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Análise: J-Stars Victory Vs+ (Multi) traz o melhor dos animes de ação

Jogo, que comemora os 45 anos da revista Weekly Shonen Jump, coloca as principais estrelas da publicação para lutarem entre si.

Quem nunca se pegou discutindo com amigos, ou mesmo pensando consigo mesmo, o que aconteceria se personagens de séries diferentes se encontrassem? Quem seria o mais forte, quem apanharia mais e diversas outras teorias sem o menor sentido, mas extremamente divertidas. Pois bem, J-Stars Victory VS+ é a materialização disso tudo.


J-Stars foi lançado originalmente em 2014, só no Japão, para PS3 e PS Vita, para celebrar o 45º aniversário da Weelky Shonen Jump, uma das publicações mais famosas do país, responsável por publicar diversos mangás de sucesso.

Agora, um pouco mais de um ano depois, o jogo recebe uma versão ocidental, com o PlayStation 4 também ganhando uma edição do título. Mas será que ele realmente cumpre a promessa e torna real e agradáveis todas aquelas batalhas impossíveis dos animes? Vem comigo na nuvem voadora e vamos descobrir.



Quantos caras fortes, quero enfrentar todos eles


Já que o assunto são heróis de animes, nada mais justo que começar falando do plantel de lutadores. E nessa parte, J-Stars faz bonito. São 52 personagens vindos de 32 mangás diferentes. Desses 52, 39 são lutadores jogáveis, enquanto os outros 13 servem somente como suportes — os jogáveis também podem ser usados como suportes, vale dizer.

Alguém vai se machucar muito depois disso
Essa variedade toda é bem interessante, trazendo personagens mais desconhecidos do público brasileiro, bem como misturando animes antigos com material recente. Dessa salada de animes, você pode ter, por exemplo, o Kenchiro (Hokuto no Ken), brigando com a Arale (Dr. Slump), com o suporte do Kuroko (Kuroko no Basket).

As arenas de batalha são 12 ao todo, cada uma sendo um cenário clássico. Alabasta (One Piece), o estádio do Torneio das Trevas (Yu-Yu Hakusho) e a Vila Oculta da Folha (Naruto) são alguns deles.

Sempre lutarei por Athena


Uma coisa que sempre me deixou com pé atrás com jogos de luta de animes é que, geralmente, eles são mais jogos de “animes” do que “luta”. Para tentar passar o mesmo clima do desenho, às vezes as mecânicas acabam sendo comprometidas, ou por serem quebradas ou por terem muitos detalhes pra decorar. Felizmente não encontrei esses problemas em J-Stars.

O jogo se mostrou bem acessível, com comandos bem simples. A única ação que achei meio travada foi a esquiva (R1+analógico esquerdo). Eventualmente eu preferia pular ou mesmo correr para outro canto, já que a esquiva nunca saía na hora que eu precisava.

HUD do combate
Você não vai encontrar combos complexos por aqui (e acredito que essa nem foi a ideia), mas a ação é frenética. Exceto pelos momentos de invencibilidade que um lutador recebe ao se levantar após uma queda, tem sempre alguém fazendo alguma coisa. Lembrando que as lutas, por padrão, são em duplas mais um suporte. Ou seja, você pode bater em um, pular em outro, apanhar dos dois logo na sequência e assim por diante.

Cada personagem tem uma barra de vida independente. Quando esta chega a zero, ele toma um K.O. de alguns segundos e o adversário preenche uma parte da barra de vitória. O time que completar essa barra primeiro vence a luta. É praticamente um sistema de round convencional, adaptado ao combate de duplas, já que 3 KOs são suficientes para finalizar a contenda, no modo padrão.

Só cinco minutos...
Minha única ressalva é com o sistema de suportes. Dentro dos menus de seleção não existe qualquer informação do que cada personagem faz quando chamado para ajudar. Só existe uma descrição da ação no menu de comandos, já dentro de uma batalha. E como as lutas são muito frenéticas, às vezes você chama o terceiro personagem e nem presta atenção no que ele fez.

Veja meu Kame-Hame-Ha aumentado 10 vezes


Se estamos falando de animações japonesas, tem que ter os golpes especiais com destruição sobrando!

A barra de especial em J-Stars é chamada de Barra de Voltagem, e é “dividida” entre os dois times. Ela pende para o time que for mais agressivo, efetuando mais ataques. Quando um lado consegue tomar toda a barra para si, pode ativar o VICTORY BURST, pressionando R3. Nesse modo, você vai estar mais forte por um tempo, e pode ativar a técnica especial, apertando R3 novamente.

Victory Burst ativado
O bacana é que essas habilidades especiais refletem as características dos heróis. Por exemplo, o especial do Yusuke é um Leigan gigante. Porém, caso ele morra com o VICTORY BURST ativo, ele assume a forma de Youkai, aquela com os cabelos compridos.

Por ultimo, notei que, apesar de não existir “fogo amigo”, alguns especiais acertam seus parceiros da mesma forma que o oponente. A Genki-Dama do Goku, ou os socos do Luffy, por exemplo, pegam todo mundo no caminho, mas só irão dar dano nos inimigos. Achei isso bem interessante até, pois faz você pensar melhor antes de sair batendo a esmo. Abrir a guarda do seu companheiro pode dar uma brecha de ataque para outro membro da dupla inimiga, que tenha evitado o seu ataque.

