Jogamos

Encarne o Cabeça-de-Teia e salve Manhattan das mãos da Oscorp em The Amazing Spider-Man (PSVita)

Mais de um ano após o lançamento de The Amazing Spider-Man para consoles de mesa, a Activision finalmente liberou um port do título para... (por Rodrigo Estevam em 14/01/2014, via PlayStation Blast)

Mais de um ano após o lançamento de The Amazing Spider-Man para consoles de mesa, a Activision finalmente liberou um port do título para o PlayStation Vita. Depois de tantas adaptações terríveis, a impressão que temos é de que existe uma regra que diz que jogos baseados em filmes obrigatoriamente precisam ser péssimos. Se a coisa realmente fosse assim, em vez de uma análise eu estaria escrevendo agora um Blast from the Trash. Mas, felizmente, The Amazing Spider-Man mostra que, se bem feito, um jogo pode muito bem adaptar um universo cinematográfico com qualidade.

Desenvolvido pela galera da Beenox, responsável pelas versões para consoles de mesa dos excelentes Spider-Man: Shattered Dimensions e Spider-Man: Edge of Time, o jogo tira proveito da experiência que a equipe adquiriu com o personagem. Toda a movimentação do Cabeça-de-Teia é bem fluida e natural, desde o ato de correr até sair trocando sopapos com os inimigos. É perceptível que o pessoal da Beenox se sentiu em casa durante o desenvolvimento do jogo.


Os eventos acompanhados em The Amazing Spider-Man se passam pouco tempo depois do reboot da série dos cinemas pelas mãos do diretor Mark Webb. Gwen Stacy ainda trabalha na Oscorp, dessa vez auxiliando o cientista Alistair Smythe, que pretende continuar as pesquisas do Dr. Curt Connors sobre o cruzamento de espécies, dessa vez com o auxílio de nanotecnologia. A senhorita Stacy decide levar nosso querido amigo Peter Parker para dar uma volta na Oscorp e, como era de se esperar, problemas acontecem. Os espécimes ficam cada vez mais agitados e logo conseguem se libertar de suas celas, atacam os funcionários da Oscorp e, de quebra, acabam infectando boa parte do pessoal com um vírus que causa mutações. Logo o vírus se espalha por toda a Manhattan e, a partir daí, começa a ação.

Dificuldades de percurso

The Amazing Spider-Man facilmente figura entre os títulos mais divertidos do Vita, mas isso não o isenta de apresentar alguns problemas. Para começar, o jogo sofreu uma queda perceptível na qualidade dos gráficos. Em um primeiro momento, quem jogou a versão para PS3, por exemplo, vai estranhar o visual. Com alguns minutos de jogo, porém, você acaba se acostumando e curtindo toda a liberdade da jogabilidade, que também está presente nessa versão do jogo. Isso aí, temos a imensa ilha de Manhattan totalmente disponível para exploração, exatamente como na versão original.


Além disso, em alguns momentos o jogo sofre com quedas perceptíveis e incômodas na taxa de quadros por segundo (a famosa framerate). Esse problema se agrava quando há muitos elementos na tela, como grandes grupos de inimigos ou algum adversário de proporções avantajadas, mas também acontece com alguma frequência mesmo quando se balançando pelos prédios da cidade (ainda que a qualidade gráfica dos edifícios esteja muito abaixo da qualidade gráfica geral do jogo). Isso pode atrapalhar bastante durante alguns combates ou mesmo durante uma casual “caça” às páginas de quadrinhos espalhadas por todo o jogo.


O pior problema que encarei no jogo, porém, foi outro: em mais de uma ocasião o jogo simplesmente travou, precisando ser reiniciado pelo Vita. Não foi o console quem travou, foi apenas o jogo. Isso jamais havia acontecido comigo, e até pesquisar sobre isso na internet estava achando que o problema poderia ser com o meu aparelho. Mas não, é um problema frequente no jogo mesmo. Pelo menos o título conta com salvamento automático, o que impede que muito progresso seja perdido em casos de “crash”.

