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Análise: trave batalhas táticas e aventure-se no fascinante Rainbow Moon (PSN/PS Vita)

Desenvolvido de forma independente pela SideQuest Studios e distribuído pela EastAsiaSoft, Rainbow Moon é um RPG tático que acabou de che... (por Alberto Canen em 20/12/2013, via PlayStation Blast)

Desenvolvido de forma independente pela SideQuest Studios e distribuído pela EastAsiaSoft, Rainbow Moon é um RPG tático que acabou de chegar ao PlayStation Vita. Entretanto, não se trata de um novo game, já que fora lançado para o PlayStation 3 em julho de 2012. Ainda assim, a versão para o portátil contou com algumas mudanças, como rodar a 60 fps e diversos consertos de bugs (arrumados também na versão para PS3). Cross save também foi acrescentado, então é possível continuar de onde você parou no PS3 e vice-versa.


Mesmo tendo chegado depois, o jogo não conta com compra cruzada, o que significa que se você tem a versão de PS3 e quiser a de Vita terá que comprá-la — com desconto, é bem verdade. Ao menos os DLCs serão aplicados a ambos os consoles.

Enredo simplório

Baldren (ou outro nome a sua escolha) foi enviado por seu arqui-inimigo Namoris para um planeta completamente desconhecido chamado Rainbow Moon. Para piorar a situação, diversos monstros passaram pelo portal dimensional que o levara para o então pacífico planeta, o que atraiu a antipatia dos habitantes locais. Agora, o herói precisa encontrar um meio de selar o portal e voltar para o seu próprio planeta.



Tudo bem, você não deve estar admirado com esse enredo e talvez imagine que ele será bem melhor desenvolvido durante a jogatina, mas não é o que acontece. Tratando-se de um RPG, esse é um problema razoavelmente grande, já que geralmente o enredo é o ponto forte desse tipo de game. Durante todo o tempo do jogo, que pode passar de 100 horas, o jogador não encontra aquele incentivo na história para continuar fazendo as tarefas. As missões principais por vezes poderiam se confundir com as secundárias de tão simples que são em determinados momentos, como encontrar um pente para um personagem, o que não acontece pelo fato de cada tipo de missão estar bem delineada no menu do personagem e não há como se confundir nesse sentido.

Outro problema do enredo é que não há um maior desenvolvimento entre os personagens que vão se unindo a Baldren, sendo seis personagens ao todo no jogo. É notório que alguns RPGs antigos nos quais Rainbow Moon se inspira eram da mesma forma, mas seria mais instigante para o jogador se não fosse assim e ajudaria a quebrar um pouco o fato de o enredo não ser dos mais interessantes.

Muita tática durante as batalhas

Se o enredo não ajuda, o mesmo não pode ser dito do sistema de batalhas, que lembra o de Final Fantasy Tactics (PS, 1997). Rainbow Moon utiliza o esquema de grades para o campo de luta, com visão isométrica, nos quais os personagens e inimigos têm seus turnos e subturnos, podendo na sua vez mover-se para qualquer direção permitida pelo número de quadrados referentes aos turnos (dois turnos significa poder andar dois quadrados na arena); atacar, que fica disponível quando há um inimigo emparelhado com o seu personagem; utilizar skills, que são habilidades adquiridas durante a jogatina, podendo ser compradas ou encontradas pelas dungeons; e defender-se, que encerra o turno e aumenta o nível de defesa.


É verdade que os personagens e inimigos têm o seu turno, mas se você tiver o atributo de Velocidade (Speed) maior, pode ter uma vez a mais para utilizar seus turnos enquanto o adversário terá apenas um naquele momento. Entretanto, a recíproca existe, significando que se o inimigo for mais forte e rápido, ele que terá essa vantagem. Por isso, é bom investir nessa característica logo no início, assim como em Força (Strength), que ajuda a vencer mais rapidamente os confrontos.

Além de Velocidade e Força, os outros atributos dos personagens são Sorte (Luck), que aumenta a chance de aplicar critical hits, e Defesa (Defense), que aumenta a resistência contra os ataques recebidos. HP e Mana também entram nesse sistema.

O comportamento dos inimigos é um fator interessante do jogo e deve ser considerado para o planejamento tático. São cerca de 100 tipos diferentes de inimigos de 17 classes. Cada um tem as suas características próprias e podem se comportar de maneira única, como atacando o mais fraco do grupo, o mais forte, ou mesmo o mais próximo.

