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Análise: Desbrave corredores escuros e evite monstros famintos em Lone Survivor (PSVita)

O mundo, como conhecemos, já não existe mais. Tudo está destruído, os seres humanos vivem escondidos e em constante perigo. Criaturas terr... (por Rodrigo Estevam em 16/12/2013, via PlayStation Blast)

O mundo, como conhecemos, já não existe mais. Tudo está destruído, os seres humanos vivem escondidos e em constante perigo. Criaturas terríveis estão sempre à espreita, esperando apenas um deslize seu para acabar com a sua vida. Essa história soa familiar? Talvez um pouco clichê? A premissa é realmente bem comum ultimamente, digna de títulos como Dead Space e Resident Evil. Mas, dessa vez, estamos falando de um jogo diferente, que passa bem longe dos gráficos realistas e controles complicados dos jogos recentes.



Em Lone Survivor, entramos na pele de um rapaz que usa uma máscara cirúrgica e, potencialmente, é o último ser humano vivo na face da Terra. Digo potencialmente porque o jogo deixa no ar se tudo o que vemos e fazemos é realmente real ou se nosso personagem não está simplesmente alucinando.

O game trabalha constantemente o abalo psicológico pelo qual o personagem passa: para começar, ele sofre de amnésia. Além disso, constantemente o jogo corta a ação e mostra flashbacks, que confudem nosso sobrevivente e, consequentemente, aos jogadores. Isso contribui com a identificação com o personagem, que vai se redescobrindo ao mesmo tempo que o jogador vai desvendando mistérios.

Sozinho na escuridão

Boa parte do jogo é baseada em exploração. Para avançar na trama é necessário percorrer longos — e muitas vezes confusos — corredores, repletos de criaturas loucas para fazer uma boquinha. Para tornar a experiência mais crível e adicionar uma pitada de dificuldade, nosso personagem constantemente sente fome e cansaço. É preciso vasculhar geladeiras e os mais diversos cômodos em busca de alimentos, que vão de batatinhas fritas a suculentos bifes. Existe, ainda, a possibilidade de brincar de mestre-cuca e combinar ingredientes, resultando em pratos capazes de saciar a fome do nosso pobre sobrevivente por mais tempo.


Quando cansado, nosso amigo precisa dormir. Nessa hora, nada melhor do que a cama quentinha de seu quarto. Normalmente as pessoas tomam pílulas para dormir bem e tranquilamente, certo? Pois é, mas o protagonista pode tomar pílulas que o levam a ter alguns sonhos um pouco... diferentes. Nessas horas, é possível dialogar com alguns personagens um tanto estranhos, que prometem ajudar (mas, ao menos no início, só confundem mais e mais a nossa cabeça).

O negócio é sobreviver

Como em todo survival horror que se preze, é possível usar armas de fogo... mas a munição é bem escassa. Por sorte, não há tantos monstros pelos corredores, mas ainda assim é bom economizar suas balas. Os monstros parecem ter a visão um pouco avariada mas, por outro lado, seus demais sentidos parecem mais aguçados. Então, caso se depare com um monstrengo, o ideal é usar a escuridão dos corredores a seu favor, esgueirando-se pelas paredes para não ser percebido pelos inimigos. Para ser ainda mais efetivo, o negócio é usar a boa e velha (mesmo!) carne podre para atrair a atenção das criaturas, que vão correndo aproveitar o petisco (eca!).


Como andar para lá e para cá pelos corredores pode ser uma tarefa cansativa tanto para você quanto para o protagonista mascarado, o jogo te dá uma forcinha para facilitar a exploração: é possível usar os diversos espelhos espalhados por todo o edifício como transporte. Basta uma boa olhada no seu reflexo e voilà, você vai do ponto A para o ponto B em questão de segundos. Dessa forma, é possível ir direto para o seu quarto, tirar uma soneca (e, consequentemente, salvar o jogo) e ainda ouvir o que tá rolando nas diversas frequências do seu rádio. Frequentemente você vai receber algumas informações valiosas ao sintonizar o aparelhinho.

A jogabilidade é bem simples, com controles intuitivos e de resposta rápida, e diversos puzzles que ditam o ritmo da história. À primeira vista, o game pode parecer bobo, até mesmo datado, e dificilmente vai ser ligado ao gênero survival horror. Mas, como dizem por aí, as aparências enganam. Seus gráficos em pixel art não só são bastante caprichados como dão um toque especial ao título.


Digamos que a arte seja o maior "charme" do jogo. Se é difícil se imaginar tenso com um game com visuais como os de Lone Survivor, experimente jogar no escuro e com fones de ouvido: boa parte da tensão criada pelo jogo vem de suas trilha e efeitos sonoros. Desde os batimentos cardíacos aos barulhos característicos de velhos edifícios, passando pelos gritos agoniantes dos monstros comedores de gente, todos os sons parecem ter sido criados para gerar uma atmosfera de medo e suspense.

Apesar do visual 2D pixelado, não se engane: Lone Survivor é um jogo bem atual, e apesar de parecer bem simples e ser curto, é capaz de bater de frente com grandes lançamentos AAA e, possivelmente, vai te entreter mais do que alguns dos blockbusters mais recentes. Acredite: vai ser o jogo mais amedrontador que você vai ter jogado em muito tempo.

Prós

  • Gráficos pixelados bem caprichados
  • Narrativa confusa na medida certa
  • Trama instigante
  • Controles simples e funcionais
  • Suspense, sustos, medo!

Contras

  • Sistema de cansaço, digamos, cansativo
  • O jogo é bem curto
Lone Survivor — PS Vita — Nota: 8.0
Revisão: Alberto Canen
Capa: Douglas Fernandes 
Rodrigo Estevam é formado em Administração, mas seu negócio mesmo é jogar videogames. Além de escrever no PlayStation Blast, também é colaborador e colunista da Revista Nintendo World. Está no Facebook e no Twitter.

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