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Análise: Enfrente as missões que soldados comuns não conseguem realizar em Killzone: Mercenary (PSVita)

Depois dos lançamentos dos sofríveis  Resistance: Burning Skies  e  Call of Duty: Black Ops Declassified , os donos de PlayStation Vita fi... (por Alberto Canen em 08/09/2013, via PlayStation Blast)

Depois dos lançamentos dos sofríveis Resistance: Burning Skies e Call of Duty: Black Ops Declassified, os donos de PlayStation Vita ficaram na expectativa de receber um jogo de tiro de qualidade para os seus consoles. Durante a pré-conferência da gamescom de 2012, a Sony liberou um trailer que renovou nossas esperanças, anunciando Killzone: Mercenary, o primeiro jogo da franquia exclusivo para o PS Vita.


O game é o quinto da franquia Killzone já lançado, sendo o seu primeiro spin off. Contudo, não é a primeira vez que um jogo da série aparece em um portátil da Sony, já que Killzone: Liberation foi lançado para o PSP como continuação direta do Killzone original, para o PS2. Outra novidade é que, diferente dos outros títulos Killzone, o jogo não foi produzido pela Guerrilla Games, mas sim pelo estúdio irmão, SCE Cambridge Studio — conhecido como Guerrilla Cambridge.


Uma passeio pela trilogia de Killzone

Arran Danner
Mercenary começa pouco após o início do primeiro Killzone e ocorre em paralelo com diversos momentos da trilogia, como a batalha por Vekta e a invasão em Pyrrhus. O jogador controlará o mercenário Arran Danner, um ex-soldado UCA que não tem receios em aceitar contratos pagos da ISA (Aliança Estratégica Interplanetária), bem como dos Helghast, desde que pague bem — mercenário, lembra?

Como acontece com muitos spin offs, a história não é exatamente o forte do jogo e poderia ter sido melhor trabalhada. Ainda assim, serve bem como pano de fundo para as nove missões, que passam pelos diversos momentos da série, variando bastante os cenários e sempre levando o jogador a um local diferente, sem deixar a experiência ficar repetitiva em momento algum. Além do mais, o fato de ser totalmente localizado para o nosso idioma (dublagem, legendas e menus) faz com que o enredo seja bem melhor aproveitado.

Praticamente um PS3 portátil

O jogo utiliza o poderoso motor de Killzone 3 para criar os grandes cenários, mas, diferente do que possa parecer, o pessoal da Guerrilla Cambridge não procurou "estreitar" o visual dos consoles de mesa para a tela do PS Vita, mas sim garantir uma experiência completa no portátil, valendo-se do poder gráfico do próprio console, que não é pouco. Tanto que o visual ficou comparável ao do próprio Killzone 3, guardadas as devidas proporções.



O que muda são elementos em termos de visibilidade, como o quão longe os inimigos e os objetos são posicionados pelo cenário, já que, mesmo tendo um tamanho considerável para um portátil, não podemos equiparar as dimensões da tela do Vita com as de uma tela de TV, na qual muito mais pode ser colocado ao mesmo tempo. Dito isso, mesmo à distância, os personagens destacaram-se muito bem.

A tela do Vita tem espaço de sobra
Mesmo com toda essa qualidade gráfica e belo visual, há alguns pequenos problemas na taxa de quadros por segundo quando a ação fica frenética. Mas não é algo que atrapalhe durante a jogatina e, provavelmente, isso será consertado com alguma atualização futuramente.

Armas, missões e dinheiro: vida típica de mercenário

As lojas são uma grande novidade na série. Elas ficam espalhadas por todas as fases e é possível acessá-las mesmo durante o combate, pois o vendedor (Blackjack) garante uma camuflagem "muito especial" logo, mesmo que você esteja sendo atacado, poderá fazer suas compras tranquilamente durante o tempo que quiser, podendo trocar de arma, sempre que considerar que aquela que você está usando não é a ideal para aquele momento. Munição também não é problema, já que pode ser comprada nas lojas.

Não tem nada barato nessa loja. Vida de mercenário não é fácil.

Há muitas armas para escolher, como submetralhadoras, rifles sniper, escopetas, pistolas e armas VAN-Guard. Mas claro, todas têm um preço — bem salgado, diga-se de passagem. Uma vez desbloqueadas, elas são incorporadas ao arsenal e podem ser equipadas a qualquer momento (mesmo no modo online) que se entre nas lojas, bastando pagar uma pequena taxa pelo depósito.

Você ganha dinheiro por tudo o que faz e cada ação tem uma recompensa diferente, conforme a dificuldade de realizá-la. Por isso, matar com headshot é mais lucrativo que com tiros em outras partes do corpo; matar usando a faca sem ser visto dá uma boa grana também. Até coletar munição deixada pelos inimigos mortos vale dinheiro.


Demonstração da jogabilidade pelo canal RajmanGamingHD

Jogar de forma stealth também é possível. Sendo discreto e usando armas com silenciador, a Inteligência Artificial não irá percebê-lo. Mas é bom ficar ligado, pois se um corpo de um soldado é encontrado por um inimigo, ele irá alertar os demais para caçá-lo até achá-lo.

Um diferencial de jogabilidade no Vita é o uso da tela sensível ao toque durante os combates corpo a corpo. Basta passar o dedo na direção indicada na tela para o seu personagem atacar com maestria o inimigo. Mas se você atrasar na hora de aplicar o comando, quem será golpeado é você.

