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Análise: Wolfenstein: The New Order (PS3) nos mostra o mundo dominado pelos nazistas

A Segunda Guerra Mundial não acabou quando deveria. Ao invés disso, trouxe mais caos, com direito até a robôs gigantes e uma viagem à lua.

Lançado inicialmente em 1983 para os consoles da época, Wolfenstein conseguiu obter um enorme sucesso, a ponto de tornar-se uma febre por sua jogabilidade diferenciada, apresentando elementos de furtividade e, do qual é considerado por muitos o fundador, visão em primeira pessoa, ou como conhecemos: o FPS (Tiro em Primeira Pessoa). Os jogos da franquia sempre trouxeram o mesmo protagonista, William Blazkowicz, apelidado apenas de “B.J.”, e mantinham sempre um objetivo como plano de fundo para que o jogador matasse nazistas em meio a um cenário da Segunda Guerra Mundial.


No ano de 2009, a ZeniMax Media, dona da Bethesda Softworks (The Elder Scrolls, Follout), adquiriu a id Software, desenvolvedora de Wolfenstein (1991), Doom e Quake, possuindo assim os direitos sobre todos os jogos da empresa. Com tudo isso anunciado inicialmente para o ano de 2013, posteriormente adiado para este ano (2014), com desenvolvimento pela Machine Games, Wolfenstein finalmente deu as caras de novo, desta vez como uma sequência do jogo lançado em 2009, trazendo agora visuais e ambientações diferentes. Será que o estilo steampunk deu certo com a fórmula clássica do jogo? É o que vamos descobrir.

Conte até quatro, inspire. Conte até quatro, expire

Em 1946, os nazistas começaram a virar o rumo da guerra com uma estranha tecnologia desconhecida, o que lhes permitiu avançar sobre o território europeu. Com isso, B.J., juntamente de algumas tropas restantes nos EUA, foi despachado para uma missão, cujo objetivo era invadir o forte onde se encontrava o cientista Wilhelm Strasse, ou Deathshead, como é chamado pelos americanos, por ser dado dado como o responsável pelo desenvolvimento de toda a estranha tecnologia.
Deathshead (esquerda) ao lado de seu Supersoldaten pessoal.
A missão foi um completo fracasso, resultando na morte de aliados de Blazkowicz e na paralisia do capitão devido a um trauma. Após algum tempo, B.J. foi encontrado e levado a um manicômio, que era supervisionado por nazistas, onde ficou em estado vegetativo por quatorze anos, aos cuidados da família de médicos que lá moravam..

No ano de 1960, o manicômio onde estava Blazkowicz foi fechado pelos nazistas, que logo matam todos os que estiveram lá presentes. Vendo a si e seus cuidadores em apuros, B.J. sai de sua paralisia instantaneamente e, novamente, começa a matar nazistas para libertar a si mesmo e a sua cuidadora. Após escaparem, Blazkowicz recebe a notícia do que ocorreu nos anos que ficou paralisado: os nazistas ganharam e, por esse motivo, conseguiram até hoje controle sobre todo o mundo. B.J. agora inicia uma busca para encontrar a resistência e, juntamente deles, buscar uma solução para acabar com Deathshead e toda a superioridade nazista presente no mundo.
Após sair da cadeira de rodas, Blazkowicz já estava de volta a ação, acabando com os nazistas que apareciam em seu caminho.

Matando nazistas… de novo

The New Order segue o modelo clássico da franquia, ou seja: matar nazistas de várias formas possíveis com a visão do personagem em primeira pessoa (FPS). Uma forma que realmente se assemelhe com os jogos da época, onde tudo ocorria muito rápido e o arsenal do personagem costuma ser “infinito”. Blaskowicz pode andar, correr, nadar, pular, agaixar, deslizar, utilizar paredes e trincheiras como cobertura, destrancar portas com lock pick, executar ataques físicos e usar armas brancas e de fogo, podendo empunhar duas de cada de uma só vez. Os pontos de vida e armadura, munição e objetivos são mostrados na HUD (Head’s up Display) do jogo. Caso o jogador seja atingido por algum tiro e possua pontos de armadura, esses pontos diminuirão. Caso não possua, os pontos de vida vão reduzir, podendo resultar na morte de B.J.. O protagonista também possui aprimoramentos (perks), que podem ser adquiridos pela forma e frequência com que o jogador utiliza as armas e como se joga o jogo. O seja, é um sistema individual para cada arma.
O sistema de aprimoramentos de B.J. para cada arma pode ser adquirido utilizando apeans a arma em questão.
As situações do jogo são muito variadas, contando com as bizarras (e até engraçadas) sessões de esfaqueamento, onde B.J. e o soldado, ou o cão nazista, ficam se esfaqueando até algum dos dois morrer, a possibilidade de utilizar armas fixas (metralhadoras e até mesmo robôs) e um elemento que o jogo traz consigo de modo renovado: o modo stealth.

