. Juliet e Nick conversam durante toda a jornada, seja sobre a sua vida sexual (antes e depois do "ritual"), música ou até mesmo as matérias escolares que cursam. Melhor ainda, os zumbis de Lollipop Chainsaw falam e interagem com os personagens, tornando a experiência hilária!

Basquete com cabeça de zumbis? Ok...
Durante minhas andanças pela Califórnia zumbificada do jogo, me deparei com zumbis resmungões, tarados e até mesmo com aversão à cantora Katy Perry. Os diálogos são tão inteligentes e engraçados que, mesmo que este jogo possuísse péssimo controles, o que não é o caso, ainda valeria à pena. Os chefes são um show à parte: únicos e engraçadíssimos, os personagens são tão legais e carismáticos que você pensará duas vezes antes de matá-los e, consequentemente, deixar de ouvir o show de palavrões e frases mal intencionadas que eles não param de soltar.

Este é apenas um dos surreias chefes encontrados pelo caminho
Em algumas passagens, Juliet encontra zumbis já decapitados e tem a brilhante ideia de encaixar a cabeça de Nick em seus corpos. Na verdade, isso nada mais é do que mais uma habilidade bizarra do casal, já que o movimento é utilizado para explodir barreiras que bloqueiam seu caminho. Nesses momentos, o jogador deverá apertar ritmicamente os botões que surgem na tela, para que Nick consiga tomar controle do corpo do morto vivo e levá-lo para onde ele deverá explodir. E este é apenas um dos movimentos que o casal efetua cooperativamente. Espere ver a cabeça de Nick sendo utilizada das formas mais bizarras e inusitadas possíveis. É a escola Suda 51 de game design elevada ao extremo.

Nick tem uma vista um pouco privilegiada de sua namorada
O jogo tem poucos problemas. O primeiro deles é que nem sempre os controles respondem da forma que desejamos, o que pode causar certa frustração quando Juliet está cercada de inimigos e deve executar cada movimento com precisão. A câmera também dá um pouco de trabalho de vez em quando, principalmente quando há muitas coisas acontecendo na tela ao mesmo tempo e dificulta que o jogador consiga entender exatamente o que está se passando.

O mais colorido apocalipse zumbi

Lollipop Chainsaw é um dos jogos mais estilosos da geração, perdendo apenas para Shadows of the Damned, também criado por Suda. O visual é muito vibrante e mistura o filtro cel-shaded, que dá ao jogo uma aparência de desenho animado, com traços mais realistas. O universo do jogo, ao contrário de todos os jogos que possuem zumbis, é muito colorido e possui um clima muito leve e feliz o tempo todo. Por mais bizarro que isso possa parecer (e é mesmo), o clima é muito imersivo e passa uma sensação de urgência, mesmo que permeada por muitas piadas de mau gosto e situações inusitadas.

Juliet: a mais inusitada caçadora de zumbis já vista nos videogames
Para aumentar mais ainda a imersão e o tom hilário da aventura, o empenho dos dubladores na execução de seu trabalho é muito acima da média e dá gosto ver que tudo foi feito com tanto empenho e esmero. As músicas também foram escolhidas a dedo: de batida pesadas de rock até músicas instrumentais e épicas, elas dão o toque perfeito para fechar com chave de ouro a ambientação quase perfeita do jogo.

Até os pom poms se transformam em armas na mão de Juliet
O único ponto que deixa a desejar é a qualidade técnica dos gráficos. Cheios de serrilhados e com alguns slowdowns, Lollipop acaba tendo seu desempenho geral prejudicado por esses pontos. Claro que nada disso torna o jogo menos divertido ou ruim, mas é uma pena que isto não acompanhe a qualidade do restante do pacote. Além disso o jogo é um pouco curto, durando cerca de oito horas, e deixa um gostinho de quero mais, sendo que uma sequência é praticamente impossível, já que Suda costuma tentar criar jogos completamente diferentes uns dos outros (salvo No More Heroes 2, continuação do sucesso homônimo de  lançado para Wii).

Genialmente divertido

Lollipop Chainsaw pode não ser um primor técnico no PS3, mas ainda assim é uma das experiências mais únicas e divertidas que o console pode oferecer. Suda se empenhou ao máximo para refinar seu título que, até agora, é o mais bem sucedido de sua carreira. O jogo é uma boa pedida para os que curtem um bom jogo de ação ou ainda os que buscam títulos que se distanciem da onda de shooters idênticos que vem assolando o mercado.

Prós

  • Muito divertido;
  • Texto inteligente e engraçado;
  • Zumbis falantes;
  • Nick;
  • Trilha sonora espetacular.

Contras

  • Controles deixam a desejar em alguns momentos;
  • Câmera problemática;
  • Lentidão e serrilhados incomodam um pouco.


Lollipop Chainsaw - PlayStation 3 - Nota: 8.0
Revisão: Ramon Oliveira de Souza
Capa: Stefano Genachi 
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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