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Análise: Embarque na encantadora fábula de Kutaro em Puppeteer (PS3)

Em meio a tantos arrasa quarteirões sendo lançados para os consoles atuais, algumas pérolas podem passar desapercebidas e, pior ainda, ... (por Gabriel Vlatkovic em 17/11/2013, via PlayStation Blast)


Em meio a tantos arrasa quarteirões sendo lançados para os consoles atuais, algumas pérolas podem passar desapercebidas e, pior ainda, serem ignoradas por simplesmente não chamar atenção devido a suas temáticas diferentes, que destoam completamente dos tiros, carrões e cenários de tonalidade predominantemente cinza. Puppeteer, a nova criação do Japan Studio, da divisão de jogos da Sony, é mais uma vítima desse problema. Contudo, saibam que se deixarem passar esse jogo, estarão ignorando um dos melhores, senão o melhor jogo lançado para o PlayStation 3 neste ano.


Um teatro interativo

Logo de cara, notamos que Puppeteer é um jogo bem diferente do que estamos acostumados a ver por aí. Ambientada em um palco, a aventura tem dinâmica de peça de teatro, contando com um narrador e diálogos afiadíssimos e engraçados. O enredo se passa na lua e conta a história de Kutaro, um garoto que foi transformado em uma marionete sem cabeça pelo Rei Urso da Lua, que deseja capturar as almas de todas as crianças do mundo para que elas os faça companhia. O Rei Urso da Lua era um simples animal de pelúcia que pertencia à Deusa da Lua, que foi traída pelo brinquedo e desapareceu.

Kutaro e sua fiel tesoura Calibrus
Logo no início, o garoto conquista a Calibrus, uma tesoura com poderes mágicos que é a única arma capaz de derrotar o grande vilão da história. Com ajuda de Ezma Potts, uma bruxa que rouba a cena toda vez que aparece e a filha do Sol, que mais parece uma fada, Kutaro deverá viajar pela Lua em busca de fragmentos de Pedras da Lua, artefatos que dão poder ao vilão e estão sob a posse de generais maléficos que habitam o local. O jogo é dividido em sete atos com três cenas cada um, e a aventura dura cerca de 12 horas, tempo o suficiente para um jogo de plataforma bidimensional, ainda mais um tão criativo como este.

A lenda do menino sem cabeça

Como dito, além de ter sido transformado em um fantoche, Kutaro ainda perdeu a sua cabeça, de maneira que ao longo da jornada, o garoto deve encontrar objetos para encaixar em seu pescoço. De esqueletos a fatias de bolo, as cabeças utilizadas por Kutaro garantem habilidades especiais únicas ao personagem, que deve saber usá-las com sabedoria para avançar pelos desafiadores estágios do título. Além disso, no decorrer da jornada, o garoto conquista uma série de novas e divertidas habilidades que possibilitam o progresso no jogo.

O herói deve atravessar diversos perigos para chegar ao seu objetivo
Contudo, o item que rouba a cena é a própria Calibrus, tesoura mágica que Kutaro conquista no início da aventura. Com ela, o garoto pode sair cortando quase tudo que surge nos cenários, afinal, estamos falando de um teatro de fantoches, e não há o que uma tesoura não seja capaz de cortar. De nuvens, fumaça, plantas e inimigos, a Calibrus é uma arma valiosa e deve ser utilizada com sabedoria para que os desafios sejam superados.

As batalhas contra chefes são espetaculares!
Kutaro é controlado pelo analógico esquerdo do Dual Shock 3 e o direcional digital fica a cargo de realizar a troca de cabeça do personagem. Só é possível carregar três cabeças por vez, e cada vez que o garoto sofre algum dano, ele perde uma delas. Ao perder as três, o jogo retorna para o último checkpoint. O analógico direito serve para controlar a filha do Sol, que acompanha o garoto por quase toda a sua aventura. A personagem é capaz de explorar partes do cenário que Kutaro não é, o que ajuda a encontrar diversos segredos como novas cabeças e fases bônus espalhadas pelas cenas.

Kutaro aprende novas habilidade durante a aventura
Falando em cenas, não pensem que Puppeteer é um jogo previsível e de jogabilidade extremamente simplificada. Cada fase apresenta desafios completamente novos e diferentes em que o personagem deve utilizar todas as suas habilidades com maestria. Além disso, mesmo em um mesmo ato, a ambientação das fases muda completamente de uma para a outra, garantindo sempre um ar de novidade para a divertidíssima jornada. De perseguições em rodovias até viagens espaciais em estrelas cadentes, o jogo surpreende e arranca sorrisos por todo seu caminho até a sua excelente conclusão.

O estilo visual de Puppeteer é de encher os olhos!
Além disso, Puppeteer conta com algumas das mais criativas batalhas contra chefes já vistas em um jogo de plataforma, de maneira que o jogador deve pensar antes de agir e bolar estratégias para sair vivo das desafiadoras batalhas. Sim, Puppeteer pode ser um jogo de temática infantil, mas mesmo assim é mais desafiador que muito shooter por aí, em que a energia dos personagens é restaurada ao nos escondermos dos tiroteios.

Um retorno à infância

Mesmo com todas essas qualidades, talvez a maior de todas contidas em Puppeteer seja sua temática inocente e encantadora. Com um texto muito bem escrito, interpretações geniais (mesmo quando jogado em português do Brasil) e personagens extremamente carismáticos, Puppeteer é como jogar um clássico da Disney, daqueles capazes de maravilhar adultos ou crianças.

Muito variadas, todas as fases oferecem surpresas para os jogadores
Por se passar inteiramente em um teatro, os cenários mudam o tempo todo de maneira dinâmica e divertida, trazendo ainda mais imersão ao espetáculo que estamos presenciando, e para completar, os personagens interagem com a plateia, que aplaude, vibra e vaia os acontecimentos que ocorrem durante a jornada. Para garantir ainda mais imersão aos jogadores, os gráficos e trilha sonora são estupendos, dos mais artisticamente belos já vistos no console da Sony, o que é um feito e tanto; pela primeira vez, o PlayStation 3 tem um título que vale a pena ser jogado em 3D, já que os efeitos só adicionam ainda mais elementos divertidos e imersivos à aventura.

Clássico sem precedentes

Puppeteer é o melhor jogo de plataforma do PlayStation 3 e, certamente, um dos melhores títulos já lançados para o console em seus sete anos de vida. Com um enredo espetacular, personagens divertidos, temática revolucionária e jogabilidade extremamente bem implementada, o jogo é um suspiro de criatividade em toda a indústria e deve ser jogado por qualquer um que se diga admirador de videogames. Um clássico instantâneo que se tornará muito cultuado com o tempo e que me trouxe de volta toda a magia de se jogar videogame e ser surpreendido por ondas de criatividade a todo instante.

Uma aventura inesquecível!

Prós

  • Jogabilidade incrível;
  • Ambientação revolucionária;
  • Muito criativo;
  • Enredo cativante e texto brilhante;
  • Dá um banho de criatividade em uma indústria que tende à homogeneização;
  • Dublagem em português impecável.

Contras

  • Saber que o jogo acaba e que dificilmente veremos outro tão bom nos próximos anos.


Puppeteer – PS3 – Nota 10.0
Revisão: Bruno Nominato
Capa: Daniel Silva
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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