Jogamos

Análise: Strike Vector EX (PS4) é mistura frenética de naves e shooter

Um bom jogo que mescla uma ação desenfreada com movimentos bem pensados.



Se você está cansado de jogar sempre o mesmo estilo de Shooter, deve dar uma chance para Strike Vector EX. Aqui ao invés de controlarmos soldados empunhando armas, nós controlamos naves espaciais tunadas em combates estelares numa velocidade extremamente alta.

O jogo original foi lançado apenas na Steam no ano de 2014, e essa é a versão melhorada que recebeu a alcunha de EX. Nele podemos jogar tanto em primeira pessoa como em terceira. Fica à escolha do jogador qual será o modelo usado durante a jogatina.

O aprendiz e seu caminho à glória.

Na história do jogo nós seguimos o aprendiz de piloto Marv que, rapidamente, se torna um dos principais pilotos da esquadra. Mas assim que Antonio aparece, ele parte para o lado deste que viria a ser o seu mentor.

O enredo do jogo é extremamente superficial e simplista, e por vezes ele é confuso. Chega uma hora que uma onda de traições começam a acontecer, mas ficamos meio sem saber o porque elas acontecem. Marv muda de time algumas vezes, mas a real razão por detrás disso fica mal exposta.

São quinze capítulos que tem uma duração de 4 à 12 minutos, e o nível de dificuldade do jogo é progressivo, vai aumentando conforme passam os capítulos. A história foi colocada aqui para aumentar o replay do jogo.

E ela é desenvolvida por meio de diálogos feitos entre os capítulos, mas tudo acontece de maneira muito rápida e superficial. Os personagens tomam decisões sem pensar muito e somos basicamente espectadores das decisões alheias. E isso é meio decepcionante, se tivessem colocado para os jogadores fazerem algumas escolhas eu acredito que agregaria bem ao jogo.

Os personagens são retratados por meio de pinturas muito bonitas, porém eu senti que faltaram cenas animadas para melhor ilustrar os acontecimentos do jogo. Mas depois de algum tempo você se acostuma com as imagens estáticas e não às estranha tanto.

Os gráficos do jogo, tanto com os Vectors como nos mapas, são muito bons. A quantidade de objetos e coisas voando na tela é absurdamente grande. Alguns mapas são no meio do espaço, e logo vemos pedaços de templos ou estações espaciais a esmo na vastidão. Além disso, podemos ver também alguns planetas ao longe que nos dão uma noção do tamanho da vastidão do universo que o jogo se passa.

Os diálogos do jogo são dublados, todos em inglês. Os atores aparentam estar sem emoção alguma. Uma catástrofe aconteceu? Voz monótona. Uma coisa boa aconteceu? Voz monótona. Chega a ser um pouco frustrante essa indiferença do personagem com relação aos acontecimentos. Isso é ruim mas não compromete a jogatina, já que o foco aqui é o Multiplayer Online.

Além disso, para aumentar o replay do jogo, foram incluídos 4 estádios. Nesses Stadium temos que realizar provas de speedrun em telas do jogo, em cada uma das telas temos que cumprir certos objetivos para poder seguir para o próximo ponto. O jogo conta com um sistema de Ranking mundial de tempo, e lá ficam registrados todos os tempos e pontuações alcançados.

Voando e detonando adversários

Striker Vector EX tem uma jogabilidade que às vezes é muito boa, outras muito falha. Quando estamos voando em campo aberto e caçando nossos adversários os controles funcionam excepcionalmente bem, fugir de tiros inimigos é fácil.

A coisa só fica um pouco mais complicada de se controlar quando estamos em corredores estreitos ou recheados de entulho. O controle nessa hora fica um pouco prejudicado pois quando a nossa nave encosta no chão ela “quica” e perdemos o controle, dependendo do desvio ela acerta algum obstáculo ou parede e a explode. Às vezes a nave encosta em alguma coisa no caminho e também explode. Controlar o Boost da nave nesses corredores é um caos, e a velocidade normal dela é extremamente lenta, em situação de combate é difícil voar lentamente.