Apesar de parecer complexo em um primeiro momento, o jogo introduz muito bem os jogadores ao sistema, mesmo os iniciantes no gênero, aumentando a complexidade das ações gradativamente. Por sinal, não há como ficar perdido em Rainbow Moon, pois cada novidade é explicada didaticamente e pode ser revista através do menu do personagem.


Algo que agrada bastante no jogo é a forma como se entra nas batalhas. Não há lutas aleatórias obrigatórias, uma vez que você pode ver onde os inimigos estão. Mas há batalhas aleatórias opcionais, nas quais o jogador pode optar por aceitá-las toda vez que uma mensagem aparece indicando que você passou por um local com aqueles determinados inimigos. Assim, é possível evitar lutas desnecessárias ou indesejadas na maioria das vezes. Porém, quando um inimigo está bloqueando o caminho, não há outra opção senão a de derrotá-lo para poder passar.


Aumentando o seu nível

Após as batalhas, você receberá Rainbow Pearls, que são os itens que você pode utilizar para aumentar os atributos dos seus personagens. Para trocá-los, basta procurar um Savant na vila mais próxima e distribuir conforme desejar. Vale notar que essa é a forma de aumentar os seus atributos, eles não são automaticamente elevados após uma mudança de nível. Ao invés disso, o limite anterior de cada atributo fica maior, permitindo que mais pontos sejam investidos em um determinado atributo que chegara ao seu máximo permitido anteriormente.


Nas vilas, também é possível comprar os itens clássicos, como Health Potions (HP) e Mana Herbs. É bastante aconselhável comprar um bom número delas antes de se aventurar em um local desconhecido, uma vez que não são itens encontrados facilmente durante as dungeons. E, acredite, você vai precisar.

Caso você morra, aparecerá próximo ao local da batalha com apenas 1 HP ou poderá se transportar para um portal no mapa — fica a seu critério essa escolha. Dito isso, o jogo também dá uma verdadeira colher de chá para apaziguar as dificuldades, permitindo que o jogo seja salvo a qualquer momento, menos durante as batalhas. Outra facilidade: você pode fugir de qualquer batalha sempre que quiser, mesmo que seja um confronto contra um chefe.

Uma outra característica marcante da jogatina em Rainbow Moon é a necessidade de grindar. Para quem não está familiarizado com o termo, significa dizer que você terá que matar muitos inimigos para subir de nível antes de poder avançar na história, pelo fato de ser muito fraco para encarar os adversários mais fortes. Quem não gosta desse tipo de situação melhor passar longe de Rainbow Moon, pois o ritmo do game é bem lento. Dificilmente chegamos até um chefe preparados para vencê-lo logo de cara.

Inspiração retrô

Além de uma trilha sonora bem variada e cativante, o visual de Rainbow Moon também chama a atenção. Neste ponto, podemos notar que, como o sistema de batalhas, há semelhanças com Final Fantasy Tactics, o que dá um toque de RPG clássico ao jogo, porém não datado, sendo bem mais colorido e em alta definição, excelentes na bela tela do PlayStation Vita.


Os inimigos e personagens também ficaram muito bem desenhados e a adição de um novo equipamento altera a aparência do seu personagem. Parece algo banal, mas muitos RPGs deixam essa simples característica de lado, o que é um pouco frustrante, principalmente quando você equipa aquela arma super poderosa que deu o maior trabalho para conseguir.

Com uma forte inspiração na década de 1990, Rainbow Moon é uma ótima adição à biblioteca do PlayStation Vita. Ao contrário de muitos jogos adquiridos pela PSN, ele conta com muitas horas de jogatina e muito capricho. Apesar de não contar com um enredo forte, o sistema de batalhas e apresentação do game mantêm o jogador preso à jogatina. Para os que gostam de grindar é compra quase obrigatória.

Prós

  • Vasto mundo a explorar;
  • Muitas horas de jogatina;
  • Sistema de batalhas interessante;
  • Belo visual clássico.

Contras

  • Enredo fraco;
  • Mau desenvolvimento dos personagens.
Rainbow Moon — PlayStation Vita — Nota: 8.0
Revisão: Ramon Oliveira de Souza
Capa: Douglas Fernandes
Alberto Canen é formado em Direito pela UFRN. Joga videogame desde os tempos do Atari e sempre acompanha as novidades na indústria de jogos. Está no Facebook e no Twitter.

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