Hands-on

Freedom Wars (PS Vita) nos deu uma pequena amostra da prisão eterna

A sentença de um milhão de anos já foi dada, agora sua chance de lutar por sua liberdade está à porta.

Conceituado pela ideia do Panóptico, abordada por filósofos como Michel Foucault, o antes nomeado Panopticon deixou certo mistério no ar ao ser anunciado. Agora renomeado como Freedom Wars, o jogo traz algumas novidades, prometendo ser mais um ótimo título de PS Vita saindo das mãos do estúdio Shift, responsável por nos trazer a franquia Gods Eater (PSP).


Contando com o lançamento da demonstração japonesa e com uma versão trazida pela Sony na BGS 2014, conseguimos ter uma ideia de como será essa luta em troca da liberdade.

[Este texto aborda um título que foi testado ainda em sua época de desenvolvimento, portanto a obra original pode conter diferenças.]

O Panótpico

Passando-se em cidades subterrâneas chamadas Panopticon, Freedom Wars coloca o jogador na pele de um dos prisioneiros do Estado, este que, assim como a maioria, ao nascer recebeu uma sentença de um milhão de anos pelo crime da própria existência.

Logo ao início, é possível ver uma batalha do personagem contra, ao que tudo indica, prisioneiros de outra Panopticon, tendo em vista a guerra entre as cidades pela conquista de mais suprimento. Ao ser recapturado, o personagem é levado ao seu cômodo e somos apresentados ao Acessório. O Acessório é um androide de vigilância que constantemente acompanha o jogador em qualquer (sim, qualquer) lugar, dando suporte em meio às batalhas e punindo-o por qualquer coisa considarada um crime.
Os guerreiros de cada cidade, sentenciados pela própria existência.
Partindo daí, o jogador terá de reiniciar sua luta pela liberdade trabalhando no resgate de civis sequestrados por máquinas de batalha chamadas de Abdutores, neste caso de outras cidades, diminuindo aos poucos sua sentença em busca da liberdade. Contudo, para isso será necessário muito mais que lutar apenas contra os abdutores, podendo encontrar inúmeras surpresas pela frente.

Um pouco do cárcere

Durante a demonstração japonesa foi possível experimentar um pouco do sistema de criação de personagem, sendo ainda maior e mais variado que os jogos da franquia Gods Eater, do mesmo estúdio, chegando a ser equiparável com os presentes na franquia Phantasy Star (Multi), contando com uma enorme diversidade de opções, partindo de roupas, aparências, acessórios, etc.
O sistema de criação e customização de personagens é realmente muito vasto e divertido.
Algo interessante de se notar é o fato de que em alguns momentos foi possível andar pelo saguão do estabelecimento, onde vários outros prisioneiros se encontravam. Nesses momentos, obviamente, os Acessórios nos acompanham a todo momento e, caso algo seja observado como irregular (mesmo não sendo), uma nova quantia de anos é adicionada à sentença, extendendo-a. Caso o personagem questione algo, entrando em diálogo com o Acessório, receberá mais uma punição.

Que inicie a luta pela liberdade

Freedom Wars possui uma jogabilidade muito semelhante a seu predecessor, Gods Eater, ou seja, focando em caças de enormes seres, assim como em Monster Hunter, de onde tirou inspiração, com elementos de RPG, ação e tiro em terceira pessoa. Por se passar no futuro e por sua ideia política, o jogo toma uma ambientação cyberpunk com seu mundo distópico.

Assim como nos outros jogos do gênero, o personagem localiza-se inicialmente em um hall, onde pode customizar os esquipamentos, aparência e gênero tanto do Pecador (Sinner), como é chamado o protagonista, quanto do ciborgue, e, claro, selecionar as missões. Como equipamento, é possível selecionar dentre várias armas, partindo de armas de fogo como metralhadoras, canhões, lança-mísseis a espadas e montantes.
A variedade nos equipamentos também é grande, trazendo várias opções a todos os gostos.
Além disso, é possível carregar itens de suporte que servem para cura ou até mesmo ataque, como as granadas e a munição para a arma. Contudo, esses equipamentos são bem limitados, mas podem ser repostos ao encontrá-los no campo de batalha.

O resgate

Ao selecionar uma missão, seja ela principal ou não, o jogador será encaminhado ao menu de personagens, onde é possível selecionar os aliados disponíveis. No caso da demo japonesa, foi possível selecionar Sakamoto e Leo, dois prisioneiros que fazem parte da história principal, sendo o primeiro um prisioneiro veterano às lutas e o segundo um novato como o jogador, vendo-o como rival. Já na demonstração da BGS 2014, foi possível jogar online com os outros três consoles via ad-hoc, no qual os visitantes que lá estavam podiam testar com o suporte um do outro. Com isso, é possível entrar na missão com até oito personagens, sendo que quatro deles serão os Acessórios controlados também pela I.A. do jogo para auxiliar o personagem.

Tanto no evento quanto na outra demonstração, pude enfrentar alguns Abdutores diferentes; um possuía lança-mísseis nos ombros, que eram possíveis de arrancar, deixando-o mais vulnerável; outro estava atacando apenas com as próprias mãos, o que deu mais variedade aos inimigos.
Mesmo parecendo um tanto lenta, a batalha é dinâmica e divertida.
O personagem possui uma espécie de corda vermelha enrolada em seu braço, esta de origem misteriosa. Tal corda permite escalar locais altos, ajudando no combate de longa distância, ou a subir nas máquinas para poder arrancar suas partes, sejam armas ou membros, destruir o peitoral (parte amarela), onde se encontra o civil sequestrado e retirá-lo diretamente, sem ter de destruí-lo, ou até mesmo puxá-lo para o chão para derrubá-lo e deixá-lo atordoado por um tempo.

Ao resgatar o refém, foi preciso carregá-lo até a cápsula de resgate, localizada em algum ponto específico no mapa, onde este estará a salvo. Nesse meio tempo o Abdutor, caso não tenha sido destruído ainda, se levantará e sairá à caça por aquele jogador que está com o refém em específico, dificultando ainda mais o resgate. É possível dar ordens ao Acessório, dizendo a este para que pegue o refém e o leve à cápsula, ou então para que cubra o jogador enquanto este o faz.
Ao resgatar o civil, personagem fica mais difícil de controlar e, caso bata em algo, o civil cai no chão, levando mais tempo para completar o resgate.

Por um bem maior!

Freedom Wars consegue fazer jus à proposta, trazendo uma jogabilidade divertida e dinâmica, tanto para o modo campanha, quanto para o multiplayer que apresenta. Sua semelhança com títulos como Gods Eater e Soul Sacrifice não demonstraram interferir em momento algum na diversão, muito pelo contrário, apenas a aumentou.

O título promete abordar muito a ideia do panocticismo, conceituada pelo filósofo Michel Foucault, o que é algo realmente interessante. Contudo, seus personagens acabaram se mostrando clichês, não passando do típico modelo de desenhos japoneses, algo que pode (ou não) acabar mudando na versão final, o que, assim como diz o próprio mascote do jogo, o indiferente Percy Propa, será “por um bem maior”!

Freedom Wars (PS Vita) — Sony Computer Entertainment — Lançamento: 28 de Outubro.

Revisão: Vitor Tibério
Capa: Felipe Araujo
Gustavo Dourado é estudante do Ensino Médio e fissurado por tecnologia e games. Adora animações e quadrinhos japoneses, além de filmes de todas as partes do mundo. Ama RPGs, sejam eles de mesa ou digitais e desafia qualquer game que lhe desperta algum interesse.

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