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Análise: Persona 4: Dancing All Night (PSVita) põe personagens para balançar o esqueleto

Reencontre os carismáticos habitantes de Inaba neste divertido jogo de ritmo e se delicie com a fantástica trilha sonora de Persona 4


Não há como falar em bons RPGs sem mencionar a franquia Persona. Nascida como um spin-off de Shin Megami Tensei, os games fizeram tanto sucesso que viraram uma série própria. Conforme as sequências foram lançadas, as histórias e mecânicas foram sendo aprimoradas até o ápice: Persona 4 (PS2).

O RPG japonês da Atlus conseguiu reunir todas as qualidades para criar um game épico: bons gráficos (para a época), personagens absurdamente carismáticos e diversificados, enredo inovador e imersivo, além de estilo de jogo sólido baseado na liberdade de escolhas. A história aborda temas do cotidiano de adolescentes e adentra nos sentimentos dos protagonistas, levantando questões como medo, aceitação, autoconfiança e até identidade sexual e de gênero. Persona 4 virou uma verdadeira febre, principalmente no Japão: ganhou série de TV, filme próprio e foi licenciada para diversas linhas de brinquedos e roupas.

Persona 4: Dancing All Night (PSVita) pega emprestado os amados personagens do game de 2008 para inseri-los em uma nova “aventura ritmada”. Apesar de ser classificado como um jogo de ritmo, há um modo completo de história para ser explorado. É claro que, neste caso, é tudo bem mais simplista e preso, sem as possibilidades de escolha e o “mundo aberto” de Persona 4.

Vamos dançar, Senpai?

O enredo se desenrola meses após o final de Persona 4 Golden (PSVita). A estrela Rise Kujikawa voltou para o mundo do entretenimento e convidou seus amigos para assistirem a um ensaio. Um evento de música se aproxima e Rise quer dar o seu melhor para conseguir superar os novos ídolos do J-Pop, o grupo feminino Kanamin Kitchen. Lideradas por Mashita Kanami, as meninas possuem estilos diversificados que agradam a todo tipo de público, o que pode ser uma das razões do seu sucesso. É claro que neste cenário existe uma rivalidade (não tão) sadia entre Rise e as meninas do Kanamin Kitchen...

A situação começa a mudar quando surgem rumores de um vídeo estranho hospedado em um site da internet. Dizem que se ele for assistindo à meia-noite, todos os espectadores são sugados para “o outro lado” e nunca mais saem de lá. Kanami é a primeira vítima do tal video e desaparece sem deixar vestígios. Pouco tempo depois é a vez das demais integrantes. Rise, quando fica sabendo do ocorrido, convoca Yu Narukami e toda a trupe para investigar este mistério.

Eles se juntam para ver o tal vídeo e todos são transportados para o Midnight Stage, um mundo repleto de sombras tal como vimos no Midnight Channel. Em vez de batalhas com poderes, o objetivo aqui é dar o melhor de si nas danças para afastar as sombras, que tentam controlar a mente das pessoas valendo-se dos seus maiores temores. Mas quem será que está por detrás de toda essa maldade? E o que esta criatura nefasta quer raptando ídolos adolescentes? Isso você só vai descobrir desbravando o longo (para um game de dança…) modo história.

“Everyday's Great At Your Junes”

Se você jogou Persona 4 (PS2) e/ou Persona 4 Golden (PSVita) certamente leu cantando este subtitulo, não é verdade? Este é apenas um trecho das inesquecíveis músicas do game, que tem na trilha sonora um de seus pontos fortes. Todo mundo, vez ou outra, já se pegou cantando as musiquinhas da aventura. Isso porque elas realmente grudam na cabeça e são muito boas de se ouvir. Logo, falar bem da parte sonora de Dancing All Night é chover no molhado.

O jogo utiliza todas (sim, todas mesmo!) as inesquecíveis melodias para colocar nossos amados personagens para requebrar. Além das versões originais, alguns remixes dão uma nova cara para as letras conhecidas. É engraçado ver alguns personagens mais sérios, como Naoto Shirogane ou o metido a machão Kenji Tatsume, requebrando ao som de coreografias muito bem encaixadas com o ritmo de cada música.

O Free Mode possui músicas que não são apresentadas durante a aventura. Nele é possível escolher o nível de dificuldade, a roupa e os acessórios usados pelo dançarino e o parceiro de dança. Se você mandar bem, ao final da música, o dançarino irá invocar uma persona que tocará um instrumento musical próprio. Há o modo All Night, extremamente difícil, que só é desbloqueado após superar as músicas no modo Hard.

Izanaghi detona esse baixo!

A jogabilidade de Persona 4: DAN segue o padrão dos títulos de ritmo já existentes no mercado: pressione o botão no momento correto para fazer pontuações perfeitas e acumular combos. A estrutura in-game, no entanto, é um pouquinho diferente. São seis botões de ação: três no direcional (cima, baixo, esquerda), triângulo, bola e xis. É possível usar os analógicos para ganhar notas extras que se somam ao seu combo. Além disso, há também notas que exigem um pressionar duplo de botões e outras que o obrigam a segurar as notas por determinado período de tempo.