A furtividade do jogo é realmente muito utilizada, embora isso dependa do jogador. Ou seja, caso deseje agir furtivamente, é possível, caso não, simplesmente saia atirando em tudo o que se move! Entretanto, em alguns trechos isso não será possível, o que forçará o jogador a continuar escondido. Contudo, esse modo possui uma peculiaridade no mínimo estranha: embora a inteligência artificial dos soldados não permita que eles encontrem B.J. tão facilmente, sempre que estiver escondido próximo a algum soldado, este estará olhando para B.J., seguindo todos os seus movimentos, e não percebendo-o, mesmo com os olhos fixados nele.
A furtividade permite que o jogador mate os soldados sem ser percebido.

Nazistas com lasers na lua

Por ser um jogo de guerra, Wolfenstein: The New Order possui um bom arsenal. Embora não seja muito grande, é o suficiente para suprir as necessidades do jogador, contendo metralhadoras, rifles, pistolas e até mesmo armas laser. O fato de poder empunhar duas de uma só vez, dá a ilusão de que o arsenal é maior, mas não é tão grande quanto parece. Todas as armas possuem um modo de tiro secundário, mesmo que este venha como aprimoramento em uma parte mais avançada na história, além de que, a alteração no design destas dentro do intervalo de quatorze anos é realmente muito boa.
As armas lasers possuem um design realmente bonito, além de serem as mais eficientes contra os robôs.
O jogo possui uma ambientação muitíssimo variada, passando por esgotos, ruínas, cidades, como Berlim e Londres, e a própria lua! Tal variação de cenário possibilita várias situações diferentes, como por exemplo, em vários momentos Blazkowicz precisará nadar para realizar algumas missões, ou então invadir laboratórios para resgatar alguém, possibilitanto o modo furtivo. Há também o fato de o cenário possuir várias partes destrutíveis, como paredes e protetores de ferro, o que possibilita a formação de estratégias para apanhar o inimigo.

Eu, me amarro… em robôs nazistas!?

Monitor de Londres
A temática de The New Order, ou seja o steampunk, dá ao jogo inúmeras possibilidades, estas que são muito bem seguidas, principalmente no quesito design de vilões. Além de simples soldados, B.J. também terá de enfrentar cães com armaduras e implantes robóticos, Supersoldaten, soldados com implantes cibernéticos, o que os faz muito semelhantes a robôs, robôs propriamente ditos, drones, os Panzerhund, cães robóticos que geralmente aparecem para dar assustar o jogador (não, eu não estou brincando) e o Monitor de Londres, um robô gigante (SIM, UM ROBÔ GIGANTE) criado para dispersar a multidão londrina e evitar protestos e rebeliões. A alteração do design dos soldados também pode ser facilmente notada e é, de fato, ótima, mesmo que os soldados da base lunar possuam um design muito parecido com os Helghast, da franquia Killzone.

Cada classe de inimigo possui um armamento próprio, que varia de escopetas, metralhadoras à laser e lança-mísseis, a armamentos comuns, como pistolas e metralhadoras. Há também alguns soldados com comunicador, estes que, quando detectam B.J., alertam toda a base, fazendo com que mais e mais soldados apareçam para caçá-lo. Eles só param de vir quando o comunicador morre, o que fazem de trechos melhores para transpassar furtivamente.
Os Supersoldaten são fortemente armados e não podem ser abatidos furtivamente, ou seja, é necessário abater o comuncador antes.
O jogo possui CGs de ótima qualidade, que conseguem dar um ar “antigo” ao jogo. As CGs correm diretamente quando o jogador atinge o ponto de checagem necessário, completando o objetivo dado a ele. Entretanto, o jogo em si roda pelo motor gráfico id Tech 5, que consegue se destacar quando se trata de detalhes de personagens, máquinas, armas, destruição, decaptações e cenários abertos, já que o mesmo não pode ser dito sobre os objetos lá presentes.