A mira aqui funciona muito bem e é fácil focar nos adversários e em objetos que podem ser explodidos no ambiente. Eu confesso que fiquei extremamente surpreso em ver o quão bem funciona a mira e como é divertido explodir as naves adversárias. Até mesmo aqueles inimigos que começam a fugir pelo mapa depois de receber um bom dano são facilmente colocados na mira e, então, vencidos.

Os adversários comuns são eliminados quase sem nenhum esforço, mas a coisa muda um pouco de figura quando temos que enfrentar os chefes do jogo. Mas mesmo eles seguem um padrão, e depois de algumas rodadas é fácil pegar o ritmo e vencer o capítulo.

Personalizando e modificando nosso Vector

Em momento nenhum nós vemos personagens humanos no jogo, vemos apenas as naves. E elas podem ser customizadas de acordo com a vontade do jogador. São sete tipos de armas disponíveis, sendo que cada uma tem sua própria peculiaridade. A primeira arma é a Carabine, que dá um tiro do tipo rifle, a segunda é o Homing Missiles, que são mísseis teleguiados, a terceira é a Gatling, a famosa metralhadora, a quarta é a Plasma Gun, essa arma mata com um só tiro, mas a precisão dela tem que ser perfeita, a quinta é o Rocket Launcher, que dispara foguetes em linha reta com um alto poder de destruição, a sexta é a Shotgun, uma espingarda destruidora no combate corpo a corpo, e a última é a Swarm Missiles, que dispara uma série de mísseis ao mesmo tempo.

De todas essas a que eu mais gostei foi a Gatling, ela é muito rápida e não precisa ficar recarregando toda hora. Então, para combates corpo a corpo fica mais fácil de destruir os inimigos, já que dependendo da arma do adversário, teremos alguns segundos de vantagens para derrubá-lo.

Para incrementar as armas podemos equipar um “complemento” para elas. São oito os disponíveis, contudo, algumas armas não aceitam todos os complementos. O primeiro é o Damage +, que aumenta o dano causado por nossa arma, o segundo é o Rate +, que aumenta o raio de de tiro da arma, o terceiro é o  Blast +, que aumenta o dano causado por mísseis, o quarto é o Range +, que aumenta o alcance da arma, o quinto é o Silent, que irá te esconder no mapa, mesmo que você atire, o sexto é o Large Mags, que aumenta a munição da arma, o sétimo é o Spread +, que aumenta o ângulo de acerto da arma, e o último é o Fast Reload, que diminui o tempo de recarga das armas.

Alguns são muito bons, como por exemplo o Damage +, ou o Range +, mas o que eu mais gostei de usar foi o Spread +. Ele facilita na hora de acertar o adversário quando estamos atirando o e usando o Boost ao mesmo tempo.

Além das armas, podemos escolher entre 8 Special Actions, que são ações que podemos usar para destruir nosso inimigos, o primeiro é o EMP, um impulso eletromagnético que desabilita as capacidades dos Vectors inimigos, o segundo é o Ghost, um escudo ótico que permite camuflar o seu Vector, o terceiro é o Instant Shield, que provém proteção total por um curto período de tempo, o quarto são as Mines, que liberam múltiplas minas atrás do seu Vector, o quinto são as Nano Machines, que curam o seu Vector e os outros em um raio de ação, o sexto é o Rocket Booster, que aumenta absurdamente a velocidade do seu Vector, o sétimo é a Stalker Mine, uma mina que procurar o adversário no mapa para destruí-lo, e o último é o Tesla Coil, que cria um campo elétrico em volta do Vector e causa dano nos inimigos.

O melhor para se usar em batalha aqui é o Tesla Coil. Como eu praticamente só usei a Gatling, eu precisava chegar perto dos adversários para destruí-los mais facilmente. E já que essa melhoria cria um campo de raios em torno do nosso Vector, então causamos danos duas vezes.