Não conheci o outro mundo por querer


O modo história de J-Stars, chamado de Aventura-J, é onde você vai passar a maior parte do tempo, pois é aqui que você vai desbloquear grande parte do conteúdo.

A campanha é dividida em quatro aventuras (Luffy, Naruto, Ichigo e Toriko), que contam a mesma história sob pontos de vista diferentes. Você navega por um mapa parecido com os RPGs da era 16-bits, onde diversos cenários estão no mesmo mundo, só “porque sim”. Além da missão principal, existem missões secundárias, que dão experiência adicional, personagens de suporte para a aventura e cartas de deck.

Mapa do modo Aventura
Sobre a narrativa em si, bom, é farofa total. Sério, você não está esperando nenhuma trama profunda de um jogo desses. Tudo é só uma desculpa para juntar todo esse grupo de heróis e vilões. Mas nisso tudo, é divertido ver as interações de personagens de diferentes mundos.

Algo que não gostei foi que, depois de praticamente tudo que você faz na campanha, o jogo salva o progresso, parando tudo que você está fazendo, exibindo a janela de notificação. Isso acaba quebrando um pouco o clima. E não tem opção de desabilitar o salvamento automático. Com o tempo eu aceitei esse fato, mas continua sendo chato.

Estrada da Vitória
Fora esse modo principal, temos o Estrada da Vitória (série de lutas com objetivos secundários), Arcade, (seis lutas em série), Batalha Livre, (vs CPU ou contra outro jogador com tela dividida onde é possível lutas um contra um ou dois contra dois) e Batalha Online (permite até 4 jogadores na mesma sala). Todos eles te dão PJ, pontos que você usa para destravar itens usados no modo aventura e personagens para todos os modos de jogo.

O jogo também tem um sistema de cartas, no qual você pode montar um baralho e equipar no seu personagem, ganhando alguns bônus. Se você gostar, é um bom atrativo, mas pouco mexi nisso e não senti falta nenhuma. Vai a seu critério.

Se renda a minha beleza


Na parte técnica, o jogo é bem bonito. Os modelos, os golpes e os cenários estão muito bem feitos. Existem várias estruturas destrutíveis nos mapas, o que deixa a sensação de pancadaria sem limites ainda maior.

Freeza já foi melhor
Quanto às músicas, não sei dizer se todas são retiradas dos animes ou se há composições criadas para o jogo, mas grande parte delas remete a alguma série específica. Um recurso peculiar é que o jogo permite que você substitua as melodias padrão por quaisquer músicas que estiverem no HD do seu console. Foi assim que eu lutei na Vila da Folha ao som de I Wanna Rock, do Twisted Sister.

Quanto às vozes, está tudo em japonês, o que é ótimo, pois mantém muito do valor da obra. Não se preocupe se você não for versado no idioma oriental, todos os textos e legendas estão em português, e a tradução está bem bacana. Não me lembro de ter visto nenhum erro, seja gramatical ou de localização.

Por fim, vale uma menção à sensacional música de abertura, cantada pelos mestres das animesongs Akira Kushida, Hironobu Kageyama e Hiroshi Kitadani.

Esse é o meu jeito ninja


J-Stars Victory VS+ não é o primeiro jogo a reunir diversos personagens de anime, mas ouso dizer que é o mais bem feito que eu já vi. Os combates são empolgantes e mesmo quem não é muito habituado ao estilo deve conseguir pegar o jeito sem dificuldades. Um ótimo game para se jogar de galera.

A vasta opção de personagens também é um ponto extra. Cada um possui um estilo de luta próprio, respeitandoas característas que eles possuem nas séries originais. Além disso, tudo é um grande “fan-service” que aumenta de acordo seu conhecimento de animes e mangás. Porém, mesmo que você só conheça os clássicos, talvez esteja aí uma ótima chance de descobrir material novo.

O único problema mais crítico fica para o modo campanha que, em minha opinião, é um pouco maior do que deveria, ainda mais por ser dividido em 4 partes. Além do fato dele ser meio que obrigatório, se você quiser destravar todos os personagens nos outros modos.

PRÓS

  • Grande quantidade de personagens de várias séries;
  • Sistema de combate direto, sem muitas firulas;
  • Controles simples, sem “apertações” de botão malucas;
  • Áudio original em japonês;
  • Boa localização de menus e legendas para o português.

CONTRAS

  • Modo aventura pode ser meio maçante;
  • Save automático obrigatório a todo momento;
  • Suportes podem não ajudar como esperado.
J-Stars Victory VS+ — PS3, PS4, PS Vita — NOTA: 8.5
Versão utilizada para análise: PlayStation 3

Revisão: Alberto Canen
Capa: Diego Migueis
Flávio Augusto Priori é formado em design de jogos e tenta ganhar a vida com esse negócio chamado video game. Para ele Metal Gear é a melhor série já feita e ainda acredita na volta da SEGA. Escrevia para o saudoso Minha Tia Joga LoL e hoje pode ser achado no Facebook e no Twitter.

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