Eu já vi isso em algum lugar…

Como já é de praxe em vários jogos pertencentes à franquias clássicas, Easter Eggs e referências são quase obrigatórios. E Wolfenstein: The New Order não é exceção. O jogo possui inúmeras referências a jogos antigos da franquia, como um modo que recria o antigo Wolfenstein 3D, neste caso com B.J. em 3D e os inimigos em 2.5D, a arma laser de Blazkowicz, que se assemelha muito com a clássica BFG, da franquia DOOM, e a própria aparência de B.J. que se mostra muito semelhante ao primeiro jogo, quando seu rosto era mostrado na parte inferior da tela.
Não são idênticos, caro leitor?
Além disso, há também documentos espalhados pelos cenários, estes que quando encontrados liberam uma parte de uma sequência de números. Após descobertos todos os documentos de uma determinada fase, o jogador deve descobrir a sequência necessária para liberar o segredo escondido. Cada sequência libera uma dificuldade nova de jogo, seja uma mais fácil que a disponível no início do jogo, ou uma ainda mais difícil que a dificuldade máxima, na qual o jogador não pode morrer nenhuma vez sequer. Caso o faça, é dado Game Over de imediato.

As máquinas também têm a sua vez

Embora The New Order possua muitos pontos positivos, ele não se livra de suas falhas. Um de seus principais problemas são os longos períodos de carregamento, seja para carregar o jogo em si ou para o personagem renascer, o que chega a conseguir dar nos nervos pelo tamanho do tempo de loading, algo que se torna constante com as mortes seguidas. Outro fator negativo se dá pelo tempo de renderização ser consideravelmente longo, o que faz com que o jogo perca o brilho e que o jogador se confunda no cenário, já que vários itens e relatórios estão espalhados pelos locais. Também há vários momentos durante as cutscenes (CGs) onde o jogo sofre com slowdowns e, consequentemente, com atraso das vozes dos personagens, além do fato de, quando escondido, ser o foco de visão dos inimigos. Em alguns casos mais raros, a Inteligência Artificial dos inimigos pode desligar ou eles podem simplesmente atravessar uma parede para ir ao encontro do jogador.

Este, caro leitor, é um dos bugs que podem ocorrer durante as jogatinas.

A nova ordem se estabelece

Embora não seja perfeito, Wolfenstein: The New Order possui seu brilho e identidade, o que o destaca em meio a vários jogos de um gênero já comum hoje em dia. Com uma história um tanto inusitada, mas muito bem colocada, o game consegue seu ápice no momento certo, acompanhado por sua trilha sonora e ótima dublagem. O efeito nostalgia é continuamente presente, tendo em vista que B.J. pode carregar o arsenal do jogo inteiro consigo, não se limitando ao que o cenário oferece. Isso tudo sem mencionar as inúmeras referências aos antigos jogos da id Software que definiu gêneros, fez e continua fazendo um enorme sucesso, mesmo que agora esteja em outras mãos, que por acaso também se mostram muito capazes.

Prós


  • Narrativa interessante e até cômica;
  • Tempo de jogo na medida certa, sem enrolações na história;
  • Jogabilidade fluída;
  • Identidade clássica da franquia mantida com sucesso, mesmo com nova ambientação;
  • Nova ambientação se encaixa muito bem ao jogo;
  • Várias referências (BFG!).

Contras


  • Longo tempo de carregamento e renderização;
  • Slowdowns durante as cutscenes;
  • Baixo fator replay;
  • Panzerhunden!


Wolfenstein: The New Order - Bethesda Softworks - PS3 - Nota: 7,5
Revisão: Jaime Ninice
Capa: Douglas Fernandes 
Gustavo Dourado é estudante do Ensino Médio e fissurado por tecnologia e games. Adora animações e quadrinhos japoneses, além de filmes de todas as partes do mundo. Ama RPGs, sejam eles de mesa ou digitais e desafia qualquer game que lhe desperta algum interesse.

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