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O genêro de plataforma 2D está morto? Não com a genialidade de Rayman Legends (PS3)

Talvez os jogos de plataforma sejam o gênero mais icônico do universo dos games, e a Ubisfot tem a honra de nos trazer a mais brilhante r... (por Rafael Neves em 18/12/2013, via PlayStation Blast)


Talvez os jogos de plataforma sejam o gênero mais icônico do universo dos games, e a Ubisfot tem a honra de nos trazer a mais brilhante releitura recente deste nicho. Rayman Legends evolui ainda mais em relação ao seu já genial antecessor, Rayman Origins, e nos mostra o quanto “andar para a direita até o fim da fase” pode ser uma das experiências mais vibrantes do PS3. Direção de arte impecável, genialidade transbordando em casa fase e conteúdo de sobra são alguns dos elementos que fazem de Legends um motivo para não abandonar o PS3 ainda.


Salvando um mundo maluco

Se os elogios que já tecemos ainda não são o bastante para fazer Rayman se lançar nessa aventura, ainda há mais um pretexto: o enredo. Bom, isso se Ray e seus amigos Globox e os Teensies conseguirem acordar do sono de cem anos que resultou em um mundo de cabeça para baixo. Nesse século de soneca, as forças do mal fizeram a festa e aprisionaram as princesas da região. O companheiro Murfy é quem acorda a turma de heróis para livrarem o mundo dessa ameaça.

Ao resgate, pessoal!
O enredo não é lá tão complexo, embora seja mais engenhoso do que “a princesa foi sequestrada, encanador, então vá salvá-la”. Ainda assim, ele nos apresenta o mundo completamente pirado de Rayman, assim como seus personagens carismáticos. Há um bom número de personagens para se escolher, embora a maioria seja variações dos quatro principais. Graças a isso, temos bastante variedade para o modo multiplayer, que, infelizmente, não tem conexão online.

À direita e além

Como já dito, Rayman Legens é essencialmente um jogo de plataforma: corra para a direita até o fim da fase, ultrapassando desafios que envolvem saltos precisos e derrotar inimigos. No entanto, a genialidade do estúdio Ubisoft Montpellier aflora em cada mínimo aspecto dessa fórmula. Cada fase apresenta um desafio singular, que vai progredindo em questão de dificuldade com o decorrer do estágio. Por conta disso, alguns estágios chegam a ser bem grandes. Percorrer os menus do jogo e entrar nos quadros para acessar as fases é sempre uma chance de encontrar uma diversão única e inesperada.
Há fases cujo foco é derrotar inimigos, outras que envolvem mais exploração, tem aquelas que requerem alta velocidade, uns vão exigir domínio da técnica de flutuar no ar, há os que transformam o jogo num verdadeiro shooter e tem também épicas batalhas contra chefes gigantes. A direção do jogo é totalmente ousada, sem medo nenhum de testar desafios totalmente diferentes dos da fase anterior. Mas o destaque de Legends fica para as fases ultrapassadas em conjunto com Murfy. A fadinha verde sorridente pode interagir com elementos do cenário movendo plataformas, construindo caminhos e fazendo cócegas nos inimigos.
Tudo isso é acionado pelo botão quadrado, o que é uma perda em relação à versão de Wii U (console para o qual Legends foi originalmente pensado). No Wii U, Murfy é controlado pela tela de toque de maneira muito mais criativa do que usando apenas um botão do DualShock. Mesmo que funcione bem no PS3, tira um pouco do charme da utilização dessa funcionalidade. Em alguns momentos, você vai preferir que as fases não utilizem o Murfy, o que pode ser um problema, já que ele acompanha grande parte dos estágios. O PS Vita até dá uma melhora neste aspecto, mas é pedir demais ter amba as plataformas. Na verdade, os menus do jogo e o local central em que se seleciona o estágio e se realiza algumas outras funcionalidades do jogo foram nitidamente feitas pensando em uma segunda tela.


