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Análise: Psycho-Pass: Mandatory Happiness (PS4/PS Vita) expande o universo do anime

Esse visual novel traz trama e personagens inéditos e é perfeito para os fãs da série animada.

Psycho-Pass é um anime conhecido pela sua trama densa e cenas chocantes. Por conta disso, nada mais natural que um jogo baseado nele tenha como foco justamente a história. Psycho-Pass: Mandatory Happiness é um visual novel para PlayStation 4 e PS Vita (e futuramente PC) que coloca o jogador no centro de uma narrativa tensa e interessante.

Futuro (quase) perfeito

Em um futuro distante, o Japão conseguiu uma sociedade ordenada com o julgamento do Sybil System, um sistema capaz de analisar as emoções das pessoas. Com isso, o Sybil dita como os indivíduos podem ter uma vida feliz e realizada. O sistema também consegue medir o “coeficiente de crime” de um cidadão, ou seja, a probabilidade de alguém cometer um crime. A polícia utiliza esse coeficiente, intitulado “Psycho-pass”, para prender ou até mesmo executar os suspeitos por meio de uma arma especial chamada Dominator. O anime foca nos trabalhos de uma das divisões da polícia, que tem como membros Inspetores e Enforcers (indivíduos cujo Psycho-pass é bem elevado e basicamente são considerados criminosos).


A trama de Mandatory Happiness acontece logo após o início da primeira temporada do anime. A divisão policial de Tsunemori Akane investiga uma série de casos com a ajuda de dois novatos. Nadeshiko Kugatachi é uma inspetora que perdeu suas memórias depois de um acidente e é sempre prática e sem emoções. Já Takuma Tsurugi é um enforcer que apresenta personalidade forte e busca uma velha amiga desaparecida. O vilão da vez é Alpha, uma pessoa que tem como objetivo maior trazer a felicidade para todos — a questão é que o conceito de “felicidade” dele é bem estranho, o que no mundo de Psycho-Pass pode muito bem significar crimes cruéis.

Na pele da polícia

Mandatory Happiness é um visual novel bem tradicional. Basicamente, ele é um livro com alguns poucos momentos de interação: você acompanha a história por meio de textos, imagens estáticas e dublagem (em japonês). Em alguns poucos momentos, é necessário fazer escolhas que podem mudar significativamente os rumos da trama. Como é de costume do gênero, o jogo conta com várias linhas de história e múltiplos finais. É possível acompanhar a narrativa do ponto de vista de Nadeshiko ou Takuma, cada qual com várias cenas exclusivas.


A trama é bem interessante e explora temas e situações já vistos na série animada, como o preço a se pagar pela suposta segurança dada pelo Sybil System e até mesmo questões filosóficas sobre sociedades distópicas. Como era de se esperar, existem momentos muito tensos e que exigem que o jogador faça escolhas difíceis — fiquei angustiado em várias situações. O chato é que alguns acontecimentos parecem bem familiares para quem já assistiu o anime, contudo não deixa de ser uma experiência legal.

Algo muito legal em Mandatory Happiness é que o Psycho-Pass dos protagonistas pode mudar drasticamente de acordo com as escolhas feitas. Eliminar um suspeito, por exemplo, pesa muito na mente e deixa o personagem instável. Já ações mais conciliatórias ou até mesmo a ingestão de um remédio terapêutico podem melhorar o estado mental do protagonista. É sempre importante prestar atenção nisso, pois o Pyscho-Pass do personagem afeta o andamento da trama. Um exemplo é Nadeshiko: caso a “cor” da mente dela esteja ruim, certas escolhas não podem ser feitas com a desculpa de “sua mente está instável”. A essência da trama em si não muda muito com as escolhas, mas influencia como os protagonistas reagem aos acontecimentos — sempre fiquei me perguntando como os personagens iam mudar de acordo com minhas respostas.


O jogo é claramente direcionado aos fãs do anime, já que somente os novos personagens são apresentados e têm algum desenvolvimento em suas personalidades. Não é completamente necessário ter um conhecimento prévio dessas pessoas e de conceitos desse universo, mas com certeza a experiência será mais completa ao saber desses detalhes — nada que um menu simples listando um resumo dos personagens não resolvesse, mas infelizmente não há isso. Algo legal no título é que ele expande e explica certos detalhes sobre o mundo, como o funcionamento de certas tecnologias, algumas regras e atividades dos policiais. Todas essas informações importantes ficam em um menu chamado Tips e também ajudam a entender detalhes dos casos.

Dificuldades para conferir tudo

Mandatory Happiness tem vários finais e linhas de história. É interessante ver tudo de todos os ângulos e só é possível ver completamente o desenvolvimento dos protagonistas desse jeito, mas é uma tarefa custosa. O problema é que o jogo oferece ferramentas extremamente limitadas para saltar por partes vistas anteriormente: há somente uma opção para fazer o texto avançar de maneira automática bem rápido. Isso deixa as coisas cansativas e dependendo do primeiro final alcançado talvez não haja interesse em ver os outros. Acredito que seria interessante ter algum recurso que permitisse pular direto para os momentos de escolha e uma espécie de menu que mostrasse o que já foi visto ou não, com direito a um resumo da história.

Fora do jogo principal, há um pequeno minigame que é exatamente uma versão modificada do popular jogo 2048. Com os pontos adquiridos nesse modo, é possível comprar ilustrações e clipes de voz dos personagens.

Experiência para fãs

Psycho-Pass: Mandatory Happiness traz uma ótima história e expande o universo do anime. É bem interessante (e tenso) acompanhar Nadeshiko e Takuma pelos casos envolvendo o inusitado Alpha, ao mesmo tempo em que temos que gerenciar suas sanidades mentais. O título tem várias linhas de história e múltiplos finais, mas é uma pena que é um pouco custoso explorar todas essas tramas. Ele também não introduz direito personagens e situações, é importante conhecer tudo isso antes de jogar para aproveitar completamente história. Sendo assim, Psycho-Pass: Mandatory Happiness é recomendando para os fãs do anime.

Prós

  • Trama interessante;
  • Expansão do universo do anime;
  • Múltiplos finais e tramas.

Contras

  • Ausência de recursos para facilitar partidas subsequentes.
Psycho-Pass: Mandatory Happiness — PS4/PS Vita — Nota: 7.5
Versão utilizada na análise: PS4
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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