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Análise: Busque uma cura para seu pai em Brothers: A Tale of Two Sons, uma das mais belas jornadas do PS3

Até o mês passado eu nunca tinha ouvido falar de Brothers: A Tale of Two Sons. O jogo de aventura desenvolvido pela Starbreeze Studios,... (por Gabriel Vlatkovic em 09/02/2014, via PlayStation Blast)


Até o mês passado eu nunca tinha ouvido falar de Brothers: A Tale of Two Sons. O jogo de aventura desenvolvido pela Starbreeze Studios, produtora responsável por The Darkness (Multi) e pela franquia Riddick, tem toda aquela pinta de jogo indie simples e tocante. E é justamente isso que o torna tão mágico e encantador. Com um enredo emocionante, cenas cativantes e dois protagonistas muito carismáticos, o título conseguiu me ganhar facilmente e se tornou uma experiência quase tão marcante quanto Journey (PS3).


A saga de dois irmãos

Brothers conta a história de Naiee e Nyaa, dois irmãos que se veem em uma situação bastante ingrata: eles precisam urgentemente salvar o seu pai de uma doença que está matando-o. O médico do vilarejo em que os dois vivem diz que, para que o homem possa sobreviver, é necessário que os irmãos busquem um pouco da água de uma fonte oculta no interior de uma árvore sagrada, chamada de Árvore da Vida (Tree of Life), que está situada há muitos quilômetros de distância da cidade. Desesperados, e já órfãos de mãe, os garotos decidem partir em uma jornada em busca da Árvore da Vida, sem imaginar os perigos que viveriam ao longo dessa aventura.

Os dois irmãos farão de tudo para salvar a vida de seu pai
Apesar de simples, o enredo de Brothers triunfa por meio do carisma dos personagens e do mundo do jogo, que, aliás, parece ter sido inspirado nos mais belos ambientes dos maiores clássicos da Disney. Florestas, vilarejos e cavernas fazem parte dos cenários atravessados pelos garotos durante essa jornada, que não dura mais que cinco horas. É possível interagir com quase tudo o que os irmãos encontram pelo caminho, desde pessoas até objetos inanimados. O jogo não possui combates - exceto por duas batalhas contra chefes, que são simples e divertidas – o que faz com que a exploração seja o foco. Os garotos devem resolver diversos quebra-cabeças e enfrentar vários ambientes hostis para chegarem ao seu destino.

Problemas familiares

A interface de Brothers utiliza-se basicamente de quatro botões: as duas alavancas analógicas e os gatilhos L2 e R2. Cada alavanca controla um dos irmãos, que podem ser movimentados simultaneamente, enquanto que os gatilhos são botões de ação específicos para cada um dos dois personagens. Apesar de parecer simples, controlar os dois garotos ao mesmo tempo não é uma das tarefas mais fáceis e exige muita coordenação dos jogadores, que vão se confundir vez ou outra durante a aventura. Apesar disso, o jogo ainda diverte muito, o que deixa os problemas em segundo plano.

O jogador é colocado nas mais diversas situações!
A parte mais interessante da jogabilidade de Brothers é a interação de cada um dos irmãos com o ambiente, pois é algo que revela bastante sobre a personalidade de cada um. Enquanto Naiee, o irmão mais novo, é inconsequente, arteiro e medroso, Nyaa, que já é quase um adulto, é mais contido e corajoso, e está disposto a proteger seu irmão a todo custo. Interagir com os NPCs do jogo é uma das coisas mais legais de toda a aventura, já que nunca esperamos como cada irmão vai se comportar diante das situações. Naiee gosta de dar sustos em pessoas, de chutar traseiros e até mesmo de cantar e dançar, enquanto que Nyaa está mais interessado em encontrar a cura para seu pai, sem muitas delongas. Contudo, em certos momentos, a inocência do irmão mais novo é uma arma poderosa para se conquistar aliados durante a aventura, o que nos faz perceber que ambos são indispensáveis para o sucesso da jornada.

Infelizmente, controlar os personagens não é tão fácil
O jogo ainda conta com muitos quebra-cabeças e passagens de plataforma, o que é muito bem vindo e serve para ditar o ritmo perfeito do gameplay, que nunca cansa o jogador ou se torna repetitivo. Os ambientes também mudam a todo momento, e dão ao título uma variedade ímpar. Cada localidade possui características próprias, tanto de ambientação quanto de jogabilidade, fazendo com que o jogador nunca se sinta como se estivesse fazendo a mesma coisa há horas, mesmo que esteja.

Encantador ao extremo

Logo nos primeiros minutos de jogo já é possível notar todo o esmero da desenvolvedora no processo de criação de Brothers. Seus gráficos são artisticamente lindos e seus personagens são todos muito carismáticos, o que faz com que o jogador crie laços não apenas com os protagonistas, mas com todo o ambiente do jogo, que é imersivo, belo e agradável. Os personagens não possuem dublagem em todas as suas falas e tampouco falam em inglês. Todas as falas dubladas se limitam a sons aleatórios, gritos e aos próprios nomes dos protagonistas, o que mostra que nem sempre vozes são necessárias para aumentar o potencial de imersão dos jogos. O suave desenrolar do enredo faz com que o jogador se sinta cada vez mais ligado a Naiee e Nyaa. Em decorrência disso, o final da aventura faz com que os jogadores se sintam tocados e emocionados com tudo que presenciaram ao longo da jornada dos dois irmãos.

Brothers conta com diversos momentos emocionantes

Clássico instantâneo

Apesar dos problemas com os controles, tudo se torna tolerável frente a um jogo tão belo e emocionante. Contando com personagens extremamente carismáticos, um mundo de jogo crível e agradável, e com uma jornada das mais inesquecíveis, Brothers: A Tale of Two Sons é uma das mais cativantes aventuras já lançadas para PS3, capaz de emocionar até os marmanjos aficionados por Call of Duty e outros jogos ditos "adultos". Para os fãs de jogos introspectivos como Journey e Flower, Brothers é um título obrigatório. Ao restante das pessoas, peço que deem uma chance a este jogo, pois não sabem o que estão perdendo.

Prós

  • Mundo cativante e encantador;
  • Personagens carismáticos;
  • Jogabilidade variada;
  • Enredo emocionante;
  • Final maravilhoso.

Contras

  • O controle dos irmãos é confuso


Brothers: A Tale of Two Sons – PlayStation 3 – Nota: 9.5

Revisão: Samuel Coelho
Capa: Felipe Araújo
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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