Por que o PlayStation Vita TV pode ser o que o mercado de entretenimento estava esperando

A Sony anunciou recentemente seu console híbrido entre portátil e console de mesa, o PlayStation Vita TV . O apetrecho é compatível com jo... (por Lílian Moreira em 13/09/2013, via PlayStation Blast)

A Sony anunciou recentemente seu console híbrido entre portátil e console de mesa, o PlayStation Vita TV. O apetrecho é compatível com jogos do Vita tradicional ao mesmo tempo em que precisa ficar em uma mesa, ligado a uma TV e com um controle DualShock 3. Também existirá uma compatibilidade com jogos de PSP, PlayStation 1 e PC Engine. Pra quem não conhece este último é um console de quarta geração, com tecnologia semelhante a um Mega Drive ou Super Nintendo. A lista inicial de jogos inclui 1300 títulos, mas apenas 100 deles são jogos para Vita, apesar do nome do console. Ainda não se sabe como funcionarão os jogos com touch, ou se vão sequer funcionar.


Depois dessa notícia, é claro que a internet foi à loucura e tacou milhões de pedras na Sony, no Vita TV e no CEO que deixou escapar essa ideia que "claramente saiu da cabeça de um estagiário". Ninguém está imune a erros, mas antes de questionar uma multinacional renomada que tem dinheiro saindo pelo ladrão depois de tantas jogadas de marketing, eu acho interessante tentar entender a lógica por trás da operação.

"Jogada de marketing" pode ser um termo que nos leva a pensar  apenas em grandes capitalistas enganando o consumidor. E sempre tem sua porcentagem de verdade, mas também há a questão de mostrar produtos que podem ser bons e úteis para uma parcela x da população. Daí vem a questão: O que o PS Vita tem a oferecer? E para quem?

Vita TV? Pra quê?


Primeiro, vamos às utilidades do Vita TV. Além de jogar títulos do Vita em uma telona, podemos nos aventurar por jogos clássicos. Só isso? Claro que não. Agora vamos às pequenas praticidades da vida moderna. A maioria das casas tem mais de uma TV. Isso significa que as pessoas gostam de fazer as coisas que envolvem TV em mais de um lugar. O Vita TV vai permitir jogar PlayStation 4 em outra TV que não seja a que o grandalhão está ligado. Além disso, pretende-se futuramente incluir suporte para jogos de PlayStation 3 via Gaikai. É muito mais prático jogar PlayStation 3 e PlayStation 4 em uma caixinha pequena. Se você costuma jogar videogame na sala e sua mãe está recebendo visitas, fica super chato fazer aquele combo de God of War (aquele!) bem na hora do chá. Você pode levar apenas o Vita TV para o quarto e continuar.

Tamanho prático

Além da jogatina, tem os serviços de música e vídeo. Claro que em vários aparelhos já funciona Netflix e afins, mas o Vita TV tem suas próprias assinaturas, como Music Unlimited e Video Unlimited. Para quem é gamer e quer comprar um Media Center, é muito mais interessante ter um aparelho que roda jogos da Sony do que uma Apple TV, por exemplo.

Falando em Apple TV...


Os conceitos são parecidos, considerando que a Apple TV é uma caixinha branca que funciona como Media Center e dialoga com outros aparelhos da Apple. É claro que existe um bom tanto de cópia de todos os lados que se olhe, mas só se copiam ideias boas e modelos de sucesso. Se pensarmos no motivo da Sony estar fazendo isso agora, eu diria que é porque estamos preparados.

É muito complicado para os jogadores hardcore aceitarem e compreenderem a situação atual do mercado de jogos. É difícil ver aquilo que sempre foi uma paixão crescer tanto e se tornar algo que pode ser chamado de meramente comercial. Os jogos nunca deixaram de ser um produto, bem como seus consoles, mas com o mercado aquecido atualmente devido à popularização do gênero, o que vemos é uma expansão de mercado para novos consumidores. E está aberta uma época de muita experimentação e oportunidade de lucros, tentando manter os compradores originais e alcançar o máximo possível de novos consumidores.

Alguma semelhança com o OUYA?
Entre as jogadas arriscadas, temos por exemplo o OUYA, console que utiliza o sistema Android desenvolvido com financiamento coletivo. O próprio sistema da Apple TV, com a qual o Vita TV se parece, também permite um pouco de jogatina se considerarmos que ele espelha a tela dos mobiles da Apple. Poderia citar aqui até o que está pra chegar, como Oculus Rift, que se arriscará com tecnologias que não estamos acostumados. Quanto mais contato temos com cada uma delas mais nos abrimos a novas possibilidades enquanto mercado.

Se a Apple TV é uma jogada da Apple, que está há um tempo bom no mercado, porque não uma "Sony TV"? É o meio-de-campo dos tempos atuais. Um pouco de agrado pros heavy gamers da geração y, que vão ter mais mobilidade para seu console de mesa, um media center, talvez para os pais, e um videogame mais barato, para o irmão menor, quem sabe.

É mais barato!


Agora chegamos em outro ponto. É mais barato. Parece que isso faz pouca diferença para um consumidor de videogames, que, teoricamente, tem dinheiro para PlayStation 4 e tudo mais. Isso não é verdade. As empresas estão cada vez mais preocupadas em atingir camadas mais populares. Um dos argumentos para o lançamento do 2DS era seu preço mais baixo. A nova geração de iPhones tem sua versão com modelos coloridos e configuração reduzida. Cortar gastos é a atual mina de ouro. Quanto mais barato mais gadgets a pessoa pode ter ao mesmo tempo e mais ela vai comprar. Por que não apresentar então uma nova tecnologia, que cabe no bolso e na sala, que além de poder agradar old gamers pode trazer novos jogadores para o mercado?


E para você, leitor, quais os pontos fortes e fracos do Vita TV? Gostaria de comprar um?

Revisão: Alberto Canen
Capa: Doug Fernandes 
Lílian Moreira é graduada em Letras e mestranda em Comunicação. É redatora do PlayStation Blast e TechTudo. Quando não está escrevendo nem jogando passa seu tempo lendo, traduzindo e tocando. Às vezes aparece no Twitter ou Google+.

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