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Análise: Destiny (PS4) é uma empolgante jornada em busca da salvação

O ambicioso projeto da Bungie não chega a revolucionar, mas oferece uma experiência espetacular!


Certos jogos geram tanta expectativa nos jogadores que acabam decepcionando não por serem ruins, mas por não conseguirem cumprir todas as promessas quase utópicas que suas desenvolvedoras realizam antes do lançamento. Foi o caso de Watch_Dogs, um incrível jogo de mundo aberto que acabou sendo massacrado pelos jogadores simplesmente por não atender o hype exagerado de todos.


Destiny, um dos projetos mais ambiciosos dos últimos anos sofre do mesmo problema. Desenvolvido pela Bungie, a consagrada criadora da franquia Halo, Destiny é um shooter em primeira pessoa com características que remetem a RPGs massivos como World of Warcraft e Diablo. Com uma jogabilidade quase que completamente online, o jogo conta com um nível de polimento poucas vezes visto em um game. Mas o que acabou dando errado?

A batalha dos guardiões

Destiny conta a história dos Guardiões, um grupo de heróis que tentam conter a ameaça da treva, uma raça de alienígenas que deseja exterminar, de uma vez por todas, a raça humana de todo o universo. O jogo se passa em um futuro distante e tem aquele clima fantástico da era de ouro dos filmes de Guerra nas Estrelas, o que, por si só, já é incrível.


No papel de um guardião, você deverá viajar o universo enfrentando a obscura ameaça que pode acabar com toda a esperança da humanidade, e tudo isso ao lado de desconhecidos ou até mesmo de um esquadrão de amigos. Com uma jornada relativamente curta, de cerca de 15 horas para a campanha principal, o jogador deve viajar por quatro localidades: Terra, Lua, Marte e Vênus. Cada uma delas possui cinco missões relativas a história e diversos side-quests que fornecem novos equipamentos.


Até aí tudo bem. O problema é que o enredo é bem raso e deixa a desejar, ainda mais se considerarmos a grandiosidade do universo criado pela Bungie para o jogo. Caso você consiga mergulhar no mundo do jogo e na batalha dos Guardiões, isso não será um problema, pois esse é um daqueles jogos em que as histórias criadas pelos jogadores valem muito mais do que o enredo pensado pelos desenvolvedores. Mas ainda assim é um pouco triste imaginar o quão incrível poderia ser o enredo do jogo, que inevitavelmente será complementado com futuros e constantes DLCs.

Descobrindo um novo mundo

Logo ao iniciar os trabalhos com Destiny tive que criar um personagem. Divididos em três classes, o estilo de jogo que será utilizado por toda a jornada é definido logo de cara. São elas: Titan (o famoso soldado), Hunter (focados em combates a longas distancias) e Warlocks (magos com diversos poderes psíquicos). Quanto a aparência física do personagem, mais três ramificações: Humano, Awaken, uma espécie de elfo, e Exo, um ser completamente mecanizado.


Ainda é possível selecionar cor de pele, cabelo, marcas no rosto, entre outras características. Afinal, temos que salvar a galáxia apresentáveis. Logo após a criação do personagem, o jogador é levado a uma pequena missão na Terra que serve como tutorial para o jogo. Se você costuma ser um jogador solitário, saiba que essa é a única missão em que você jogará completamente sozinho.


Logo após a missão, o jogador é levado à Torre, uma espécie de ponto de encontro de Guardiões. Lá você conhecerá o líder de sua raça, comprará equipamentos como armas, roupas, emblemas e até mesmo veículos. É na torre também que você pode selecionar missões extras para realizar enquanto vasculha planetas desconhecidos. Logo após os preparativos, o jogador pode retornar para a Órbita e partir daí, para algum planeta em busca de missões.

Borderlands encontra Halo

Durante as missões, a jogabilidade de Destiny funciona de forma muito similar a outros jogos de tiro em primeira pessoa, exceto pela capacidade do personagem em utilizar determinados poderes especiais que não fazem uso das armas de fogo. Os inimigos encontrados pelo caminho possuem um level, assim como em RPGs, e não é recomendável a um jogador no nível 1 enfrentar um inimigo que está no 7, por exemplo.


A cada inimigo derrotado, o jogador ganha pontos de experiência para subir de nível, o que lhe concede mais força, defesa e até mesmo habilidades. Durante as andanças pelas diferentes localidades, o jogador ainda se depara com novos itens como equipamentos, armas e até espólios que podem ser vendidos na Torre.