A última personalização que tem relevância em batalha são as Especializações, que facilitam o combate. São um total de sete especializações disponíveis, a primeira é a Hyper Scope, que aumenta a capacidade de zoom quando estamos parados, o segundo é o Long Range Radar, que aumenta a capacidade de detectar os inimigos, o terceiro é o RCS Enhancer, que aumenta a velocidade do Vector sem utilizar o boost, o quarto é o Nitro Booster, que aumenta a velocidade quanto utilizamos o boost, o quinto é o Infrared Sensor, que permite detectar os inimigos através dos obstáculos, o sexto é o Heavy Armor, que aumenta a capacidade de defesa do Vector, e o último é o Stealth Enchancer, que faz com que o adversário precise chegar perto do nosso Vector para localizá-lo.

Durante quase todo o tempo eu gostei mais de usar a Heavy Armor, já que ela aumenta o tempo que ficamos vivo. Essa combinação com a Gatling e com o Tesla Coil foi perfeita para mim. Já que me garantia mais tempo durante a partida e me permitia acertar mais tiros no adversário. Várias foram as vezes que eu sobrevivi com 10 ou 15 de vida.

Além das armas, podemos comprar com Kebs algumas modificações que não mudam nada a experiência do jogo. O cockpit tem seis modelos possíveis, é aqui que ficam os pilotos. A engine também tem seis modelos disponíveis e modificam a parte de trás do Vector. E por fim temos vários adesivos que podemos colocar nas asas do Vector para dar aquele toque pessoal. E podemos também pintar e aplicar padrões  nessas partes, então é quase impossível de se ver dois Vector iguais no jogo.

Quebrando tudo no Online

Minha primeira experiência com o Online do jogo foi um pouco traumática. Ao tentar acessar o primeiro modo, chamado de Squad Battle, que é basicamente o modo de combate de times, aconteceram duas vezes o mesmo erro, de número CE-34878-0, que é basicamente um erro em jogos que são mal otimizados ou tem bugs e falhas. Tentei acessar uma terceira vez e, aí sim, funcionou normalmente.

O Multiplayer Online consiste em seis modos de jogo que podem agradar todos os tipos de jogadores. O primeiro modo é o já citado Squad Battle, que é um combate de times. Esse modo é extremamente divertido e aqui é muito fácil de subir níveis e acumular Kebs, o dinheiro do jogo, que é usado para comprar extras para as nossas naves.

O segundo modo de jogo é o Demolition, o objetivo aqui é invadir a base inimiga e destruir tudo o que for possível, além de desviar e destruir as naves adversárias. Esse modo eu achei um pouco lento e desbalanceado pois demora-se muito tempo para destruir qualquer coisa, então ficamos muito suscetíveis a ataques inimigos.

O terceiro modo é o Capture the Flag, modo muito comum em jogos de FPS. O quarto modo é o Battle, o famoso todos contra todos. O quinto é o Bounty Hunter, que consiste em destruir tudo o que puder e acumular o máximo de Kebs possível, quem atingir a quantidade pedida ganha a partida. O último modo é o King of the Hill, uma batalha em grupos que consiste em proteger um Core no centro do mapa.

O modo online no geral é extremamente divertido. Mas sinceramente eu não consegui perceber se todas as partidas que eu joguei foram contra bots ou se foram contra jogadores humanos. Os nicks que apareciam na tela eram quase sempre, Tetsuo, Ryu, Apollo. Então, eu não sei dizer se o jogo “esconde” os nossos gamertags ou se eram bots.

Mas isso é o de menos já que o modo online é muito bom e divertido. Os controles funcionam bem e não senti delay nenhum enquanto jogava, mesmo assistindo um vídeo por streaming na tela do meu PC. Então, se você está procurando um shooter diferente dê uma chance a Strike Vector EX, você não vai se arrepender.

Prós

  • Gráficos bonitos e polidos;
  • Grau de dificuldade crescente e desafiador;
  • Jogabilidade refinada;
  • Excelentes opções de Customização;
  • Modo Online extremamente divertido.

Contras

  • Dublagem monótona;
  • História confusa e genérica;
  • Personagens fracos e sem graça.
Strike Vector EX — PS4  Nota: 8.5

Ailton Bueno escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook