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Análise: Sword Art Online: Hollow Fragment (PS Vita) te leva a explorar Aincrad mais uma vez

Desenvolvido pela Aquria e distribuído pela Bandai Namco, o título traz ótimas adições e uma atmosfera condizente ao anime.


Se você já assistiu Sword Art Online, certamente teve vontade de jogar algo tão legal quanto, certo? Pois pode ficar tranquilo, Sword Art Online: Hollow Fragment existe. Lançado exclusivamente para PS Vita, o jogo é na verdade uma versão expandida de um título de PSP e contém várias novidades. A aventura se diferencia do anime quando, no final da batalha do 75° andar, um erro impede os jogadores de se libertarem do VRMMORPG e Kirito e seus companheiros são forçados a ir até o 100° andar do Castelo Flutuante Aincrad. Além disso, o jogo conta também com um enorme mapa extra: a Hollow Area.

Um desenrolar diferente

Se você ainda não assistiu Sword Art Online, tenha o seguinte em mente: o jogo se passa exatamente no fim da primeira saga do anime, então se não quiser ficar perdido no jogo e interagir melhor com ele, é bom ter assistido pelo menos a metade da primeira temporada. Mesmo que eu tente explicar o básico, há muitas referências e personagens, que sem conhecimento prévio da série, ficam bem complicados de se aproveitar.



A trama do jogo começa com Kirito lutando contra Heartcliff no andar 75, e durante a luta dos dois ocorre um erro no sistema que momentaneamente paralisa Heartcliff, permitindo que Kirito vença a luta. O problema é que o erro não afeta somente a batalha entre eles, mas também a promessa de que se Heartcliff fosse derrotado, todos seriam libertados do mundo virtual, ou seja, continuam presos e têm de completar até o centésimo andar.

Mas calma! Até aí, o jogo está apenas se reutilizando da trama de Sword Art Online: Infinity Moment (PSP). E é desse erro no andar 75 que o jogo aproveita para expandir e se tornar Sword Art Online: Hollow Fragment. Durante esse problema no sistema, um local que não deveria ser acessado por jogadores é aberto acidentalmente: A Hollow Area. Uma área gigantesca composta por inúmeros segmentos e inimigos devastadores. Lá, Kirito encontra uma nova personagem de nome Phillia, e juntos tentam descobrir o que o local representa e por que apenas ele tem acesso.
Mapa completo da Hollow Area. Bastante coisa né?

Visual agradável

Por não se tratar de nenhum jogo AAA, ele não tem a mínima pretensão de ser o jogo mais bonito do portátil e, ao invés disso, tenta ser o melhor possível dentro de suas próprias capacidades. A primeira vista já dá pra notar que o potencial do PS Vita faz muito pela aparência e fluidez do jogo: os cenários têm cores vivas, equipamentos e personagens têm um bom nível de detalhamento e durante todo o jogo é difícil encontrar bugs.

Entretanto, não é de se dizer que o jogo não possui suas falhas técnicas, na verdade eu até me impressionei ao encontrar tão poucas, mas vamos a alguns exemplos: quando muitos personagens estão na tela a taxa de quadros cai de maneira significativa, se aproximar muito de alguns monstros pode revelar texturas serrilhadas e boa parte dos monstros e dungeons são reutilizados. No geral, os gráficos nem impressionam e nem deixam a desejar, está tudo ali dentro do esperado.


Sword Art Online e seu mundo expansível

A progressão é de total escolha do jogador e logo no início do jogo lhe é dada duas opções: explorar a Hollow Area e desvendar seus segredos ou subir andares em Aincrad e finalizar o jogo. Se você decidir ir para a Hollow Area primeiro, é possível encontrar vários tesouros e se aproveitar do sistema de implementações. Além disso, nessa mesma área existem várias missões (chamadas Hollow Missions) espalhadas pelos seus segmentos que podem liberar recompensas e chefes ainda mais fortes.

Para explicar melhor o sistema de implementações, ele funciona da seguinte maneira: a partir do menu é possível acessar sua opção e nela existem desafios que podem ser feitos apenas em Hollow Missions para desbloquear habilidades, itens em Aincrad e redução de custos de habilidades, dando uma dinâmica muito maior e adicionando novas metas para o jogador. Por exemplo: se eu escolho uma implementação para melhorar minha evasão, terei de fazer 20 evasivas perfeitas, se quiser desbloquear um novo equipamento poderoso em Aincrad terei de enfrentar 20 monstros raros e por aí vai.



