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Análise: Strider é pura ação no PlayStation 3

O reboot desenvolvido pela Double Helix faz bonito no console da Sony!


Há pouco mais de 25 anos os arcades eram muito populares entre os jogadores; e a Nintendo estava prestes a salvar a indústria de jogos da total ruína derivada do crash dos videogames. Naquela época as coisas eram bem diferentes: os jogos, simples e desafiadores, prezavam pela habilidade de cada um, o que era representado pelos placares, ferozmente disputados pelos jogadores. Dentre Zeldas, Double Dragons e Super Marios estava Strider: um jogo de ação, desenvolvido pela Capcom, no qual um habilidoso ninja deveria derrotar hordas de inimigos para chegar a um grande vilão e dar cabo de seus planos diabólicos. A franquia, que foi iniciada nos arcades, chegou ao Nintendinho com mais elementos de exploração. Mas apesar do sucesso, ficou perdida no tempo.


Ressurgindo das cinzas

Apesar do esquecimento da franquia em si, os jogadores nunca se esqueceram do legado de Strider Hiryu, protagonista da série. Isso se refletiu na participação do personagem na franquia Marvel Vs Capcom, em que Strider é um dos lutadores mais populares, com seu estilo rápido e seus golpes brutais. Para os que até então não conheciam o personagem, a franquia de luta serviu para preparar terreno para o retorno triunfal de Hiryu, que, após muitos pedidos dos jogadores no fórum da desenvolvedora, finalmente está voltando aos videogames com um jogo próprio e cheio de estilo.

Hiryu retorna em toda sua glória bidimensional!
Desenvolvido pela Double Helix, responsável pelo retorno de Killer Instinct, uma clássica franquia de luta dos tempos áureos do Super Nintendo, Strider é um reboot da série original, que aproveita o enredo do título de arcade e incorpora os elementos de exploração introduzidos nos jogos lançados para Nintendinho. E o resultado não poderia ter sido melhor!

Um autêntico jogo old-school

Strider transmite nostalgia por todos os lados. Seu enredo não possui grandes reviravoltas, então não espere se emocionar ou ficar chocado com alguma grande revelação. No papel de Strider Hiryu, o melhor ninja da organização Strider, você deverá percorrer toda a cidade de Kazakh para derrotar o gênio do crime, Grandmaster Meio. Armado apenas com a Cypher, sua fiel espada, o ninja deverá enfrentar hordas de inimigos para concluir sua missão.

O ninja deverá enfrentar hordas de inimigos!
É claro que a tarefa não é das mais fáceis, e o jogo oferece um grande nível de desafio até nas suas dificuldades mais baixas. Em sua jornada, Hiryu encontrará os mais diversos tipos de inimigos, que estarão dispostos a pará-lo de qualquer maneira. Entre os inimigos estão: ninjas, robôs gigantes, metralhadoras giratórias e outras surpresas, que farão com que o jogador tenha que suar para conseguir completar a aventura, que dura cerca de oito horas

Metroid encontra Contra

Além de por sua ação desenfreada, Strider chama a atenção imediatamente pelo seu design de fases, que estimula a exploração no melhor estilo dos jogos da série Metroid. Dividido entre áreas da cidade, o mapa do jogo é cheio de segredos e power-ups escondidos por vários de seus becos, o que faz com que o jogador deseje explorar todo o território para que Hiryu fique cada vez mais forte. Além disso, e até por conta disso, o backtracking é muito presente no título, já que, conforme se avança, novas habilidades são aprendidas possibilitando que novos locais sejam visitados. É um título fortemente baseado na escola Metroid de game design, mas com ação e dificuldade dignas da série Contra.

Não se engane pelo tamanho, este inimigo é um dos mais irritantes do jogo
As batalhas contra chefes são tão desafiadoras que fizeram com que surgissem bolhas em meus dedos, coisa que não vejo acontecer há muitos anos, dado o ritmo menos frenético dos jogos atuais. Alguns deles são colossais e requerem métodos bem específicos de estratégias para serem derrotados. Contudo o maior desafio está nas lutas contra os vilões menores, que fazem com que o jogador precise esmagar os botões do controle para atacá-los e que exigem dele uma precisão milimétrica na hora de se esquivar. O desafio resulta em uma enorme sensação de conquista e faz com que qualquer um se sinta recompensado, não pelo troféu recebido ao final da batalha, mas pelo grande desafio superado, algo que os jogos atuais carecem bastante.

Os chefes são bastante desafiadores!
O único defeito do jogo surge em decorrência do direcionamento que é dado ao jogador o tempo todo. Apesar de o título ser aberto à exploração de cenários, o mapa, que fica no canto superior direito da tela, aponta, o tempo todo, para onde devemos ir, o que acaba restringindo os impulsos dos jogadores de tentar descobrir coisas novas, ainda mais nos casos em que ele desejam apenas concluir o jogo, sem apreciar tudo o que ele pode oferecer.

Um convite à era de ouro!

Apesar de simples, o visual de Strider é muito belo e captura com perfeição a essência da antiga franquia da Capcom. Os cenários, bastante industriais, transmitem um clima pesado ao jogo, cuja cidade se encontra dominada por máquinas prontas para partir com tudo para cima de Hiryu. A trilha sonora tem aquele clima de side-scrollers da era 16-bit, misturando batidas eletrônicas com rock um pouco pesado. A qualidade das composições também lembra bastante o que ouvíamos nas trilhas da era de ouro dos videogames. Tais músicas soam como uma homenagem, parecida com a que foi feita pela Capcom para o lançamento de Megaman 9 e 10 (Multi), e não como algo feito sem capricho como o que podemos encontrar em Double Dragon Neon (Multi). Se comparada à versão lançada para o PlayStation 4, Strider no PS3 não faz feio, já que perde notavelmente apenas na resolução - 720p contra os 1080p do console mais novo. Testamos a versão demo do título para PS4 e, apesar de um pouco mais suave, ela não faz nada que o PS3 não seja capaz de fazer.

Apesar do visual simples, o jogo é muito estiloso!

Retorno triunfal

Strider marca o retorno de uma franquia deixada no passado, e realiza essa façanha com maestria. A Double Helix, que já tinha provado sua competência em reimaginar clássicos do passado, por meio do lançamento de Killer Instinct (XBO), acabar de fazer isso mais uma vez, nos entregando um jogo consistente, nostálgico e muito divertido. Com um alto nível de exploração, combates alucinantes e um level design invejável, Strider entra para o rol de grandes reboots da indústria dos videogames.

Prós

  • Jogabilidade incrível;
  • Nostálgico e, ainda assim, cheio de novidades;
  • Desafiador sem ser frustrante;
  • Level design excelente;
  • Gráficos belos e composições empolgantes.

Contras

  • Mapa revelando direções para onde o jogador deve ir remove parte da graça de explorar.

Strider – PlayStation 3 – Nota 9.0
Revisão: Samuel Coelho
Capa: Felipe Araújo 
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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