20 anos do PlayStation: 20 curiosidades do clássico

De periférico do Super Nintendo para um dos consoles mais populares da história, relembre a trajetória do videogame que mudou a indústria.

Em 9 de setembro de 1995 o PlayStation foi lançado nas Américas. Ninguém poderia prever que a inexperiente no ramo de consoles Sony dominaria o mercado com ele e transformaria a marca PlayStation em sinônimo de videogame entre algumas crianças. Hoje, 20 anos depois, a marca continua firme e forte e tem muitas histórias para contar.

1 — Ele era originalmente um periférico para o Super Nintendo

Essa não é novidade para ninguém: o projeto do PlayStation nasceu de uma parceria entre a Sony e a Nintendo. As duas empresas já haviam trabalhado juntas antes na criação do chip sonoro do Super Nintendo e pretendiam criar um periférico que permitisse o console ler CDs e processar gráficos mais avançados. Aparelhos similares já haviam sido lançados anteriormente para os concorrentes da Nintendo na época, o Mega Drive e o TurboGrafx-16.
A parceria acabou sendo cancelada de forma súbita, para a fúria o então presidente da Sony, Ken Kutaragi, que sentiu-se humilhado. Mas ele não desistiu por aí....

2 — Depois de fracassar com a Nintendo, a Sony tentou convencer a SEGA

Isso mesmo: o PlayStation poderia ser um console nada menos do que da (então) arqui-rival da Nintendo. Quem fez as negociações foi Olaf Olafsson, presidente da Sony Electronic Publishing, e Micky Schulhof, presidente da Sony America. A ideia era vender o hardware com leve prejuízo e dividir as perdas entre as duas empresas. O presidente da SEGA of America, Tom Kalinske, chegou a se interessar e conversar com Hayao Nakayama, presidente da SEGA of Japan… que prontamente recusou a proposta. Essa não seria a primeira vez que a falta de sinergia entre a SEGA americana e japonesa deixaria a empresa em apuros.

3 — O PlayStation foi focado em gráficos 3D graças à SEGA

Mesmo sem a parceria ir para frente, a SEGA teve influência determinante no console da Sony. À princípio, havia dúvidas se o videogame deveria se focar em gráficos 2D ou 3D. Entretanto, após o sucesso de Virtual Fighter em arcades japoneses, não restava mais dúvidas: o futuro era tridimensional.
Olha esses gráficos!

4 — A apresentação do console na E3 consistiu em apenas duas palavras

“299 dólares”. Foi assim que Steve Race, o então presidente da SCEA, iniciou e terminou sua brevíssima apresentação do console na E3 1995. Seu concorrente direto, o Sega Saturn, custava US$ 399,99.

5 — Em busca do logo perfeito

Não é de se espantar que durante seu processo de desenvolvimento vários logos para o aparelho foram propostos. É possível ver resquícios do logo final em alguns deles, mas outros são completamente diferentes, até mesmo nas cores. Confira:

6 — O aparelho teve um começo difícil nos EUA

Mesmo com foco em gráficos 3D, preço competitivo e acordo com várias desenvolvedoras, o console não foi o sucesso de vendas esperado. Bernie Stolar, recém-contratado como chefe da SCEA, vetou a localização de vários jRPGs e priorizou a comercialização de jogos de esportes para o mercado americano. Logo a Sony percebeu o erro, mudou a estratégia de marketing e permitiu a entrada de vários outros gêneros no mercado, revertendo os danos. Já imaginou um mundo sem Final Fantasy VII?
Personagens andróginos com cabelos pontudos e espadas gigantes?
Nunca fariam sucesso!

7 — Os 10 primeiros jogos de lançamento

O videogame da Sony chegou ao mercado americano com 10 jogos: Air Combat, Battle Arena Toshinden, NBA Jam Tournament Edition, Power Serve Tennis, Rayman, Ridge Racer, Street Fighter: The Movie, The Raiden Project, Total Eclipse Turbo, e Zero Divide. No decorrer de sua vida, o console receberia muito mais jogos. Até hoje, ele é um dos aparelhos com mais jogos licenciados na história, ultrapassando a marca de 2000 games.
Riiiidge Racer!

8 — Recorde de CDs

Mesmo oferecendo muito mais espaço que os tradicionais cartuchos, os CDs do PlayStation logo ficaram pequenos. Em pouco tempo surgiram games divididos em dois, três ou até mesmo quatro discos. Mas o recordista é o port de Riven, sequência do clássico Myst, do PC para o videogame: ele foi dividido em nada menos do que cinco CDs!

9 — Os símbolos do controle têm um significado

Triângulo, quadrado, círculo e X. Essas formas que qualquer gamer reconhece facilmente não estão lá por acaso. O triângulo representa uma cabeça; o quadrado, um mapa; o círculo e X, sim e não, respectivamente. Estas seriam as funções básicas de um jogo, especialmente RPGs, que deixaram o console tão famoso.


10 — O controle original poderia ser bem diferente do que conhecemos

Antes de alcançar o formato clássico amado (e odiado) por muitos, o controle do PlayStation passou por várias iterações. Um de seus primeiros protótipos era basicamente um controle do SNES invertido. Outras tentativas envolviam botões retangulares e uma versão com até algo que parecia ser uma espécie de analógico.

