Jogamos

Análise: Mercenary Kings (PS4) faz uma linda homenagem a Metal Slug

O título da Tribute Games pega tudo o que deu certo na mega franquia da SNK e traz diversas novidades à fórmula!


Metal Slug foi um dos maiores sucessos da década de 1990. O shooter side-scrolling da SNK fez sucesso por sua ação empolgante e desenfreada que se desenrolava por meio de controles acessíveis para todo o tipo de jogador. Grande hit dos arcades, a série logo passou a fazer sucesso também nos consoles de mesa como o Neo Geo e o PlayStation, sendo que o Wii foi o último console a receber um título inédito da franquia, o divertido Metal Slug 7. Apesar de todo o legado deixado pela série, o gênero foi deixado de lado em prol de jogos mais modernos e tridimensionais, o que deixou jogadores das antigas com saudade da época em que jogos mais simples, mas muito divertidos se sobressaiam na indústria. Com a proposta de trazer o estilo para os dias de hoje, a Tribute Games produziu Mercenary Kings, jogo de ação com o espirito de Metal Slug mas com as tendências atuais do mercado.


Quando o enredo nem era tão importante assim

Os jogos da era 16-bit não precisavam de um enredo complexo para fazerem sucesso. Com exceção dos gêneros nos quais toda a jogabilidade depende do desenvolvimento de um enredo, como no caso dos RPGs, poucos jogos possuíam mais do que uma pequena situação de plano de fundo para justificar o título como um todo. Mercenary Kings bebe dessa fonte retrô e possui um enredo muito simples, que pouco serve de estímulo para seguir a aventura. No controle de um mercenário pertencente à facção que dá nome ao jogo, você deverá cumprir uma série de missões para dar cabo aos planos do CLAW, um grupo barra pesada que fica causando problemas em diversas regiões do mundo.



Contando com uma equipe talentosa e carismática, o jogador deverá enfrentar missões de resgate, de coleta de materiais e até mesmo de eliminação de terroristas; isso enquanto melhora seu arsenal, conquista novos equipamentos e até mesmo melhora os atributos básicos de seu personagem. E não pense que tudo isso serve apenas para aumentar o tempo de jogo. Essas melhorias são fundamentais para se concluir a campanha do jogo, que dura cerca de 20 horas, um número surpreendente se considerarmos que estamos falando de um jogo de tiro bidimensional aos moldes de Metal Slug, título este que pode ser terminado em pouquíssimas horas de jogo.



A única crítica negativa real se liga diretamente ao enredo, que é irrelevante, mesmo que esta não tenha sido a intenção da desenvolvedora. Ao iniciar as missões, o jogador assiste a diálogos pelos quais não se importa e que acabam sendo apenas um obstáculo chato para a ação. Se a Tribute Games desejava realmente que os jogadores se importassem com o background das missões do grupo de mercenários, então este deveria ter sido melhor desenvolvido.

O soldado perfeito

Como dito, em Mercenary Kings as melhorias de equipamento são essenciais e, para estruturar isso, o jogo conta com um sistema de loot que é muito parecido com aquele que estamos acostumados a encontrar em títulos como Monster Hunter (Multi) e em grande parte dos RPGs, principalmente os ocidentais. Durante as missões, é possível coletar quase qualquer coisa que for encontrada pelo caminho, de pedaços de madeira até frutas. E todos estes itens terão algumas utilidade quando o jogador retornar até a sua base.



Povoada por diversos NPCs, a base serve como hub para embarcar em uma nova missão ou para trabalhar na evolução de seu personagem. Cada um dos habitante desta base é responsável por algum tipo de melhoria, seja de seu arsenal, habilidades ou atributos, e tudo o que é coletado nas missões ajuda a tornar o seu mercenário mais forte. Tais melhorias são essenciais na medida em que o desafio do jogo é crescente e exige que o jogador seja cada vez mais forte e habilidoso para superá-las.



E aí está outro ponto de destaque do título: apesar de muitos pensarem que Mercenary Kings tem uma aventura linear como a de Metal Slug, o jogo permite maior flexibilidade. Contando com cerca de 100 missões diferentes, o game permite que o jogador acessá-as na ordem que desejar para ele analisar se já se sente preparado para completá-las, o que faz lembrar os RPGs em que o jogador deve realizar quests da maneira que mais lhe agradar. A não-linearidade do jogo faz com que a experiência seja mais única para cada um, já que nos sentimos a vontade para fazer tudo da forma que acharmos mais divertida, mesmo que todos os caminhos nos levem para o mesmo encerramento que qualquer outro jogador que terminar o título verá.

