Hands-on

Tentando inovar em um gênero no qual reina a repetitividade: experimentamos One Piece Pirate Warrior 2!

Dentre os jogos demonstrados no evento que o GameBlast foi convidado, One Piece Pirate Warriors 2 era o que tinha a data de lançamento ma... (por Hugo H. Pereira em 21/08/2013, via PlayStation Blast)

Dentre os jogos demonstrados no evento que o GameBlast foi convidado, One Piece Pirate Warriors 2 era o que tinha a data de lançamento mais próxima (30 de agosto na Europa e  3 de setembro nas Américas) e talvez por isso era um dos quais as pessoas estavam menos interessadas; faltava o fator novidade. Ironicamente, novidade era justamente o que o título lutava para transparecer em um gênero tão repetitivo como o hack’n slash 3D de hoje em dia. Lançado no Japão em março, o segundo titulo da franquia Pirate Warriors se propõe desde os primeiros momentos a tentar consertar as falhas de seu predecessor. Durante toda a demo, não se viu nenhuma daquelas estranhas sequências de pulo com Luffy – que apesar de servirem para quebrar a mesmice, acabavam mais frustrando do que agradando em PW – e a variedade de personagens se expandiu consideravelmente (mais que o dobro do original), demonstrando que a Bandai ouviu as críticas feitas pela mídia especializada e pelos jogadores.
 Ambientado após o avanço temporal de 2 anos que ocorre na série depois da batalha de Marineford, a história cobre arcos deixados de fora do primeiro jogo (como o de Skypiea) e visita locais novos da saga New World. O curioso, entretanto, é que o modo história não se relaciona com o de nenhuma outra mídia (mangá/anime/filme). Intitulado de Dream Story, o enredo criado especificamente para o jogo nos apresenta com uma série de cenários do tipo “e se?”. “E se Luffy se juntasse à Marinha?”. “E se a tripulação dos Chapéus de Palha se dividisse?”. Embora, para alguns, isso acrescente quanto ao teor de novidade, outros podem não gostar da nova linha dada à argumentação da série.

Poderes, roupas, personagens e locais do arco New World dão as caras

Bem mais do que um “button smashing”

Apesar de o próprio apresentador do jogo ter dito que “Se conhecíamos Dinasty Warriors, então já conhecíamos One Piece Pirate Warriors 2”, o jogo baseado na obra de Eiichiro Oda tenta e, até certo ponto, sucede em trazer a bordo novos elementos que acabam por diversificar a jogabilidade até mais do que Dinasty e Samurai Warriors conseguem. A diversidade de personagens selecionáveis, cada qual com seus poderes exclusivos, já contribui muito para evitar a mesmice, mas PW2 vai além e adiciona mecânicas como o sistema de Haki que, assim como no anime, tem três tipos disponíveis para melhorar os ataques, derrotar inimigos e começar um combo instantaneamente. Foi reformulado o Crew Strike, agora chamado de Partner System, no qual você enche uma barra e pode usar um ataque especial em conjunto e passar a controlar outro personagem. Por fim, criaram o Style Change, cujo medidor vai aumentando conforme você derrota inimigos e o seu efeito varia de acordo com o estilo de jogo do personagem em questão. Tais novas adições às mecânicas do combate ajudam a manter entretido no jogo até mesmo quem é fã do gênero e não conhece a série, além de dar um (levíssimo) teor de estratégia às batalhas.
“Nunca fui muito fã de One Piece, mas Pirate Warriors 2 conseguiu me impressionar. Seguindo o mesmo estilo de Dynasty Warriors, franquia que adoro, o game realmente consegue atrair a atenção, pois, mesmo possuindo uma jogabilidade quase idêntica, consegue se diferenciar com seus variados combos e habilidades que são realmente muito legais.Algo que me chamou a atenção foi o fato de o jogo ter uma considerável queda nos frames, algo bem constante, mas que pode ser justificado pela quantidade estupidamente enorme de inimigos na tela, assim como em DW. Bom, ao menos isso não comprometerá em nada as jogatinas que não serão curtas! Este game é um prato cheio para os fãs da série, mas cuidado, pois se você não é familiarizado ou não gosta de Dynasty Warriors, Pirate Warriors 2 pode acabar entrando para a sua lista negra. Gustavo Dourado
Nami, a porção fanservice de Pirate Warriors 2

Tentando inovar sem fugir da fórmula

One Piece Pirate Warriors 2 tem na sua essência tudo o que um jogo do gênero tem para oferecer, seja bom ou ruim: Hordas de inimigos a serem derrotadas, uma ótima sensação de vitória depois de exterminar um exército de personagens, jogabilidade relativamente simples e direta, ocasional queda na taxa de framerate e por fim a quase que inescapável repetitividade. Por mais bem feito e elaborado, e sob diversos aspectos melhor do que o primeiro, PW2 ainda é voltado para fãs do gênero ou do anime (principalmente fãs de ambos), e as novas adições – que incluem co-op local e online – ajudam a manter um ar de frescor tempo o suficiente para ao menos fechar o modo história. Isso sem mencionar a direção de arte lindíssima, pra mim um dos melhores estilos de adaptação de gráficos de um anime para um jogo (sem ter que recorrer a um simplório cell-shading como os jogos de luta do Naruto insistem em fazer). Algumas tomadas de decisões para barateamento do lançamento no ocidente (como a exclusividade de mídia digital e o áudio em japonês com apenas legendas em inglês) resultam do fato de que os hack’n slashes não têm mais o apelo desse lado do globo como tinham na época dos arcades, mas, sinceramente, acho que One Piece Pirate Warriors 2 pode ser a semente de algo que virá a reverter esse quadro.
"Quem gostou de Dynasty Warriors e gosta de One Piece vai ficar imensamente satisfeito com essa proposta de jogo. Mas quem é fã de apenas uma dessas duas obras, dificilmente vai se divertir muito com o que Pirate Warriors 2 tem a oferecer."  Samuel Coelho



Revisão: José Carlos Alves

Hugo H. Pereira cursa artes conceituais nos EUA e atua como ilustrador e redator no Blast. Quando não está colocando seus desenhos no Facebook, está gritando "Objection" por ai ou resolvendo enigmas com o Professor Layton.

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