11 — Antes do DualShock, tivemos o Dual Analog Controller

Por falar em analógico, antes de surgir o DualShock com as polêmicas duas alavancas analógicas tivemos o Dual Analog Controller. Ele tinha um modo de operação único chamado Analog Flightstick, apropriado para simuladores de voo como Ace Combat 2 e Descent Maximum. Outras pequenas diferenças estruturais também o diferenciavam do DualShock, que foi lançado poucos meses depois e dominou o mercado.

12 — O PlayStation tinha um mascote... E ele não se chamava Crash

Você já ouviu falar do Polygon Man? Acredite se quiser, mas essa cabela poligonal pontuda era o mascote oficial do PlayStation, aparecendo no pré-lançamento do aparelho e em várias propagandas. Ele foi feito para mostrar todo o potencial do videogame. Em pouco tempo foi enterrado, após Ken Kutaragi “enlouquecer” ao vê-lo na E3.

Anos depois, o personagem foi desenterrado e reapareceu como o chefão de PlayStation All-Stars Battle Royale (PS3/PSV). Com as vendas baixas do jogo, ele rapidamente caiu no esquecimento de novo.

13 — No Japão, o console ganhou outro "mascote que não se chamava Crash"

E não, ele não se chamava “Spyro”. Estamos falando de Toro Inoue, também conhecido como Sony Cat. O gato antropormofizado apareceu pela primeira vez em 1999, no jogo Doko Demo Issyo. Apesar de desconhecido por essas bandas, ele é extremamente popular no Japão., promovendo todos os aparelho e vários eventos da Sony desde sua primeira aparição.

14 — Crash e Spyro sofreram o "efeito Kirby invertido" no Japão

Falando em Crash e Spyro, os dois personagens sofreram granes adaptações ao serem levados para o oriente, ganhando traços muito mais “kawaii” e um estilo de anime. Meio que o contrário do que acontece com o Kirby quando ele vem para o ocidente.

15 — No Japão, existia também o PocketStation

Além de um mascote e adaptações visuais, o Japão também recebeu um periférico exclusivo: o PocketStation. Sua funcionalidade era similar ao VMU do Dreamcast, servindo como uma espécie de memmory card com esteróides que adicionava funcionalidades a alguns jogos. Ele possuía uma tela de LCD, um relógio e capacidade de comunicação via infra vermelho, permitindo fazer download de títulos exclusivos e até mesmo jogar com outros jogadores. Apesar de fazer moderado sucesso, o dispositivo nunca chegou ao ocidente e foi descontinuado em julho de 2002.

16 — Periféricos que ficaram na periferia

Além do PocketStation, o PlayStation recebeu pelo menos outros dois periféricos notáveis: o PlayStation Mouse e o Link Cable. Ambos foram lançados fora do Japão, mas encontraram diversos problemas. O PlayStation Mouse era compatível com poucos jogos, e muitos deles não chegaram ao ocidente. Já o Link Cable era, no mínimo, imprático: permitia jogar games multiplayer sem a necessidade de se dividir a tela… bastava ter dois PlayStations, duas televisões e duas cópias do jogo.

17 — 15 anos atrás, a Sony já tentava alcançar os indies

Por US$750,00, qualquer desenvolvedor poderia comprar o Net Yaroze, um kit de desenvolvimento que incluía um PlayStation sem trava de região e manuais para que hobbyistas desenvolvessem seus próprios jogos. Os desenvolvedores poderiam enviar suas obras para a Official UK PlayStation Magazine e outras revistas europeias, que distribuíam demos dos games em CDs. A última edição da Official UK PlayStation Magazine, número 108, trouxe uma compilação com várias obras desenvolvidas no Net Yaroze.

18 — PlayStation ≠ PSX

Apesar de hoje em dia serem usados como sinônimos, o PlayStation original e o PlayStation X eram aparelhos completamente distintos. Lançado em 2003, o PSX trata-se de um PlayStation 2 integrado com um gravador digital. Devido ao preço (e tamanho) elevado, o console nunca saiu do Japão e foi logo descontinuado.

19 — O primeiro a vender mais de 100 milhões

Já o PlayStation original foi muito bem, obrigado. Ele foi o primeiro videogame a vender mais de 100 milhões de unidades ao redor do mundo. As últimas unidades do videogame foram produzidas em 23 de março de 2006, encerrando sua vida comercial com 102.49 milhões de vendas, segundo dados da própria Sony.

20 — O último jogo do PlayStation

Nos Estados Unidos, o último game licenciado para o videogame foi  FIFA Football 2005, lançado em 2004. Na Europa, o último jogo do PlayStation só seria lançado em 2005, chamado Hugo: Black Diamond Fever. No Japão, o aparelho ainda ganharia mais um ano de vida, vendo seu último título, Strider Hiryu, apenas em 2006.

Claro, para os fãs, o PlayStation está vivo até hoje, com muitos clássicos para se aproveitar.
Lucas Pinheiro Silva é analista de sistemas web por profissão, gamer por vocação. Tem grande interesse em game e level design, o que o levou a escrever para o PlayStation Blast. Em seu Facebook e Twitter também fala de outras coisas, como HQs, música e literatura.

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