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Análise: Amplitude (PS3/PS4) é uma viagem musical que testará seus reflexos

Aclamado jogo do PlayStation 2 ganha um reboot de respeito pelas mãos da Harmonix, levando o jogador a um mundo abstrato de sons e cores.


Os jogos musicais já existiam há um bom tempo, mas foi logo após os lançamentos de Guitar Hero e Rock Band que o gênero ganhou maior fôlego. Afinal, quem nunca duelou com os amigos esmagando botões em “Barracuda” ou reuniu a galera para fazer apresentações com sua banda virtual? O que poucos sabem, porém, é que estes não foram os primeiros games que tiveram o envolvimento da Harmonix. Há muito tempo, antes deles, a empresa já investia nesse estilo de jogo com FreQuency, o primeiro jogo criado pela desenvolvedora, e sua sequência, Amplitude. Ambos foram lançados para o PlayStation 2 e obtiveram sucesso de crítica, mas não conseguiram alcançar tanta popularidade e acabaram passando batido por muitos jogadores. Se você está nesta lista, não se desespere: a Harmonix acaba de lançar, com a ajuda dos fãs, um reboot de Amplitude para PlayStation 3 e PlayStation 4, trazendo gráficos modernos, novas músicas e a jogabilidade desafiadora de antigamente.

O jogo já tinha visuais psicodélicos no PlayStation 2.
Inicialmente, o reboot foi idealizado pela equipe da Harmonix com o intuito de revitalizar o título original. Mas havia um problema: a empresa não poderia arcar sozinha com os custos de produção. Afinal, seria arriscado investir em um jogo que faz parte de um gênero já saturado. A solução encontrada foi criar uma campanha de financiamento coletivo no Kickstarter, que, diga-se de passagem, deu muito certo. O título arrecadou 844 mil dólares, quase 70 mil a mais do que o valor pedido inicialmente. Com isso, a equipe teve liberdade para ressuscitar um game cuja jogabilidade é familiar até mesmo para os fãs de outros jogos musicais.

O Dark Souls musical

Amplitude não exige nenhum periférico além do DualShock, o que é uma ótima notícia para quem já estava cansado de acumular instrumentos de plástico em casa. Enquanto a música toca, pequenas cápsulas descem por uma pista (ou esteira) vertical. Utilizando apenas três botões (L1, R1 e R2), o jogador precisa atingí-las no tempo certo para fazer com que a música seja executada corretamente. Assim como Rock Band, Amplitude possui várias pistas, cada uma representando um instrumento diferente, como guitarra, bateria, baixo, vocal e sintetizador. Entretanto, aqui você não terá uma banda para te ajudar e será preciso alternar entre as esteiras nos momentos indicados, acertando todas as sequências de notas que aparecem em cada uma delas. Para facilitar um pouco as nossas vidas, existem alguns “boosts” que são adquiridos ao se acertar uma sequência específica e garantem poderes especiais por um curto período de tempo. É possível, por exemplo, multiplicar seus pontos ou acertar todas as notas de uma só vez. Além disso, é claro, também estão presentes as barras de energia e de multiplicador de pontos que já são muito conhecidas pelos fãs do gênero.
Garanta pontos extras com os "boosts".
Neste momento, você já deve ter imaginado que aqueles que estavam acostumados a jogar Guitar Hero no DualShock provavelmente terão um pouco mais de facilidade em dominar as mecânicas, e isso é verdade. Contudo, não pense que a tarefa será tão simples. O jogo foi planejado pela Harmonix para ser o "Dark Souls dos jogos musicais", e não é à toa: conseguir acertar as sequências de notas em uma esteira e mudar para outra rapidamente é uma missão bastante difícil, que vai exigir prática, raciocínio rápido e o uso constante da sua visão periférica, pois cápsulas brilhantes indicam qual é a hora correta de trocar de pista.

Durante as canções mais difíceis e agitadas, porém, essa troca de esteiras acabou sendo um problema. Frequentemente, acontece de você estar em uma esteira muito longe daquela que precisa alcançar, o que acaba bloqueando a visão e impossibilitando o jogador de visualizar a nota que virá a seguir. Mas não se assuste: apesar de desafiador, Amplitude possui uma curva de dificuldade generosa e é acessível para todos os tipos de jogadores.
Pistas distantes serão o seu maior pesadelo.
Um aspecto muito interessante que pode ser observado é que o jogador não fica totalmente preso às mecânicas do título. Em vários momentos, você tem livre arbítrio para escolher qual instrumento quer utilizar para compor o som da música. Com isso, em cada partida, você pode ouvir uma melodia de várias maneiras diferentes: ora com a guitarra mais presente, ora com a ausência da voz dos cantores, e assim por diante. É algo que faz toda a diferença para um jogo desse estilo e que vai agradar aos amantes de música.