No início, o jogador pode ter uma certa dificuldade com o vasto número de teclas. Além disso, como a tela do Vita é grande, o jogador desatento pode deixar passar uma ou outra nota despercebida, tendo que reiniciar o combo do zero. Com o passar do tempo e com auxílio da curva de aprendizagem imposta pelo game logo pega-se o jeito da coisa. Não vai demorar muito para o jogador partir para os níveis mais difíceis.

O que deixou a desejar mesmo foi a falta de uso dos recursos do PSVita. É inadmissível que a Atlus se abstenha de usar dois recursos importantíssimos do console: a tela sensível ao toque e o touchpad traseiro. Seria muito mais divertido realizar os comandos na própria tela e as notas de “segurar” por intermédio do touchpad. Apesar de não tirar o mérito do jogo, é obvio que isso contaria alguns pontinhos extras no quesito inovação.

Haja guarda-roupa para tantas opções

A personalização dos dançarinos é um dos fatores de destaque. São variadas roupas (algumas inéditas e outras usadas no game original) e muitos acessórios para incrementar o visual. É possível comprar óculos, headphones, perucas, entre outros apetrechos. Cada personagem possui um vasto catálogo que precisa ser desbloqueado com o dinheiro adquirido após completar cada dança. Há também alguns itens que, quando adquiridos, podem facilitar sua sessão.
Naoto-kun e Chie-san sensualizando na dança e no figurino.
A gama de personagens disponíveis é grande e por isso levará um bom tempo até que se consiga liberar todos os itens. É possível jogar com: Yu Narukami, Yosuke Hanamura, Chie Satonaka, Yukiko Amagi, Rise Kujikawa, Kanji Tatsumi, Naoto Shirogane, Teddie, Kanami Mashita e até Nanako Dojima e Margaret (somente no Free Mode). Há ainda alguns secretos que poderão ser adquiridos via DLC, como Marie e Tohru Adachi.

Como o jogo foi lançado em junho no Japão, a Atlus já tem vários DLCs prontinhos para o Ocidente. Eles serão liberados de acordo com um cronograma presente no site. Alguns serão gratuitos, mas a maioria terá valores que variam entre US$ 0.99 e US$ 4.99. Serão novas músicas, roupas, acessórios, vídeos e personagens para curtir. 

A versão japonesa já conta até com a presença da Vocaloid Hatsume Miku. A popular garota de cabelos azuis, protagonistas de vários games de ritmo, foi lançada no Japão como um DLC em agosto. O pacote também inclui a canção "Heaven feat. Hatsune Miku (ATOLS Remix)". Ela foi resenhada ao estilo "Persona" por Shigenori Soejima, ilustrador da Atlus. Ela ainda não foi confirmada no ocidente, mas é bem provável que Miku seja um personagem jogável pelas bandas de cá.

Beeeeear-sona

A ausência de um modo multiplayer também pode ser considerado um fator negativo no game. Seria bem mais divertido poder dançar em dupla com seu parceiro da vida real, seja em rede local ou via internet. Para compensar, porém, a equipe de produção investiu em conteúdos desbloqueáveis disponíveis no modo Collection, tais como artworks, informações sobre os personagens e músicas, vídeos e até a possibilidade de montar uma playlist para apenas ficar curtindo a trilha sonora de forma descompromissada. Não há nada de excepcional, mas certamente vai agradar aos admiradores de Persona 4.
Equipe do PlayStation Blast suando a camisa no estande da Atlus na E3 2015.
Persona 4: Dancing All Night é uma boa pedida para quem curte jogos de ritmo e, principalmente, para quem é fã dos estudantes de Yasogami High School. O game peca por não inovar na jogabilidade e se abster do uso de recursos importantes do PSVita. Mesmo assim, a quantidade de músicas, o visual impecável e a mecânica bem encaixada compensam.

O esforço da Atlus em tentar adicionar um pouco de história em um título de ritmo também é algo que merece ser reconhecido e parabenizado. Com boa quantidade de conteúdo desbloqueável e um seletor de dificuldade que se encaixa nos padrões de jogo, Dancing All Night acaba por satisfazer diversos perfis de jogadores. Prepare seu fone de ouvido, puxe sua carta e grite bem alto comigo: Persona!

Prós

  • Visual bonito, com personagens modelados em 2D e em 3D;
  • Modo história atrelado aos eventos de Persona 4;
  • Muitas músicas e personagens selecionáveis;
  • Jogabilidade compatível com diversos níveis de dificuldade;
  • Nostalgia pura.

Contras

  • Falta de multiplayer;
  • Não utiliza recursos do PSVita;
  • Muitos (e caros) DLCs.
Persona 4: Dancing All Night - PSVita - Nota: 8,8
Revisão: Jaime Ninice
Capa:Diego Migueis
Alveni Lisboa escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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