Todas as missões são realizadas em rede, ou seja, você nunca estará sozinho durante a exploração. Seja com amigos, forma na qual é possível conversar por voz, ou com desconhecidos, porém, este modo não nos possibilita ter uma comunicação de forma efetiva. Com isso, notamos que as missões foram moldadas para que os Guardiões tenham que unir forças para avançar.  Vale ressaltar que, mesmo jogando em esquedrões fechados apenas com amigos, Guardiões de todo o mundo podem ser encontrados durante as missões, e eles podem até ajudar o seu grupo se desejarem.


O título possui um level design extremamente competente, utilizado de forma um pouco limitada. Competente pois os cenários são criados de forma brilhante e empolgam simplesmente por poderem ser explorados, limitado pois as missões se tornam repetitivas com o tempo. Por isso, para que o jogo seja melhor aproveitado, recomendo que a campanha seja jogada ao lado de amigos, de forma que a repetição sairá de evidência dando espaço para a diversão de poder desbravar um planeta ao lado de pessoas que você realmente conhece.



No meio das missões, a Bungie ainda incorporou eventos aleatórios que concedem equipamentos e dinheiro para os Guardiões. Completamente opcionais, os eventos dão um clima incrível para a aventura, e vale muito a pena deixar um pouco o objetivo de lado para se juntar a outros heróis e conquistar novos equipamentos. A adição é espetacular, mas acontece menos do que deveria. Sabendo disso, a Bungie já prometeu um patch que aumentará o número de eventos aleatórios.

Mata-mata frenético

Além da campanha principal, Destiny ainda conta com um modo multiplayer tradicional em que os jogadores montam times para capturar bandeiras, defender posições ou simplesmente ficarem se matando por cenários do jogo. Bastante robusto e com o gameplay excelente da campanha, os diversos modos são muito divertidos, fornecem itens e até mesmo pontos de experiência para o personagem utilizados na história.


Essa integração entre os dois modos é a grande sacada da Bungie, pois faz com que os jogadores se sintam estimulados a conhecer os outros modos de jogo para que consigam novos itens que poderão ser utilizados em qualquer outra parte de Destiny.

Superprodução de cair o queixo

Se tem uma coisa que enche os olhos logo que Destiny é iniciado em seu console, é o nível de produção do jogo. Os gráficos são espetaculares, e mesmo que não sejam os mais lindos já vistos no PlayStation 4, nunca deixam a desejar pela excelente direção artística do pessoal da desenvolvedora. Viajar pelos belíssimos campos de Vênus ou as brilhantes cavernas da Lua são experiências inesquecíveis e muito imersivas, algo que não via em jogos há muito tempo.


A trilha sonora do jogo ainda completa o pacote com lindíssimas composições que atendem de maneira certeira as necessidades do jogo. Empolga quando deve empolgar, emociona quando deve emocionar e silencia quando devemos tomar cuidado. O esforço da Bungie em tornar o jogo envolvente e empolgante aos jogadores não foi em vão, e Destiny é um dos jogos mais imersivos dos últimos anos. Isso se você tiver paciência de investir o seu tempo nele.

Potencial extraordinário

Destiny pode ter alguns defeitos, mas poucos jogos me empolgaram tanto nos últimos anos como ele conseguiu fazer. A ambiciosa criação da Bungie pode não ser uma revolução no gênero, mas é um passo adiante em jogos de tiro em primeira pessoa, principalmente se considerarmos o tempo de marasmo que esse tipo de jogo vem vivendo.


Contando com as constantes atualizações realizadas pela desenvolvedora, a jogabilidade de Destiny só tem a melhorar, e o potencial do universo criado por ela poderá ser aproveitado por muitos anos, caso utilizado com sabedoria. Destiny é mais um excelente jogo que foi rebaixado pelo hype e excesso de atenção da mídia, que vem dando mais valor a cartas marcadas do que a experiências realmente divertidas. Uma pena. Ainda bem que não deixei de jogar essa maravilha por conta disso.

Prós


  • Universo fascinante;
  • Jogabilidade excelente;
  • Evolução de personagens empolgante;
  • Modos de jogo completamente integrados;
  • Gráficos e trilha sonora espetaculares;
  • Eventos aleatórios dão dinâmica às missões;
  • Universo em constante expansão.

Contras


  • Missões podem se tornar repetitivas com o tempo;
  • Comunicação com desconhecidos é muito difícil;
  • Enredo da campanha poderia ter sido melhor elaborado.


Destiny – PS4 – Nota 9.5
Revisão: Leonardo Nazareth
Capa: Vitor Nascimento
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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