Hoje não é dia de rock, bebê

Por incrível que pareça, a parte musical de Amplitude não é o seu chamariz. Com o predomínio de músicas eletrônicas, o jogo apresenta cerca de trinta canções, sendo que dez delas foram produzidas pela própria Harmonix. O restante inclui um pouco de tudo, desde trilhas de jogos indie muito conhecidos, como Skullgirls, Minecraft e Crypt of the NecroDancer, até contribuições de artistas que também ajudaram na campanha do Kickstarter.

Neste momento, você que jogou o game no PlayStation 2 deve estar se perguntando: “onde foram parar aquelas músicas de compositores e bandas mais famosas, como David Bowie e Blink-182?” E a resposta é: ficaram lá mesmo, no passado. Isso não chega a ser um problema pela qualidade do som em si, pelo contrário; quase todas as trilhas combinam com a proposta do game e demonstram o carinho e a dedicação que a Harmonix teve durante o desenvolvimento do jogo. Contudo, este é o tipo de game que, à primeira vista, não terá o mesmo apelo de um Guitar Hero ou mesmo do primeiro Amplitude, por exemplo.
Darren Korb compôs a trilha sonora de jogos como Transistor e Bastion.
Mesmo assim, este é um título que vale a pena ser experimentado, inclusive por quem não é muito fã de música eletrônica. Confesso que a primeira impressão que tive ao jogar foi de que as músicas são um pouco repetitivas, dando a ideia de que estava sempre ouvindo a mesma canção em uma versão longa. Após algumas partidas, no entanto, comecei a perceber melhor os detalhes de cada melodia e a apreciar mais o estilo.

Vício infinito

No geral, Amplitude é bem curto (apesar do nome), apresentando apenas dois modos de jogo. Na ”Campanha”, você terá que concluir quinze músicas enquanto percorre a rede neural de uma paciente em coma. Cada região do cérebro da paciente representa uma canção específica.Esse modo não apresenta nenhuma história profunda e serve apenas como uma maneira de introduzir o jogo, caçar troféus e habilitar mais músicas e boosts. Exceto por isso, você não terá nenhum outro motivo para experimentar a campanha mais de uma vez.
Tem cérebros, mas não é jogo de zumbis.
O verdadeiro charme está no “Quickplay”, onde você poderá jogar com todas as faixas do game em diferentes níveis de dificuldade: Beginner, Intermediate, Advanced, Expert e Super. Este modo é onde você vai gastar mais tempo, seja para bater seus próprios recordes ou mesmo para uma jogatina descompromissada. É tão viciante que chega a ser difícil largar o controle.

Outro atrativo que o título traz é o modo multiplayer, que é perfeito para reunir a galera e garantir boas risadas. Você pode jogar com mais três amigos localmente, em partidas cooperativas ou competitivas, e com uma ação frenética: ao mesmo tempo em que precisará ficar de olho para chegar primeiro a uma pista e não errar as notas, deve-se usar os boosts para atrapalhar os oponentes. Entretanto, é notável a falta do multiplayer online. A Harmonix planejou incluí-lo durante a campanha no Kickstarter, porém, não foi possível arrecadar o valor exigido para que modo fosse criado. A única coisa que nos restou foi um ranking online em que você pode comparar a sua performance em cada música com amigos ou com o resto do mundo.
Partidas frenéticas com os amigos.

Viaje na nave

É claro que não poderíamos deixar de falar dos gráficos, que são um dos grandes atrativos desse reboot. Com um visual colorido e psicodélico, Amplitude ficou bem mais intuitivo e agradável de se jogar, e é um convite para que o jogador viaje pelos cenários e sinta a música de um modo que poucos títulos do gênero conseguem fazer. Algo que também é visualmente interessante, mas que não afeta na jogabilidade, são as naves espaciais do título original. No reboot, elas continuam presentes e têm uma boa explicação para existir: as cápsulas que o jogador precisa acertar aprisionam notas musicais, que devem receber tiros por meio das naves, liberando, assim, os sons.
Naves estilosa e visual incrível,
Amplitude é o tipo de jogo que não chamará a atenção pelo seu repertório, mas que merece ser experimentado por todos que gostam de títulos musicais, sejam fãs de música eletrônica ou não. Com uma ótima trilha sonora, visual hipnotizante e desafios para todos os gostos, o game é a prova de que a Harmonix acertou em cheio ao reviver este grande clássico.

Prós

  • O reboot trouxe novos ares ao clássico do PlayStation 2;
  • Gráficos belíssimos;
  • Ótima trilha sonora;
  • Jogabilidade viciante, intuitiva e desafiadora.

Contras

  • Trilha sonora pode não agradar a todos;
  • Jogo curto;
  • Falta de um modo multiplayer online;
  • Trocar de pistas durante as músicas mais difíceis atrapalha em alguns momentos.
Amplitude — PS3/PS4 — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS4
 
Revisão: Jaime Ninice
Capa: João Leal
July Dourado é aspirante a jornalista e redatora no PlayStation Blast. Sua paixão por games começou com o Nintendo 64 e só tem crescido desde então. Além dos games, também é viciada em séries de TV e gatos.

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