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Análise: Tomb Raider: Definitive Edition (PS4) leva Lara Croft ao seu ápice

A remasterização de um dos melhores jogos do ano passado faz bonito no PlayStation 4!


Há pouco mais de um ano, uma das franquias mais bem-sucedidas da primeira geração tridimensional de consoles recebia um excelente reboot: Tomb Raider (Multi) apresentou uma nova Lara Croft aos jogadores e, de quebra, trouxe uma experiência renovada e adaptada aos jogos de ação atuais sem nunca deixar de lado o impressionante legado deixado pela Eidos em seus tempos de glória na era 32-bit. O novo jogo, desenvolvido pela Crystal Dynamics, mesma produtora dos jogos antigos, misturava elementos de exploração e sobrevivência com o que há de melhor nos títulos de ação atuais e ainda contando com o clima cinematográfico de Uncharted, o que acabou resultando em um dos melhores jogos do ano passado. Um ano depois, com os consoles de nova geração já disponíveis no mercado, os desenvolvedores decidiram dar mais uma chance para que o jogo brilhasse e lançaram Tomb Raider: Definitive Edition, remasterização do sucesso de 2013 com um maior polimento nos gráficos, que já eram incríveis.


Nasce uma aventureira

Tomb Raider conta a história de uma Lara ainda adolescente. Imatura, inocente e extremamente interessada em arqueologia, a garota sai em expedição em busca de pistas da localização de Yamatai, um reino perdido permeado por lendas e histórias sobrenaturais. A garota faz a viagem com sua melhor amiga, Sam, e um grupo de aventureiros estereotipados que não fazem muita diferença ao enredo. Tudo começa quando o navio, Endurance, naufraga após uma terrível tempestade e Lara se vê em um local desconhecido sem fazer a menor ideia do que a espera.

Sem medo do desconhecido, Lara terá que desbravar a misteriosa ilha em que seu navio naufragou
Durante a jornada pela ilha desconhecida, Lara, que nunca matara um homem em sua vida, se vê obrigada a sobreviver nas mais adversas condições e, aos poucos, vai amadurecendo e se tornando a personagem que tanto amamos. Apesar da presença de seus companheiros de expedição, Tomb Raider é uma história completamente focada em Lara e a formação de sua personalidade, então não espere muito aprofundamento no passado e motivações dos outros personagens. Mesmo assim, nada disso é necessário, já que Lara é tão carismática e crível que o elenco de apoio está lá mais para criar situações que dão andamento ao enredo do que para ser parte de algo realmente importante.

Redescobrindo Tomb Raider

Nos anos 1990, Tomb Raider se tornou uma franquia de sucesso mais por seus quebra-cabeças muito bem bolados do que por sua ação. No reboot as coisas mudam um pouco, e o foco na ação é muito maior do que estávamos acostumados. No início da aventura, Lara estará sozinha tentando sobreviver, e isso fará com que a garota tenha que aprender a sobreviver no ambiente hostil em que se encontra. Para isso, Lara utilizará um arco improvisado que encontrará pelo caminho. Contudo, logo a moça conseguirá armas de fogo poderosíssimas e enfrentará um exército para sobreviver.

Assim como na franquia Uncharted, a jornada é cheia de momentos cinematográficos
Apesar de não ser muito coeso, já que no início Lara tem medo de matar até um animal e de uma hora para a outra está gritando palavras de baixo calão enquanto explode uma vila inteira, a mudança de ritmo é bem-vinda e ajuda a diversificar o ritmo da aventura, que dura cerca de doze horas. O foco na ação e o arsenal de Lara tornam as coisas bastante interessantes, já que é possível evoluir os equipamentos com artefatos encontrados pela ilha. O senso de evolução da personagem é bastante notável e traz uma sensação de recompensa aos jogadores.

No começo da aventura, temos uma Lara apvorada que vai amadurecendo com cada novo susto
Mais interessante ainda, é que para conseguir peças que possibilitem as melhorias, é necessário explorar os cenários. E aí entra o ponto em comum entre o reboot e os jogos antigos: as tumbas! Normalmente, Lara pode encontrar itens e relíquias nos arredores dos locais que está explorando no momento, mas cada área do jogo possui uma tumba escondida que oferece tesouros muito valiosos e uma grande quantidade de itens para melhorar os equipamentos. As tumbas, que estão sempre muito bem escondidas nos cenários, deixam de lado o foco na ação e voltam às raízes da franquia com diversos quebra-cabeças inteligentes e extremamente divertidos de serem resolvidos. Apesar de não serem muitas, as tumbas são um ponto alto do jogo, e eu espero que em uma provável sequência o foco nelas seja ainda maior, já que o talento da Crystal Dynamics em criar quebra-cabeças é enorme e merece ter o seu lugar ao sol.

A alta definição da alta definição

Apesar de contar com todos os DLCs e possuir algumas poucas adições na jogabilidade, como os comandos de voz, caso o jogador possua uma câmera para o seu PlayStation 4, a grande estrela dessa remasterização é justamente o polimento gráfico que o jogo recebeu. Com uma Lara remodelada e efeitos de luz impressionantes, o jogo é mais bonito que a versão do ano passado, mas nada que justifique uma nova compra, caso você possua o jogo no PlayStation 3. As texturas também estão mais definidas e os cenários ficaram lindíssimos com os efeitos de nova geração que foram aplicados à aventura.

Quando as versões são colocadas lado a lado, a superioridade da versão de PS4 é evidente
Contudo, a qualidade gráfica do título está longe de ser algo que exceda nossas expectativas quanto ao que esperar da nova geração, já que por mais bonito que seja, o jogo não deixa de ser algo lançado no ano passado para consoles antigos, mas com uma repaginação na iluminação e alguns outros efeitos. A trilha sonora continua épica e imersiva, assim como os efeitos sonoros, que dão o tom assustador e misterioso da ilha em que Lara está presa.

Uma nova velha franquia

Tomb Raider: Definitive Edition é praticamente o mesmo jogo do ano passado. Com poucas adições, o título não é recomendado para quem já cansou de jogar a versão de 2013, mas é um must-buy para qualquer um que não teve a oportunidade. O jogo é um dos melhores de seu gênero e garante horas de diversão para qualquer jogador que curta uma boa aventura. A nova jornada de Lara ainda possui um dispensável modo multiplayer que nada mais é do que um mata-mata com gameplay online que foge completamente da temática proposta pela Crystal Dynamics.


Com uma personagem muito forte, um enredo promissor, infinitas possibilidades de novas histórias e melhorias pontuais de jogabilidade que, apesar de beirar a perfeição sempre pode ter novas mecânicas implementadas, Tomb Raider tem tudo para se tornar, novamente, uma das mais influentes franquias da indústria. Vamos torcer para que a inevitável sequência seja tão incrível quanto o nosso primeiro contato com nossa velha mas repaginada heroína.

Prós

  • Enredo intrigante;
  • Lara é um personagem muito bem construído;
  • Tumbas secretas adicionam muita exploração ao jogo;
  • Ação bem implementada e muito divertida;
  • Gráficos incríveis;
  • Trilha sonora beira a perfeição.

Contras

  • Multiplayer desnecessário;
  • Personagens secundários dispensáveis;
  • Não compensa para os que já possuem a versão de PlayStation 3.
Tomb Raider: Definitive Edition – PlayStation 4 – Nota 9.0
Revisão: Vitor Tibério
Capa: Felipe Araújo 
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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