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Análise: Laser Disco Defenders (PS Vita) é uma dança bonita, mas passa rápido

Jogo traz belo visual e boas ideias, mas não oferece muito conteúdo.

Conseguir escolher as palavras corretas para falar sobre Laser Disco Defenders, jogo de PS Vita feito pela desenvolvedora Out of Bounds, foi um tanto quanto complicado. Talvez não tanto quando minhas habilidades de dança, mas exigiu certo cuidado. Digo isso, pois o título que temos aqui tem pontos positivos interessantes, mas, no geral, ficou uma sensação meio estranha.




Os Laser Disco Defenders são uma família de vigilantes espaciais vestidos no melhor estilo Disco dos anos 1970. A missão deles é garantir que o universo esteja seguro do terrível Lorde Monotônico, vilão que quer instaurar uma única música para a todos dominar.

Essa é a história. Seu objetivo é chegar ao final e evitar que o mal ganhe. Nada complicado e nem é esse o objetivo aqui. LDD é um jogo puramente sobre mecânicas, mas, de toda forma, a temática “dance” é bem agradável e bem executada.

Começando a falar pelas coisas boas, a primeira qualidade de LDD é seu visual, deveras bonito. As artes são bem coloridas, com um estilo chamativo e que já agrada no primeiro olhar. Cada um dos personagens jogáveis tem seu estilo próprio, e mesmo inimigos são feitos de forma que nada parece genérico visualmente. Talvez a única falha aqui sejam os cenários, que não mudam muito. Mas o maior destaque realmente fica para os heróis.

Mecanicamente, LDD é um shoot’em up com fases procedurais. Isso significa que, a cada partida, os estágios serão completamente novos. Não que exista muita diferença. Todo o jogo se passa em cavernas. O que de fato terá importância será a localização e ordem de inimigos. Quanto aos heróis, eles se diferenciam por sua velocidade de movimento e quantidade de vida inicial.

O tiro padrão pode ser alterado com itens desbloqueáveis
O grande diferencial do título é o funcionamento dos tiros, que permanecem no cenário o tempo inteiro. Sejam os seus disparos ou os dos inimigos, todos ficam passando e rebatendo no cenário. Isso faz com que, após não muito tempo, você tenha a companhia de diversos lasers passeando pela fase, que podem tanto te ajudar a limpar os adversários ou servirem de desafio extra para se manter vivo.

O modo história é bem curto, mas não significa que será rápido terminá-lo. A cada estágio, o pico de dificuldade aumenta consideravelmente, e aqui mora umas das minhas críticas a Laser Disco Defender. Ele é desnecessariamente difícil, não há uma curva suave. E ele é difícil somente “porque sim”. Não existe um aprendizado consistente. Claro que, com o tempo, você vai pegando o jeito dos controles, mas isso não é garantia que você se sairá bem. Um cristal no chão pode ser a chave para matá-lo e recomeçar o jogo do zero.

Existem algumas (poucas) peças de roupas extras que destravam algumas habilidades passivas, mas nada muito profundo. Há também missões secundárias, como obter dez mil pontos ou destruir um tipo de inimigo X vezes em uma mesma tentativa. Mas nada disso é suficiente para segurar o interesse no título por mais do que cinco ou dez minutos por vez.

Isso vai dar uma treta...
Laser Disco Defenders não é um jogo ruim. Ele é bem competente com o básico, trazendo um visual bacana e ideias novas para shoot’em ups, como o sistema de tiros que ricocheteiam pela fase. Contudo, apesar de ter uma boa base, falta algo mais substancial, que segurasse o jogador por mais tempo. Talvez uma campanha maior, com mais variedade de cenários ou mesmo se o jogo adotasse um modelo de negócio baseado no “Free to Play” pudessem ser alternativas interessantes. De toda forma, ainda é uma opção interessante para você jogar no consultório do dentista ou enquanto espera a janta ficar pronta.

Um último detalhe: os desenvolvedores prometeram que a versão de Vita terá o recurso cross-buy com a vindoura edição de PS4, o que sempre é um recurso bem vindo.

Prós 

  • Parte visual muito bonita;
  • Trilha sonora;
  • Bom passatempo 

Contras 

  • Dificuldade elevada e desnivelada;
  • Falta de objetivos para manter o jogo interessante;
  • Poucas opções de personalização;
  • Objetivos secundários rasos.

Laser Disco Defenders — PS Vita — Nota: 6.5

Revisão: Vítor Tibério

Flávio Augusto Priori é formado em design de jogos e tenta ganhar a vida com esse negócio chamado video game. Para ele Metal Gear é a melhor série já feita e ainda acredita na volta da SEGA. Escrevia para o saudoso Minha Tia Joga LoL e hoje pode ser achado no Facebook e no Twitter.

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