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Análise: Ys: Memories of Celceta (PS Vita) me salvou do tédio muitas vezes

Ys é uma franquia pouco popular por essas bandas, mas tem quase trinta anos. Memories of Celceta é título exclusivo do PS Vita e o melhor até agora.

Quem disse que o PS Vita não tem jogos? Sim, ele tem bons títulos exclusivos, mas é uma verdade que não são jogos para todos os gostos. Diferente de seu antecessor, o PlayStation Portable, a maioria de seus bons títulos são fortes apenas no oriente ou entre os ocidentais que gostam dos jogos mais enraizados na cultura japonesa. Ys: Memories of Celceta não é uma exceção: o título foi lançado no segundo semestre de 2012 e cerca de um ano depois deu as caras pelo ocidente, mas pouco se ouviu falar dele entre os veículos de mídia mais populares. Memories of Celceta é um novo capítulo da franquia Ys (que teve início no PC em 1987) exclusivo para PS Vita.

Mais um protagonista sem memória

O recurso de enredo do protagonista sem memória é muito bom para introduzir o jogador no contexto daquela história. No entanto, esse caminho tem sido usado por muitos jogos (especialmente no Japão) e tornou-se um clichê que, ao menos pra mim, desanima a ideia de desenvolver interesse pela história. Em Ys: Memories of Celceta isso não é uma verdade. O fato de Adol Cristin ter perdido a memória não é um meio de tornar o início mais conveniente, pois como o título do jogo sugere, esse é o ponto chave da história. Chega a ser forçado em alguns jogos quando grandes aventureiros se juntam ao seu grupo por algum motivo bobo ou alguém de grande influência se torna seu aliado sem nem mesmo conhecer bem o seu personagem. Aqui há personagens importantes dentro da história do jogo que você encontrará e perceberá que tiveram um passado com Adol, e decidem ajudá-lo em sua jornada, não é por terem simpatizado com ele a primeira vista, mas sim por já conhecê-lo e em razão dessa amizade ou de qualquer relacionamento que tiveram no passado decidem se juntar ao grupo. Nessa situação, a relação entre o personagem principal e o NPC que se tornará integrante do grupo já foi construída e trabalhada antes do ponto inicial da história do jogo, então é mais aceitável concordar com essa condição. A perda de memória que sempre é um clichê e me afasta de algumas histórias, aqui foi o que mais foi usado para conectar a história e me deixar preso à telinha do PS Vita.

Evitando spoilers, posso citar que Adol não simplesmente perdeu a memória, mas alguém, por algum motivo (que é explicado logo no começo da história), pegou suas memórias para usar em beneficio próprio. Adol, junto de seu grupo, deve recuperar suas memórias sobre a floresta de Celceta e impedir que os vilões realizem seus planos.

Controle sob o jogo

Meses atrás eu escrevi uma análise sobre Etrian Odyssey Untold: The Millennium Girl (3DS). Faz algum tempo, mas lembro que eu falei sobre como as mecânicas do jogo estavam muito mais simples se comparadas ao antecessor Etrian Odyssey IV: Legends of the Titan (3DS). Ambos são bons jogos, mas Millennium Girl trazia mecânicas amigáveis para aqueles que estavam conhecendo dungeon crawlers pela primeira vez. Além de ser um reboot na franquia, o que é mais um convite para novatos. Se lembro bem, até recomendei a um colega, Rômulo, sobre começar por esse título. E por que estou falando isso tudo? Memories of Celceta é uma situação muito similar. A franquia Ys começou em 1987 e até dias recentes usava algumas mecânicas um tanto arcaicas. Em nosso título exclusivo para o PS Vita, o combate é muito mais fluído, simples e intuitivo. E não é apenas nisso que o título me lembra Millennium Girl, mas também a parte sobre o reboot. Considerando a história do jogo, ela reescreve os pontos mais relevantes de "Ys IV: Mask of the Sun" e "Ys IV: The Dawn of Ys". Não precisam se preocupar, não é nada que deixará um marinheiro de primeira viagem perdido. Aliás, devo dizer que você pode começar por esse jogo mesmo sem ter jogado qualquer um outro da franquia.

Voltando a falar das memórias, elas também têm seu papel aqui no combate. Recuperando-as, você tem acesso a boosts temporários ou novas habilidades. Essa jogabilidade mesclada com o enredo sendo somados as excelentes cutscenes, me faz pensar como foi incrível eles conseguirem juntar, e tão bem, todos esses elementos do jogo. Uma jogabilidade que conversa com a história não é tão comum em jogos atuais, mesmo entre os RPGs.

Nova visita

Apesar de ter o seu personagem, você tem o grupo de NPCs sendo controlados pela IA do jogo para te ajudar. Em dado momento, você pode trocar para esses NPCs e controlá-los. Esse recurso é muito útil, especialmente quando seu personagem não é tão efetivo contra certo tipo de inimigo. Mas conforme você avança no jogo e vai encarando chefões mais problemáticos, fica mais evidente o quanto você precisa de habilidade (não apenas dentro do jogo) para acertar o momento de usar seus ataques e tirar melhor proveito de cada situação (isso também serve quando o assunto é bloquear ou esquivar). O jogo não é tão cruel como os anteriores sobre sua punições por tomar decisões erradas durante combate, então não tenham medo de errar e aprender. Essa jogabilidade gostosa e intuitiva torna a experiência muito gratificante.
Ys: Memories of Celceta é um título exclusivo para PS Vita e chegou no ocidente no fim do ano passado. Ele é o título mais recente da franquia, mas sua história se passa cerca de dois anos após os eventos de Ys II e um ano antes de Ys: The Oath in Felghana. Ys: Origin, Ys Chronicles+ (I & II) e The Oath in Felghana podem ser adquiridos no Steam. Então, caso você goste de Memories of Celceta, recomendo buscar os outros títulos no Steam em alguma dessas promoções malucas do tio Gabe.

Prós


  •  A excelente produção realizada nas cutscenes não permitirá que você pule nenhuma, te desafio;
  •  A trilha sonora é bem compatível com cada cenário e situação;
  •  A história é boa o suficiente para você perder noção do tempo enquanto joga.

Contras


  •  Desculpem, eu não consigo listar três contras sobre esse jogo.
Ys: Memories of Celceta - PS Vita - Nota: 9.0
Revisão: Leonardo Nazareth
Capa: Diego Migueis
Jameson Sheen é programador e estuda Game Design. Investe seu tempo livre aprendendo novos idiomas e novos instrumentos musicais. Além de análises e outros artigos, escreve para coluna semanal Pokémon Blast. Você pode ler mais sobre Sheen em seu Twitter.

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