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Análise: The Witch and the Hundred Knight Revival Edition (PS4) é você espalhando o caos

Seja o servo da bruxa do pântano e a ajude a dominar o mundo neste carismático RPG de ação.

The Witch and the Hundred Knight foi lançado originalmente para PS3 em 2014 e agora, no mês de março de 2016, tem uma remasterização lançada para PS4, ganhando alguns elementos novos exclusivos para essa nova versão chamada de “Revival Edition”. O jogo é um JRPG de ação e a história gira em torno do Hundred Knight e da bruxa Metallia que tem como objetivo dominar e aterrorizar o mundo expandindo seu pântano.

Confira o trailer de lançamento:

Bruxas e cavaleiros

Com um enredo bem simples, o jogo mostra a jornada do Hundred Knight, um cavaleiro lendário que é invocado pela bruxa Metallia e que, por estar ligado a ela através de um contrato, deve realizar todas as suas exigências. Com um senso de humor negro, os personagens sempre participam, ao longo da história, de diálogos bem espirituosos e por vezes sem sentido algum, no maior estilo Disgaea (da mesma produtora, Nippon Ichi Software). Então, se você gosta de JRPGs com este toque mais cômico, se sentirá em casa.

Como jogador, e já tendo uma certa experiência com títulos desse tipo, não posso dizer que fiquei muito impressionado com a narrativa. Várias vezes eu me senti entediado e algumas piadas ou não se encaixavam muito bem ou não eram lá muito engraçadas, mesmo apesar de uma ou outra arrancar um sorriso e um eventual “caramba” da minha boca. Até pelo estilo mais leve e “engraçadinho”, não espere por reviravoltas ou algo muito complexo em termos narrativos, lembre-se de que os diálogos e história estão mais para o efeito cômico do que para qualquer outra coisa.


Edição renovada

Além de melhorias gráficas e estabilização da taxa de quadros (os famosos “fps” eram super instáveis na versão de PS3), a remasterização traz também novos elementos ao jogo, tais como um novo sistema de alquimia, a torre da ilusão e a possibilidade de controlar a própria Metallia na torre.

Levando o nome de “Tower of Illusion”, essa torre é basicamente um calabouço com infinitos andares e novas recompensas. Para desbloqueá-la é necessário apenas derrotar o segundo chefe do jogo e encontrar um redemoinho na região da casa da Metallia que te levará ao conteúdo extra. Para poder entrar na torre, o jogador deve “sacrificar” um item onde o nível deste ditará a força e o nível dos inimigos lá dentro.
Transforme-se em Metallia e libere magias devastadoras.


Além de ser algo infinito, é possível também controlar a terrível bruxa do pântano nos andares da torre. Para isso, basta encher uma barra de “especial” exclusiva e se transformar em Metallia. Como ela é bem poderosa e rápida, é bem divertido controlá-la nos embates, além de que com ela você consegue adquirir itens em uma velocidade muito maior. No geral, sendo bem sincero, a Tower of Illusion é, para mim, a coisa mais divertida no jogo todo.

Outra melhoria dessa nova versão ocorreu no sistema de alquimia. Agora, com a adição de novos catalisadores e itens gerados na Tower of Illusion, você pode melhorar ainda mais e de maneira muito mais versátil seus equipamentos favoritos, deixando-os ainda mais letais.


Explorando Medea

Similar a outros RPGs, apesar das áreas do mundo serem acessíveis a qualquer momento, não é possível pular livremente de uma área à outra sem antes retornar ao mapa do mundo. Isso se dá porque o jogo divide o mundo em “fases” que vão se abrindo conforme o jogador avança na história, sendo possível revisitá-las a qualquer momento. Já no aspecto da progressão do personagem, o título utiliza algo similar a um sistema de pontuação (score) e tempo. O jogo camufla essas mecânicas sob o nome de “EXP” e “Gcal”.

Explicando de uma maneira mais clara: ao entrar em uma área e realizar ações, como derrotar inimigos ou invadir vilarejos (sim, é possível), seu personagem ganhará experiência e um contador irá marcar o quanto dela você acumulou naquela exploração. Mas, o seu personagem só receberá esse valor total de experiência após sair da área, ou seja, você junta a EXP e só a recebe depois, como se fosse um “score”.

Já o Gcal é, basicamente, a “energia” que o seu cavaleiro possui. Ou, sendo mais claro, o tempo que você ainda possui para explorar a área antes que a sua chama se acabe. Qualquer ação do personagem consome Gcal (andar, atacar, defender, usar especiais) e essa quantidade só pode ser restituída ao consumir inimigos (aumentando pouca energia) ou ao trocar pontos de combate nos checkpoints. Isso faz com que a exploração seja mais controlada e que exista um senso de urgência (“preciso fazer isso logo”) por parte do jogador. Não posso dizer que isso é muito legal, mas também não posso dizer que atrapalha muito, o fator apenas existe.


Batalhas divertidas

O combate, por sua vez, é a melhor e mais divertida faceta do jogo. As batalhas são rápidas, engajantes e fluídas, principalmente devido ao poder do console que eliminou definitivamente as quedas de frames existentes na versão para PS3. Por ser um RPG de ação isométrico, você pode esperar pelo básico: muitos inimigos e chefes para você testar novas armas, poderes e é claro, sua própria habilidade.

Na parte de customização é possível equipar cinco armas diferentes em um único combo e, ao apertar o botão de ataque, o personagem atacará com a sequência de armas programada. Além disso, o jogo disponibiliza também diferentes versões do seu cavaleiro com algumas mudanças visuais. Algumas destas versões concederão mais poder de ataque com determinadas armas, mais poder de defesa, magia e mais. Tudo muito legal.


Qualidade artística e cenários

The Witch and the Hundred Knight não é lá nenhum primor gráfico, mas consegue ser bem simpático ao utilizar suas artes de maneira eficaz. Os retratos dos personagens são muito bonitos e bem definidos, apresentados em grande variedade para retratar as emoções dos personagens com clareza. Os cenários, por sua vez, são bem simples e condizem com a atmosfera do jogo e, apesar de alguns eventuais problemas com a câmera (árvores e casas mais altas ocultam personagens e inimigos), o jogo entrega dentro do esperado.

A qualidade sonora também está dentro do esperado e as faixas de música e os efeitos gerais não fogem muito do “padrão”. Não é nada excelente, mas também não é nada absurdo.


O veredito

Se você gosta de JRPGs com pegadas mais leves e cômicas semelhantes a títulos como Disgaea e Hyperdimension Neptunia, The Witch and the Hundred Knight Revival Edition será uma ótima pedida. O jogo atinge um nicho bem específico de jogadores e tem como foco principal uma experiência divertida e simples dentro do gênero de RPGs orientais. Então, apesar de possuir alguns nítidos problemas de enredo e jogabilidade, o título entrega o que promete: um jogo mediano.

Porém, se você não se encaixa nesse grupo de jogadores que aprecia esse tipo de jogo japonês, pule fora! Este aqui certamente não é para você.

Prós

  • Combate divertido e variado;
  • Belas artes deixam o jogo mais vívido;
  • Boas opções de customização do seu cavaleiro;
  • Tower of Illusion traz bons desafios.

Contras

  • História e personagens rasos;
  • Sistema de Gcal não é muito bom.

The Witch and the Hundred Knight — PS4 — Nota: 6.5
Revisão: Érika Mitie Honda
Pedro Gusmão aprecia bons jogos independente de plataforma e gênero, mas tem um apreço especial por RPGs e jogos de estratégia. Aficionado por temas fantásticos, adora passar seu tempo livre escrevendo e enfrentando seres mitológicos em videogames.

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