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Análise: Fairy Fencer F: Advent Dark Force (PS4) é puro humor e pancadaria

Procurando um JRPG com muita ação e garotas bonitinhas? Acabou de achar.

Fairy Fencer F Advent Dark Force (PS4), é a expansão do jogo de mesmo nome lançado originalmente para PS3 e PC que conta a história de Fang, um protagonista bem preguiçoso que vai em busca das Furys, armas capazes de libertar o selo da deusa e trazer paz ao mundo. Parece bem clichê, mas a pegada é essa mesma, parecer o mais clichê possível para fazer piadas em cima disso e entregar uma história bem simples e cheia de gracinhas.

Se você é familiarizado com a série Hyperdimension Neptunia (PS3/PS4/PS Vita), logo vai perceber que as semelhanças são imensas. Isso tem um motivo: Fairy Fencer F também é desenvolvido pela Compile Heart e possui a mesma base: uma história engraçadinha com várias camadas de sistemas para o combate, fazendo o jogador sentir cada vez mais a progressão dos seus personagens ao avançar na história.


Puxando sua Fury e começando a jornada

A história do jogo gira em torno do Demônio e da Deusa, duas entidades que depois de uma furiosa e duradoura batalha foram selados por várias Furys, armas especiais geradas pelo próprio embate dos dois. Surgem então os Fencers, aventureiros que usam os poderes das Furys para retirar o selo do Demônio ou da Deusa com o objetivo de atingir o caos ou paz.

Da forma mais genérica possível, Fairy Fencer F começa daquele jeitão de sempre: seu herói vai a procura de uma espada cravada no meio de uma floresta, já que ela pode aparentemente conceder desejos. Ao encontrar a Fury, Fang consegue retirá-la da pedra (Oi rei Arthur!) para já fazer uma piada depois, dizendo que não a quer mais, pois seu desejo é algo que a arma não pode conceder: comer algo gostoso (bestinha, eu sei!). É a partir daí que a jornada improvável de um protagonista preguiçoso começa, já com uma enxurrada de piadinhas.

Lembro que em uma conversa qualquer com um NPC ele me pede para analisar meus equipamentos, Fang corta logo e diz que não, pois o mesmo tinha o nome bandido estampado na tela. Esse tipo de brincadeira com o próprio jogo é tão comum que é fácil gargalhar da maneira mais aleatória possível.


Conteúdo extra

Já que é uma expansão, o jogo conta com algumas adições que dão uma longevidade maior. É possível escolher entre seis dificuldades: amador (amateur), fácil (easy), normal, difícil (hard) e inferno (hell), sendo que quão mais difícil você escolher, melhores são as recompensas ao derrotar monstros. No Fairy Fencer F original, havia apenas a dificuldade normal.

Na parte da história, o jogo faz uma grande adição: diferentemente do título anterior, em que era possível apenas conseguir finais diferentes, no jogo expandido há três rotas diferentes. Explicando de maneira simples, em Advent Dark Force, dependendo da quantidade de espadas que você retirar dos selos das estátuas do Demônio e da Deusa, a história se molda de maneira diferente, resultando em mudanças nos diálogos e interações entre personagens, além de finais diferentes, é claro. Vale lembrar que essas outras rotas são mais recomendadas para quem já finalizou o jogo na rota normal, a da Deusa.

O combate também recebe uma melhoria nessa versão, sendo agora possível ter um grupo de até seis personagens em batalha ao invés de três, além de ser possível ter a personagem Marianna no seu grupo, dependendo da rota escolhida. Vale dizer que por estar em uma plataforma mais potente, o jogo roda a 60 quadros em 1080p e não possui telas de carregamento.


Hora de morfar!

Se há uma coisa que eu diria que é a mais legal de todas nesse jogo são as transformações, que com direito até a musiquinha especial (que é muito boa por sinal) dão uma sensação muito legal de poder para os seus personagens, além de serem extremamente úteis em lutas contra chefes.

Junto às transformações, cada personagem também é focado em algum elemento (fogo, terra, vento, ar, gelo, etc) e tem uma mecânica própria. Fang, o personagem principal, tem a habilidade “super cara séria”, que quando ativada aumenta em 1.5x o dano do personagem ao custo de 30 de SP (mana) a cada ataque, já Tiara, pode ativar uma barreira que reduz muito o dano de qualquer fonte, Harley pode analisar a ficha de cada inimigo e assim por diante. Sempre fazendo cada personagem ter seu próprio jeitinho e utilidade.


Exploração e progressão

Uma coisa muito boa da progressão é que você nunca está sem objetivos para cumprir e personagens para melhorar. O jogo traz tantas mecânicas em cima de outras mecânicas que fica difícil não estar fazendo algo novo sempre, há ataques em grupo, habilidades especiais com transformações especiais, armas para melhorar com pontos especiais, missões paralelas, dungeons extras, nível máximo em 999, fadas para equipar e evoluir, e tantas outras coisas. Você estará sempre melhorando algo não importa o que esteja acontecendo, e isso é bom.

A parte da exploração já é um pouco complicada, o jogo se utiliza de layouts fixos e sem complexidade nenhuma para as dungeons, a maior parte dos inimigos comuns são desinteressantes e as batalhas normais podem se tornar puro tédio depois de algumas horas, pois são sempre a mesma coisa: solte alguma habilidade, pule a cena, acabe a luta, solte alguma habilidade, repita ao infinito.



Sobre as dungeons, o que as torna particularmente ruins é que elas não tem nada demais, são apenas mapas genéricos com salas interligadas umas nas outras, sem muita variação e com alguns inimigos jogados aqui e ali até chegar nas batalhas contra chefes. Batalhas essas que são as mais interessantes do jogo e demandam alguma estratégia. Entre os tipos de localidades exploráveis estão a caverna congelada, o campo infestado, o vulcão em atividade, a cidade em ruínas e assim por diante. Bem clichê mesmo.

Dito isto, eu ficaria muito mais contente se a equipe tivesse usado dungeons geradas proceduralmente com salas mais bem detalhadas, típico de dungeon crawlers. O que infelizmente não é o caso.


O veredito

Não há muito o que dizer, se você gosta de “anime games”, da série Hyperdimension Neptunia, e mecânicas exageradas nos seus JRPGs, pode cair fundo, é diversão certa. Com sua narrativa engraçada e clichê, pode se preparar para ser pego no meio dos gracejos e soltar muita risada. Para além disso, o jogo oferece uma progressão muito boa, só não espere que as dungeons sejam do mais alto primor técnico.

Se esse é seu nicho, Fairy Fencer F: Advent Dark Force é uma excelente pedida, pois entrega aquilo propõe.

Prós:

  • Várias camadas de mecânicas focadas no combate;
  • Narrativa diferenciada que não se leva a sério e é bem engraçada;
  • Arte e animações excelentes;
  • Novas rotas;
  • Adição de grupos de seis personagens.

Contras:

  • Design de dungeons e inimigos comuns desinteressante;
  • Apesar de ter uma narrativa engraçada, a história não apresenta reviravoltas e nem nada demais.
Fairy Fencer F Advent Dark Force — PS4 — Nota: 7.0

Pedro Gusmão aprecia bons jogos independente de plataforma e gênero, mas tem um apreço especial por RPGs e jogos de estratégia. Aficionado por temas fantásticos, adora passar seu tempo livre escrevendo e enfrentando seres mitológicos em videogames.

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