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Análise: The Amazing Spider-Man 2 traz um Aranha Superior ao PS3

O amigão da vizinhança está de volta para mais uma ótima aventura — sem muita relação com o filme homônimo — nos consoles Sony.

Os últimos anos não têm sido fáceis para Peter Parker: nos quadrinhos, o coitado teve que ver o Doutor Octopus assumir o seu corpo e o papel de Homem-Aranha (e, de quebra, os fãs xingando muito a Marvel no Twitter); no cinema, o reboot protagonizado por Andrew Garfield anda recebendo críticas, na melhor das hipóteses, meio mornas; e, nos games, os fãs não recebem um grande título há tanto tempo que já começamos a duvidar que algum dia veremos o cabeça de teia em sua melhor forma novamente.



Assim, é compreensível que a maioria dos jogadores não estivesse na ponta da cadeira aguardando o lançamento de The Amazing Spider-Man 2, a mais recente empreitada do aracnídeo no PlayStation 3, especialmente levando em conta que o título é mais um produto licenciado planejado para sair junto de um filme (e todos sabemos que isso não costuma render bons frutos). Mas não é que a Beenox conseguiu produzir algo bem divertido?


Com grandes poderes vem… ah, você sabe

Se você assistiu O Espetacular Homem-Aranha 2 nos cinemas e está ansioso para reviver todos os momentos do filme no game… bom, é melhor tirar o seu cavalinho da chuva. Enquanto o primeiro The Amazing Spider-Man ao menos se dava ao trabalho de contar uma história paralela aos acontecimentos do filme que o inspirou, aqui temos uma trama sem pé nem cabeça, totalmente alheia a qualquer aventura que você tenha visto no cinema ou nos quadrinhos.

Alerta de spoiler para quem nunca encostou numa HQ ou abriu uma pesquisa sobre Peter Parker no google: 

Tudo começa quando o tio Ben é assassinado por um ladrão (porque aparentemente a Beenox acha que alguém no mundo ainda não conhece essa história), o que faz seu sobrinho começar a lutar contra o crime e prometer ajudar a todos com seus poderes de aranha.

Além de ignorar a história do filme, o jogo também não conta com as vozes dos atores.

A partir daí, você vai combater quadrilhas e capangas meia-boca em busca do assassino de seu tio, mas não demora nadinha para o jogo perder a noção e começar a misturar vilões famosos na fórmula sem qualquer lógica, explicação ou nexo narrativo. É sério, se você achava que o terceiro filme do amigão da vizinhança foi longe demais ao juntar três vilões, nem queira saber o que rola por aqui…

O mais engraçado é que Electro, o principal vilão do novo filme, acaba fazendo só uma ponta e ficando em tela por pouco mais de dez minutos para uma única luta lá no meio da jogatina. O Rhino sequer aparece, coitado! Enquanto isso, cabe a Kraven, Duende Verde, Gata Negra, Shocker, Rei do Crime e até mesmo ao Carnificina servirem como principais antagonistas da aventura. Para curtir tudo isso, o lance é esfriar a cabeça e não se preocupar muito com o roteiro ou coesão. Mas ei, podia ser pior! Ao menos não tentaram recontar a saga do clone...

Lembra do Kraven no filme? Não? Nem a gente...

Asilo Aranha

Qual é a coisa mais legal sobre ser o Homem-Aranha? Se você respondeu “dar uns pegas na Mary Jane e na Gwen Stacy”, bom, não deixa de estar certo, mas só ganha uma estrelinha no caderno quem disse “balançar com suas teias pelos arranha-céus de Nova Iorque”. Como Spider-Man 2 nos ensinou lá na geração 128 bits, ter um mundo aberto para bancar o super-herói é uma das melhores ideias de design que alguém poderia ter, e The Amazing Spider-Man 2 aprendeu bem essa lição, criando uma ótima réplica da cidade de Nova Iorque para a galera se divertir.

Mas essa não foi a única coisa que o game parece ter absorvido de outros títulos. Como de praxe nos jogos de ação modernos, o sistema de combate foi quase que completamente sugado da série Arkham do Batman. Não que haja algo de errado em copiar uma jogabilidade excelente, certo? Então o esquema aqui é aquele bom e velho combate fluído no qual um botão contra ataca, outro solta um ataque especial, outro utiliza um item, e assim vai.

Depois de tanto sofrer com clones, o cabeça de teia resolveu copiar os controles do jogo do Batman...


Se o combate não mostra nada de novo, ao menos se balançar pela cidade está simplesmente fantástico e estabelece um novo paradigma de qualidade para os controles do amigão da vizinhança: agora as teias do Aranha estão sob total controle do jogador, então o processo de aprendizagem é ao mesmo tempo desafiador e gratificante. Com o botão R2 lançando teias com a mão direita e o L2 ficando responsável pela esquerda, é preciso dominar o ambiente à sua volta e pensar bem antes de lançar suas teias (já que não dá pra se pendurar onde não há prédios, né?).