Aincrad já possui um conceito diferente e é bem fiel ao anime: a sua função é subir andares, descobrir onde fica a porta do chefe e buscar informações a respeito das fraquezas dele, motivo pelo qual se faz missões e mata monstros pedidos pelo log do grupo de assalto. Também é possível ajudar a melhorar os níveis e equipamentos dos amigos de Kirito, aumentando a taxa de sobrevivência nos encontros. Como de praxe, a cada andar o nível dos inimigos sobem e mais missões paralelas e eventos de conversação ficam disponíveis.
Seu Kirito pode até ter o cabelo roxo.
O sistema de batalha é incrível, e vou dizer por que: o jogo adota um sistema de RPG com foco em ação e seu personagem é extremamente maleável. Como? É possível mudar a aparência do rosto, escolher entre várias classes de armas com habilidades próprias (espadas, facas, cimitarras, machados, lanças e mais), adaptar a paleta de habilidades para diferentes encontros e provavelmente o melhor de tudo: o jogo não se trata de apertar apenas um botão, e recompensa muito bem aqueles que desvendam seus segredos.

Se fosse para traçar um comparativo, diria que lembra o combate de Xenoblade Chronicles (Wii). Por esse dinamismo, é possível no nível 110 (o inicial é 100) derrotar monstros de nível 140, tudo depende de sua habilidade e entendimento dos sistemas. O jogo apresenta excelentes desafios na Hollow Area, já em Aincrad nem tanto.


Trace suas próprias metas

Nisso já dá pra se notar a quantidade absurda de conteúdo que o jogo possui, sendo fácil chegar nas 100 horas jogadas e ainda ter uma infinidade de itens para melhorar e inimigos para derrotar. Se você é daqueles que gosta de perseguir metas em jogos, se sentirá em casa: o jogo possui New Game+, versões super difíceis de chefes (Uber ou UHNM - Ultra Hard Named Monster, como é dito no jogo), uma dungeon opcional com 145 andares de pura dor e sofrimento, 117 possíveis implementações, quatro roupas diferentes (que demoram séculos para desbloquear) para cada uma das oito heroínas, vários eventos extras e armas especiais para coletar.

E falando nas heroínas, há também um sistema de afeição, e se você for desses, pode levar até elas pra passear e bater um papo. O jogo também possui um modo Online via Ad hoc, e nele é possível explorar as regiões da Hollow Area com até 3 amigos. A única desvantagem disso é que é exclusivamente via Ad Hoc, então o modo fica meio defasado, já que não dá para marcar partidas pela internet.


O que pode prejudicar a imersão

Bom, como sabemos que nada é perfeito, nosso amigo Hollow Fragment tem sua parcela de problemas irritantes que vão exigir muita paciência por parte do jogador. A primeira é que a tradução é horrível, de verdade, e dela surgem muitas vezes a falta de vontade de continuar jogando. Mais do que poucas vezes você receberá dicas enigmáticas de como prosseguir, vai procurar no fundo da sua mente entender por que uma reticência virou três vírgulas, porque aquela interrogação não parece fazer o menor sentido e quem diabos colocaria nomes assim nos segmentos do mapa. É uma bagunça.

Além disso, o sistema de batalha é muito complexo e você é obrigado a entender muita coisa na marra, já que o tutorial faz um péssimo trabalho em tentar te explicar alguma coisa. O que na maior parte do tempo é culpa da própria tradução horrorosa. Então é bom ir preparado para encontrar algumas sentenças que vão desafiar seu inglês.



Outra coisa que vai testar a sua paciência são os danos absurdos que algumas habilidades de inimigos aparentemente fracos podem te causar. Não que eles precisem de um motivo pra te mandar pro último checkpoint, mas é extremamente irritante quando você está no final da dungeon e vê o mesmo inimigo que já matou umas vinte vezes acabar com sua vida em apenas um ataque. Então sim, se prepare para exercitar sua paciência, danos inesperados virão.

Para quem é recomendado

Se você gosta ou é fã do anime, tem paciência para explorar, adora bons sistemas de batalha de RPGs e quer horas e horas de conteúdo, Sword Art Online: Hollow Fragment é uma ótima pedida, pois consegue simular de maneira remarcável o universo criado por Kawahara Reki e traz um desfecho diferente daquele encontrado no anime.

Porém já aviso de antemão: Se você se encaixa na parcela que não conhece a série mas tem muita vontade de explorar o mundo de Sword Art Online ou é fã e não gosta de RPGs e jogos muito longos, passe longe! Isso aqui não é pra você.

Prós

  • Sistema de batalha complexo e recompensador;
  • Extenso conteúdo extra;
  • Dificuldade na medida certa;
  • Adaptação fiel ao anime.

Contras

  • Tradução ruim;
  • Online apenas via Ad Hoc;
  • Péssimo tutorial;
  • Inimigos podem “apelar”;
  • Dungeons são muito parecidas.
Sword Art Online Hollow Fragment - PS Vita - Nota: 7.0
Revisão: Leonardo Nazareth
Capa: Felipe Araujo
Pedro Gusmão aprecia bons jogos independente de plataforma e gênero, mas tem um apreço especial por RPGs e jogos de estratégia. Aficionado por temas fantásticos, adora passar seu tempo livre escrevendo e enfrentando seres mitológicos em videogames.

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