No controle da ação

Mercenary Kings possui controles precisos, mas um pouco difíceis de serem dominados no início. Apesar de lembrar muito Metal Slug e Contra (NES), as armas devem ser recarregadas e é necessário que o jogador saiba lidar com isso em situações mais tensas. Diferentemente de Metal Slug, não é possível sair atirando desenfreadamente e esperar que isso lhe dê uma vitória fácil, já que os inimigos virão de todos os lados que eles e são inteligentes o bastante para derrotá-lo. Além disso, nem sempre as missões consistem em ir de um ponto até outro do mapa. Por vezes o jogador terá de localizar e libertar prisioneiros, que podem estar em qualquer lugar, o que pode fazer com que ele tenha que revisitar o mesmo local várias vezes.



Depois de dominados, os controles de Mercenary Kings se mostram extremamente intuitivos e precisos, permitindo que você se sinta mais letal que o Rambo em pessoa. Em momentos mais avançados do jogo, tudo se torna ainda mais legal graças ao aumento de seu arsenal e do seu leque de habilidades, que lhe concedem novas e divertidas formas de matar seus inimigos e diferentes maneiras de se completar as missões do jogo.

Um toque de modernidade

Apesar de toda a temática e jogabilidade retrô, Kings conta com leaderboards e com um modo cooperativo, seja offline, em tela dividida, ou online. Infelizmente, com a tela dividida do modo offline o campo de visão dos jogadores fica bastante limitado. Sendo assim, a melhor forma de tirar proveito do modo cooperativo, pelo menos tecnicamente falando, é jogando o título no modo online. Se jogado em multiplayer, a ação desenfreada se torna ainda mais engraçada e divertida, tornando o modo uma grande adição ao jogo, que já é excelente mesmo sendo jogado por apenas um jogador.


Scott Pilgrim encontra Metal Slug

Uma das primeira coisas que chamam a atenção em Mercenary Kings é sua semelhança gráfica com Scott Pilgrim vs. The World (Multi). Com gráficos pixelados e muito coloridos, o jogo segue quase o mesmo estilo artístico do jogo do Scott Pilgrim, exceto pela ambientação, que é bastante divergente. Talvez isso se explique pelo fato de que a Tribute Games, fundada em 2011, é formada por ex-funcionários da Ubisoft. Esses funcionários, não por mera coincidência, são as mesmas mentes responsáveis pelo jogo de sucesso lançado em meados de 2010.Outro ponto marcante de Scott Pilgrim era sua trilha sonora brutalmente divertida. E a qualidade se repete em Mercenary Kings, de forma ainda mais intensa. Com músicas realmente empolgantes e divertidas, me senti como se estivesse jogando Megaman ou algum outro clássico da era dos side-scrollers dos anos 1990, e isso é espetacular!


Uma viagem para o passado

O PlayStation 4 está tendo seu início de vida marcado por títulos modernos que buscam, de alguma forma, trazer o brilho de grandes clássicos de volta à mente dos jogadores. Mercenary Kings não apenas consegue tal feito como também eleva um gênero amado por todos a um novo patamar. Com uma jogabilidade sólida, uma duração admirável e gráficos e trilha sonora memoráveis, o jogo da Tribute Games se consagra como um dos melhores títulos indies dos já lançados para o novo console da Sony. Por sorte, o jogo está disponível gratuitamente para os que possuem o plano PlayStation Plus até o fim do mês de abril, e se esse é o cartão de visitas da Tribute Games, ela acaba de conseguir um novo fã cativo.

Prós


  • Jogabilidade precisa e divertida;
  • Desafiador e ainda assim acessível;
  • Campanha dura mais de 20 horas;
  • Modo cooperativo diverte muito;
  • Gráficos e trilha sonora caprichados.

  • Contras


  • História pouco elaborada, com cenas desnecessárias;
  • Multiplayer splitscreen confuso;
  • Jogabilidade com alta curva de aprendizado.


  • Mercenary Kings – PlayStation 4 – Nota 9.0
    Revisão: Marcos Silveira
    Capa: Stéfano Genachi
    Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

    Comentários

    Google+
    Disqus
    Facebook