Go, Spidey, go!

Apesar dos problemas listados, The Amazing Spider-Man é um título e tanto. Como alguém que cresceu lendo as HQs do Homem-Aranha, jogou diversos jogos do herói, vibrou com os dois primeiros filmes do Raimi e se decepcionou com o terceiro, que curtiu e aprovou o reboot da franquia com Andrew Garfield no papel principal e espera ansiosamente pela sua continuação, devo dizer que The Amazing Spider-Man é um dos melhor títulos do personagem. A liberdade de exploração do mundo aberto criado à imagem da ilha de Manhattan, a possibilidade de salvar cidadãos indefesos de bandidos e malfeitores em becos e lugares desertos, além de poder ajudar a polícia em caçadas a carros de bandidos e em missões de resgate, por si só, já valem o tempo e o dinheiro gastos na cópia do jogo.


Outro ponto positivo é o fato de o jogo não ser uma adaptação do primeiro filme da nova franquia do Aranha, mas sim uma continuação. O universo é o mesmo: os personagens têm um visual bem parecido com o visto nas telonas e a trama segue o mote criado no longa de Mark Webb, com os poderes do herói provindos de experiências com o cruzamento de espécies. Dessa forma, a equipe de desenvolvimento teve muito mais liberdade criativa, podendo montar uma história do zero, mas aproveitando o legado construído no reboot cinematográfico.

O jogo ainda conta com diversas sidequests onde é preciso descolar algumas fotos para a repórter Whitney Chang, que publica reportagens investigativas no jornal do Channel 3. Alguns pedidos da jornalista são simples, como fotografar pessoas na rua ou encontrar pistas em alguma cena de crime, mas outras exigem que o Cabeça-de-Teia invada laboratórios e depósitos da Oscorp para conseguir pistas ou provas para algumas investigações. São missões divertidas de se fazer, e que de forma alguma parecem quebrar o ritmo da história (já que são interligadas à trama, com a busca para desmascarar a empresa de Norman Osborn).


Uma infinidade de colecionáveis também estão disponívels, como arquivos secretos de áudio e 700 páginas de histórias em quadrinhos. Coletar todos os itens e completar missões rendem o desbloqueio de novos uiniformes para o Aranha, que em nada mudam a jogabilidade… mas, convenhamos, é legal pra caramba poder jogar como o Aranha Escarlate ou com o uniforme negro, por exemplo.


Mesmo que apresentando alguns problemas complicados, como o travamento que obriga a reiniciar o jogo, The Amazing Spider-Man soma mais prós do que contras no PS Vita. É um título de diversão garantida, mesmo com a framerate caindo vez ou outra. O ótimo trabalho de dublagem, somado à boa história e a uma jogabilidade que aposta pesado na liberdade de movimentação, fazem com que o jogo se destaque e tenha seu lugar garantido entre os títulos mais legais do portátil da Sony.

Prós

  • História interessante, que segue a trama do primeiro filme de Mark Webb;
  • Controles responsivos e sem a necessidade do uso da tela de toque;
  • A ilha de Manhattan disponível para exploração;
  • As piadas divertidas e afiadas do Cabeça-de-Teia;
  • Dublagem de alta qualidade, que conta com nomes como Nolan North, Bruce Campbell e até mesmo Stan Lee!

Contras

  • Constantes quedas na taxa de quadros por segundo;
  • Por vezes o jogo trava sem motivo aparente e é automaticamente fechado pelo Vita;
  • Gráficos muito abaixo dos vistos no PS3 (e até mesmo em diversos outros jogos do PS Vita).
The Amazing Spider-Man - PS Vita - Nota 7.5
Revisão: José Carlos Alves
Capa: Douglas Fernandes
Rodrigo Estevam é formado em Administração, mas seu negócio mesmo é jogar videogames. Além de escrever no PlayStation Blast, também é colaborador e colunista da Revista Nintendo World. Está no Facebook e no Twitter.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook