Blast from the Past

Reviva as aventuras de Pietro para salvar sua mãe no simpático PoPoLoCrois (PSP)

PoPoLoCrois é simples, básico, mas ao mesmo tempo charmoso e convidativo. Na realidade, o game é um remake de dois jogos lançados para o ... (por Diego Leon em 23/11/2013, via PlayStation Blast)


PoPoLoCrois é simples, básico, mas ao mesmo tempo charmoso e convidativo. Na realidade, o game é um remake de dois jogos lançados para o PlayStation, nos anos de 1996 e 2000. Embora o visual possa parecer datado, a mecânica intuitiva e uma história singela garantem uma boa experiência. Se você nunca jogou RPGs mas deseja entrar neste mundo, PoPoLoCrois pode ser a sua porta de entrada.

Simplicidade, eis a chave


Quando estava jogando PoPoLoCrois, sempre me vinha à mente um dos grandes RPGs que já coloquei a mão: Grandia. Embora tenha algumas diferenças óbvias entre os dois jogos, algumas semelhanças também me chamavam atenção: os personagens principais são crianças (e quase formam um casal romântico) e a história vai ganhando mais fôlego em seu desenrolar. Mas é sempre um olhar infantil e inocente, o que acaba cativando os jogadores.

A história de PoPoLoCrois gira em torno do príncipe Pietro para salvar sua mãe, Sania, já que seu espírito está adormecido no mundo dos mortos por causa de uma maldição lançada pelo Demônio do Gelo. Pode parecer simples, mas a trama oferece alguns momentos realmente comoventes, além de expandir sua trama. Há – como em todo RPG que se preze – vilões que querem dominar o mundo e reviver o Demônio do Gelo - cabe então ao príncipe Pietro e sua trupe, composta por uma bruxa da floresta, um guarda real e um vilão que não quer perder sua fama defenderem o querido reino de PoPoLoCrois. E a chave de toda essa história rocambolesca é a mãe de Pietro.

O trailer do jogo forçou a barra...

Os diálogos são bem elaborados e conseguem transmitir emoção na dose certa. Espere por tudo no game: tristeza, alegria, comédia, nostalgia. Gami Gami Devil, o vilão que não quer perder a fama, é simplesmente hilário. O dueto romântico Pietro e Narcia funciona bem, garantindo momentos cômicos, mas também emocionantes. Aguarde pelo momento em que Narcia, que usa uma saia, diz que Pietro tem que subir a escada antes dela. Pietro pergunta, na maior inocência, o porquê. O rosto vermelho como pimentão e encabulado dos dois é simplesmente impagável. O exagero dos rostos nas situações amplia a diversão.

RPG old-school

A clássica tela de equipamentos
PoPoLoCrois é um RPG das antigas, com alguns toques de modernidade. O game possui todos os clichês já encontrados em outros jogos por aí: baús nas cidades e em dungeons que possuem itens ou dinheiro, muita conversa com NPCs, aumento de nível e também personalização dos equipamentos. O combate é por turnos, embora traga aspectos estratégicos a lá Final Fantasy Tatics, sendo que também deve-se levar em conta a distância com o inimigo na hora da batalha. Cada personagem pode andar determinada distância no terreno e alguns ataques especiais também precisam ser calculados sobre a área que se deseja atingir. Mas não espere nada complexo: o sistema é fácil, recomendado para iniciantes e nem mesmo os bosses indicam um perigo muito grande. A party pode ser composta por até quatro integrantes, sendo que cada um tem sua especialidade – Narcia é especialista em magias de cura e suporte, enquanto Pietro tem habilidade de ataque elevada. Cada magia consome Magic Points e também elevam de nível de forma independente. Por exemplo, o Heal Rain, de Narcia, no nível 1 atinge uma área pequena, mas no nível 3 atinge uma área maior podendo curar dois ou até três aliados em uma tacada só.

As animações são de qualidade!
Os gráficos são nostálgicos - e novamente a comparação com Grandia. Esqueça o 3D, o jogo é em 2.5D com visão isométrica. Mas ao contrário do jogo da GameArts, a câmera de PoPoLoCrois é fixa, mas felizmente sempre deixa um bom ângulo de visão para o jogador.

A cereja do bolo são as animações. Elas não foram extraídas do anime – sim, PoPoLoCrois também é um anime – são totalmente originais para o game do PSP. Elas enchem o game de energia e personalidade, envolvendo ainda mais o jogador na trama.


Mas espere, nem tudo são flores. Os encontros aleatórios nas batalhas chegam a ser irritantes em alguns momentos. E quando há muitos elementos na tela, pode ocorrer também alguns slowdowns, prejudicando a jogabilidade.

As músicas oscilam entre a qualidade e o senso-comum. Alguns temas podem ser realmente bonitos – como a música de introdução – mas outras composições são simplesmente genéricas e esquecíveis em longo prazo.

Um RPG simples, mas de qualidade

PoPoLoCrois agrada pelos gráficos simples, pela jogabilidade rápida e pela trama envolvente, mas não espere aqui um Final Fantasy ou outro grande RPG nipônico. Mas Pietro e sua trupe tem carisma para levar adiante o game. E a narrativa certamente o deixará preso no universo de PoPoLoCrois, garantindo uma rica aventura de pelo menos 30 horas.


Revisão: Ramon Oliveira de Souza
Capa: Wellington Aciole
Diego Leon escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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