Herói ou ameaça?


As áreas fechadas agora são
destinadas apenas aos chefões
Quando joguei o primeiro The Amazing Spider-Man, odiei a estrutura dos níveis que se passavam em locais fechados. Era tudo muito confuso e várias vezes me pegava sem saber ao certo onde ir ou o que fazer. Se você também sofreu com isso, vai gostar de saber que agora não rola mais essa confusão: primeiro porque poucas são as fases situadas em ambientes claustrofóbicos, mas principalmente porque todos os níveis estão bem mais curtos, lineares e claros. Praticamente não é preciso fazer backtracking em momento algum, e é tudo bem direto ao ponto, então você não vai mais precisar xingar a mãe dos desenvolvedores a cada cinco minutos.

Para não deixar as coisas muito repetitivas e trazer um pouco de variedade à fórmula, em alguns segmentos é possível tirar o uniforme e entrar na pele do próprio Peter Parker, o que garante uma mudança de ares muito bem-vinda. Seja se infiltrando numa festa da Oscorp para azarar a Felicia e bater um papo de bro com o Harry, ou bisbilhotando a residência do temível caçador Kraven, as fases de Peter são sempre divertidas, criativas e engraçadas, um prato cheio para qualquer fã do cabeça de teia.

"Há quanto tempo, rei do crime! Parece que foi ontem que
nos enfrentamos lá no Mega Drive..."


Outra novidade bem interessante é o sistema de reputação: ajude as pessoas e resolva crimes para realizar “atos heróicos” e ficar com a moral lá em cima, ou ignore os problemas da galera e veja a taxa de criminalidade subir sem parar, o que fará a polícia encará-lo como uma ameaça e atacá-lo. É uma ideia bem simples, divertida e elegante, mas infelizmente ela custa um preço um tanto alto: às vezes você só quer ficar numa boa caçando colecionáveis, mas como não dá para desativar o sistema de reputação, não demora para a criminalidade subir e a polícia começar a atacá-lo com drones e helicópteros. Parece que não dá mesmo para ignorar nossas grandes responsabilidades...

Homem-Aranha Superior

Apesar da aventura principal ser meio curta (mesmo desviando do caminho para cumprir algumas sidequests, fechei o jogo em cerca de cinco horas), pode acreditar que há material suficiente para manter o disco por bastante tempo dentro do seu PlayStation 3. Como no primeiro game, há centenas de páginas de HQs espalhadas por Manhattan, e nem se você tivesse alguns clones circulando pela cidade daria para encontrar todas elas facilmente (hmm, melhor não dar ideias para a Beenox…).

Entre dezenas de fotos que precisam ser batidas para o Clarim Diário, uniformes novos para ser desbloqueados nos esconderijos inimigos e pequenas corridas contra o tempo de um ponto ao outro da cidade, há uma atividade que se destaca acima de todas as demais: de longe, a coisa mais legal do game é visitar a Comic Stand, uma loja de quadrinhos comandada por ninguém menos que o lendário Stan Lee! Extremamente carismático (e com movimentos e trejeitos surpreendente bem capturados), o mito está sempre às ordens para dar alguns conselhos aos jogadores. Excelsior!

Nada como vestir o uniforme clássico... Vá pegá-los, tigrão!


Com tanto material para fazer a alegria dos fãs (sejam eles os velhos leitores de quadrinhos ou a meninada que acabou de descobrir o herói nos cinemas), há motivos de sobra para curtir o que deve ser o último jogo de super-herói da geração. Pegando tudo que seu antecessor tinha de melhor, The Amazing Spider-Man 2 lapida as boas ideias, joga fora as ruins e se consagra como um Aranha que, se ainda não chega a ser espetacular, ao menos já pode ser considerado Superior.

Prós

  • Balançar suas teias pela cidade é incrível;
  • Muitos, muitos colecionáveis e referências aos quadrinhos;
  • Soluciona a maioria dos problemas do primeiro game;
  • Nada de Andrew Garfield em cena.

Contras

  • Sidequests são meio genéricas e repetitivas;
  • História principal é um tanto curta;
  • Alguns problemas nas legendas deixam certas frases incompletas;
  • Nada de Emma Stone em cena.

The Amazing Spider-Man 2 - PS3 - Nota: 8.0
Revisão: Alberto Canen
Capa: Leonardo Correia
Thomas Schulze é formado em Direito, mas passou mais tempo em locadoras do que no fórum. Carioca não praticante, é uma das seis pessoas no mundo que gostaram do final de Lost e Mass Effect 3. Você pode falar sobre o quanto ele está errado no Facebook e Twitter.

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