O multiplayer de Origins retorna em Legends com muita loucura e boas risadas com os amigos. É inviável conseguir grandes escores e encontrar todos os segredos das fases com a jogatina caótica para quatro jogadores, no entanto, o jogo pode ser perfeitamente jogado tanto sozinho quanto em grupo. E, no geral, a jogabilidade funciona super bem. Os controles respodem rapidamente e acaba sendo divertido testar as acrobacias de Rayman e sua turma. Mas, com alguns movimentos mais complexos em momentos mais críticos da aventura, é fácil se atrapalhar. Falo de manobras como o wall jump e os golpes do ar, que podem ser caóticos ao ponto de lhe custar mortes desnecessárias.

Lindo, lindo, lindo

Rayman Origins já havia apresentado uma verdadeira obra de arte em duas dimensões, e Legends segue a tradição mostrando que visuais 2D continuam a ser, sim, uma coisa linda de se ver em alta definição. Não apenas do ponto de vista técnico, mas a direção de arte de Legends é igualmente estupenda. Os cenários são bem arquitetados, os personagens e inimigos têm um design criativo, os efeitos de luz impressionam, as animações super fluidas, os cenário variados e detalhados, e tudo é embalado com um estilo de arte que mais parece pinturas feitas à mão. Existem alguns elementos em três dimensões no jogo (como, por exemplo, os chefes) que também são bem feitos. É tudo simplesmente lindo.

O estilo "desenho animado" de Rayman Origins deu lugar a um traço que
 lembra pintura a óleo em Legends. Qual você prefere: ambos ou os dois?

A trilha sonora também merece todos os elogios. Há grandes canções orquestradas que tornam até a mais simples das fases uma aventura épica. Efeitos sonoros também dão um charme a mais, como os loucos gritos dos inimigos. O ápice da participação da trilha sonora na qualidade de Legends são os estágios rítmicos. Sim, grandes músicas como Eye Of The Tiger (da banda Survivor) e Antisocial by Trust (do grupo Dragon Slayer) ganham estágios que seguem suas melodias. Viciantes ao extremo.

Rayman está de volta outra vez

A Ubisoft vem sendo criticada pelos seus “jogos anuais”, especialmente por Assassin’s Creed. Seria natural, portanto, que olhássemos torto para um novo Rayman após o ainda recente lançamento de Origins. No entanto, Legends não depeciona em matéria de criatividade. Não se trata de uma expansão de Origins, mas, sim, de uma aventura genial e original. Na verdade, talvez seja o contrário: Origins é que a expensão de Legends, pois muitos dos estágios do reboot de 2011 estão presentes como conteúdo extra de Legends. É como comprar um jogo e receber quase que dois.

Na verdade, há muitos extras em Legends. É possível coletar modelos dos inimigos, liberar desafios a mais e algumas outras surpresinhas bem interessantes que os aventureiros que chegarem ao fim do jogo terão o prazer de saber. E é altamente recomendado que você não só jogue Legends, mas vá até o fim dele, pois cada segundo investido nessa aventura vale muito a pena. É uma jornada muito divertida, inspirada, linda e que deixará muitas saudades. Rayman, quando você volta?

Prós

  • Fases criativas e originais deixam a aventura sempre divertida;
  • Multiplayer com diversas opções de personagens;
  • Visuais estonteantes impressionam do início ao fim do jogo;
  • Trilha sonora merece grandes elogios;
  • Conteúdo vasto e diverso - especialmente os estágios de Origins incluídos.

Contras

  • Uso do Murfy e outras funcionalidades não é tão interessante quanto no Wii U;
  • Vez ou outra, acrobacias e saltos mais complexos podem ser frustrantes.
Rayman Legends - PlayStation 3 - 9.5

Revisão: Vitor Tibério
Capa: Douglas Fernandes
Rafael Neves é estudante de psicologia na UFBA e planeja ingressar no mundo da literatura como escritor. A paixão por videogames e a vontade de escrever unem-se na experiência como jornalista do ramo. Também trabalha em sua HQ virtual. Encontre-o no Facebook.

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