Basta passar o dedo na direção da seta para efetuar um golpe corpo a corpo

Cartas de Bravura

Todo o seu progresso no jogo é registrado no console. É um cálculo de sua habilidade de ganhar dinheiro comparado a todos os outros jogadores do game. Todos os seus ganhos, tanto no modo campanha quanto online, são analisados uma vez por dia pelos servidores do jogo e, quando você estiver conectado, receberá uma Carta de Bravura nova, que representa o seu nível atual de habilidade — esse valor pode aumentar ou diminuir dependendo da sua performance.

As cartas são representadas por cartas normais do baralho, sendo as de 2 as mais baixas e as com ases as mais altas. Nos modos online, os jogadores com melhores cartas são os mais visados, naturalmente, já que quando um jogador é morto, ele deixa cair a sua carta, que vale um bom dinheiro. O naipe é determinado pelo tipo de arma mais utilizado consecutivamente: Ouro para submetralhadoras; Espada para rifles sniper; Paus no caso de rifles de assalto e metralhadoras leves; e Copas ao usar armas secundárias.

Contratos de Missão

A campanha principal conta com nove missões, que têm duração entre 40 minutos e 1h — depende da habilidade de cada um, claro —, o que nos deixa com cerca de cinco horas de jogatina solo. Contudo, ao jogar cada fase pela primeira vez, o jogador passará por um modo padrão, no qual ele tem a liberdade de escolher como irá encarar a fase, se de forma discreta ou mesmo mais kamikaze. Após terminá-la, três modos de desafio são desbloqueados (Precisão, Secreto e Demolição), cada um com uma exigência diferente para terminar a mesma fase, com três modos de dificuldade — quanto mais difícil, mais dinheiro. Por isso, mesmo que você tenha encarado a jogatina descarregando toda a sua munição sem muito capricho, usando a arma mais barulhenta possível, poderá passar por um desafio que exija que você use determinada arma com silenciador e evite ser detectado.

No modo Precisão, o que importa é a acurácia e a forma como você derrota o inimigo. Este modo também exige que você jogue a missão usando uma arma determinada. Na primeira fase (Justiça para todos), por exemplo, você deve concluir a missão em 20 minutos, atirar na cabeça do atirador do tanque (com qualquer arma) e de outros 25 inimigos (usando a SMG LS57), além de também ter que resgatar os reféns dos ISA. É uma forma bem diferente de encarar a missão, até porque você começa sem grana para comprar uma arma diferente, que poderia ser usada para encarar de forma diferente a missão.

Quando a precisão é necessária, nada como um rifle sniper

No modo Secreto, você precisa abordar a fase de forma mais stealth e até poderá falhar na missão se for detectado. Na primeira fase é preciso destruir todas as câmeras de segurança, matar 50 inimigos com a SMG StA-7v (uma arma típica de operações stealth, que conta com ponto vermelho, silenciador, baixo recuo e alta taxa de tiros, mas é própria para combates de curta distância), sufocar o capitão do centro de segurança com uma granada de gás e ir sem ser notado desde o rapel até o resgate do almirante.

No modo Demolição, a abordagem já é mais destrutiva. A primeira fase, usada como exemplo, exige que você destrua três caixas de munição, ataque brutalmente 20 inimigos, obtenha uma eliminação tripla e destrua o tanque com o Sky Fury — tipo de arma VAN-Guard na qual é possível atacar os inimigos pelo céu.


Sky Fury — terror vindo de cima

Jogando online sem lag

O multiplayer online está muito bom, sem os famigerados lags, com suporte para até oito jogadores contando com três modos diferentes: Combate: mercenários, onde é cada um por si e você deve lutar contra oponentes para ganhar mais dinheiro; Combate de guerrilha, onde você deve eliminar a equipe adversária, contando com a ajuda de seus companheiros (a primeira equipe que conseguir 40 eliminações ou a equipe com mais eliminações no fim do limite de tempo de 10 minutos vence); e Zona de guerra, que é um dos modos mais requisitados pelos jogadores, na qual ganha-se pontos completando objetivos em 5 fases — a equipe com mais pontos depois das cinco fases vence.

Refinaria: um dos cenários da jogatina online

Agora você que é fã de jogos de tiro em primeira pessoa e dono de um PlayStation Vita pode comemorar, pois o portátil da Sony acaba de ganhar um jogo de peso para aumentar a biblioteca de títulos de alto padrão do console. Killzone: Mercenary apesar de ser um spin off manteve todo o brilho da franquia Killzone e é um jogo que não pode faltar na sua coleção.

Prós

  • Gráficos dignos de PS3;
  • Jogabilidade fluída, condizente com a série Killzone;
  • Modos online sem lags para até 8 jogadores;
  • Campanha solo com alto valor de replay graças às missões desbloqueáveis;
  • Totalmente localizado para o nosso idioma.

Contras

  • Pequenos problemas na taxa de quadros por segundo quando a ação fica frenética.
Killzone: Mercenary — PS Vita — Nota: 9.0

Revisão: Samuel Coelho
Capa: Stefano Genachi
Alberto Canen é formado em Direito pela UFRN. Joga videogame desde os tempos do Atari e sempre acompanha as novidades na indústria de jogos. Está no Facebook e no Twitter.

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