Resenha

Crítica: Heróis da Galáxia: Ratchet e Clank (Filme) é simples, mas divertido

Primeiro longa de animação da dupla de heróis dá algumas escorregadas, mas saldo é positivo.

No último sábado, dia 30 de abril, ocorreu a pré-estréia de Heróis da Galáxia: Ratchet & Clank, primeira animação da dupla de heróis da Sony, criada em 2002 pela Insomniac Games. Agora, com o lançamento do jogo de PS4, o qual já temos uma análise, a série sofreu um reboot, em uma tentativa de trazer a franquia para um novo público. Nunca joguei nada da série antes, então talvez seja essa minha situação. Assim, sem saber muito o que esperar, fui assistir ao filme.


É interessante notar que Ratchet & Clank, talvez por terem nascido depois da “era de ouro dos mascotes” nos anos 90, nunca explodiram de popularidade, embora tenham um público que justificou a criação de diversos novos jogos durante os anos. Mas será que a aposta em uma animação valeria o investimento? É o que veremos nos próximos parágrafos.

Racthet sempre se destacando na multidão
A história começa com Drek, o vilão do filme, destruindo um planeta no melhor estilo Estrela da Morte. A notícia corre rapidamente para os outros planetas do sistema Solan. Dessa forma, os Patrulheiros Galáticos são convocados para dar um fim a esse perigo. Junto a isso, os patrulheiros também anunciam que irão selecionar um quinto integrante para o grupo.

Essa é oportunidade que Ratchet vê de realizar seu sonho de criança e atuar lado a lado com seus heróis. Em especial o Capitão Qwarck, seu ídolo. Obviamente as coisas não saem como o planejado para o pequeno “lombax”, mas o encontro inesperado com Clank, um robô defeituoso do exercito de Drek, muda a situação.

Por algum motivo ele ficava se mexendo quando fui tirar a foto. Devia ser a emoção..
A partir desse contexto o filme se desenrola. Existem algumas viradas interessantes na história, mas nada em especial. O enredo não trás camadas de profundidade, como nos acostumamos a ver nos filmes da Pixar, por exemplo. Acredito que nem foi essa a intenção, embora eu tenha ficado com a impressão que algumas coisas foram meio “jogadas” na trama. Por exemplo a personagem Elaris, uma dos quatro patrulheiros galáticos, não aparece na primeira grande batalha. Durante a cena fiquei pensando onde ela poderia estar ou se eu tinha contado errado. Só depois você entende porque ela não estava lá. Essas falhas poderiam ser melhor trabalhadas.

Embora a história em si não seja um dos pontos fortes do título, me simpatizei bastante com os personagens. Ratchet não é aquele protagonista “quero ser forte revoltado da vida” que cansamos de ver por ai. Clank é bem simpático, mesmo sabendo que talvez seja mais esperto que todo mundo ali na confusão. O mesmo vale para os membros da Patrulha e para os vilões do filme. Até o robozinho assessor de Drek, embora apareça bem pouco, é um dos mais divertidos.

Capitão Qwarck, o grande herói de Ratchet
Não tendo a trama como uma grande chamativo, o filme é focado em dois pilares básicos: ação e humor. Quanto ao primeiro, temos combates entre exércitos de robôs, naves espaciais e uma infinidade de armas com funções diversas. Embora eu não consiga destacar uma cena em especial, acho que no conjunto da obra, essa parte da animação é bem competente.


Já o quesito humor é bem forte. Eu quase poderia dizer que temos aqui um filme de comédia. Praticamente toda cena temos alguma piada em curso, seja por uma fala engraçada do narrador, um soldado mexendo no celular quando não deve ou Ratchet testando seus novos equipamentos. Enquanto algumas são bem colocadas — me fizeram rir bastante, alias — em outros momentos achei que o filme pecou pelo excesso, prejudicando algumas passagens.

Os grandes heróis unidos
Falando nas piadas, tiro aqui um tempo para falar da excelente dublagem do filme. Ao contrário do que é costume em grandes animações, não há “estrelas” no elenco, como apresentadores, youtubers ou outras celebridades do tipo. Todas as vozes são conhecidas da dublagem profissional brasileira, o que me surpreendeu positivamente. Ainda mais pela versão legendada trazer nomes famosos como Rosario Dawson, John Goodman e Sylvester Stallone.

Não somente a dublagem em si ficou boa, mas a localização do texto. Não tive acesso a versão legendada, mas a versão em português soa bastante natural. Algumas piadas que trazem contexto do nosso dia a dia foram as melhores. Um ótimo trabalho nesse aspecto.



Heróis da Galáxia: Ratchet e Clank certamente não será “A” grande animação do ano, podendo ser considerada até mesmo meio "boba", mas me divertiu enquanto estive na sala de cinema. O filme traz bons personagens e a dublagem nacional foi muito bem executada. Deixa devendo um pouco no roteiro, que poderia ser melhor trabalhando, e no excesso de piadas em algumas partes.

De toda forma, é uma boa pedida para o público jovem, ou para aqueles não tão jovens, mas que cresceram regados a video-game, mesmo não sendo fãs da franquia, como foi meu caso. Mas esteja ciente que aqui você só vai ter uma boa sessão pipoca e nada mais.

O filme estreia no dia 05 de maio, com cópias dubladas e legendadas, em versões 2D e 3D.

Flávio Augusto Priori é formado em design de jogos e tenta ganhar a vida com esse negócio chamado video game. Para ele Metal Gear é a melhor série já feita e ainda acredita na volta da SEGA. Escrevia para o saudoso Minha Tia Joga LoL e hoje pode ser achado no Facebook e no Twitter.

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