Jogamos

Análise: MeiQ: Labyrinth of Death (PS Vita) mata qualquer expectativa

O novo jogo da Compile Heart promete mais do que é capaz de cumprir.


MeiQ: Labyrinth of Death (PS Vita/PC)  é o segundo jogo da série Makai Ichiban Kan, uma desconhecida franquia, que chegou tardiamente ao mercado ocidental e acabou não chamando muito a atenção. Da mesma maneira que o primeiro título, MeiQ  é um dungeon crawl com alguns elementos visuais ao estilo ecchi.

O dia em que a Terra parou

A história do jogo se passa em um planeta, cuja rotação um dia simplesmente parou. Logo, a parte habitável do mundo ficou mergulhado em trevas e monstros começaram a vagar livremente na calada da noite. A única maneira de fazer com que o planeta volte ao normal é encontrar o sopro da Planet Key.  Com esse objetivo em mente, a jovem Estra se junta as Machina Mage e se alia ao misterioso Dragon Skull Warrior para desafiar os guardiões e deidades das quatro torres e tentar recuperar a luz do mundo.

Trevas

A trama do jogo é bastante simples e objetiva, você deve entrar em cada uma das quatro torres e se banhar na água de suas fontes para finalmente ter acesso a Planet Key. A princípio é inegável certa semelhança com o enredo de alguns jogos da série Final Fantasy, ainda mais quando comparamos os cristais deste último as fontes de MeiQ, mas diferentemente da clássica série de RPG, a medida em que a história se desenrola fica nítido o quanto a narrativa é rasa e previsível.

Uma das principais razões disso é o tom não só da história como de todo os outros aspectos do game, que em nenhum momento são bem definidos. É como se o jogo nos fizesse diferentes propostas, mas falhasse na execução da maioria delas.

Para se ter um ideia, já nos primeiros minutos de jogatina são introduzidas Estra e as demais Machina Mages, as protagonistas do jogo. Elas são nada mais, nada menos do que cinco lindas e formosas garotas vestindo roupas muito peculiares. O visual é claramente proposital e tem como objetivo atrair os fãs de ecchi. Apesar de ter sido esteticamente bem sucedido neste quesito, a comicidade, que é uma das principais características do subgênero, simplesmente é substituída por piadas bobas e infantis, que tentam servir de alívio cômico em meio a seriedade da trama, mas não conseguem arrancar qualquer sorriso.

Apesar disso, os personagens tem um belo design, com vestimentas ricas em detalhes, mas  pouca originalidade  em seu estilo, em outras palavras, não é apresentado nada que você já não tenha visto em outros jogos do gênero.

Para complicar ainda mais a situação,  MeiQ não é um jogo inclusivo, o que é percebido claramente desde seu início, quando só é permitido escolher entre dois níveis de dificuldade: Normal e Hard. Mesmo no Normal, seus labirintos são desafiadores – enormes, confusos e repleto de armadilhas, ou seja, se trata de um título que talvez atraia os fãs do gênero, mas, com certeza não chamará a atenção dos novatos.

Além disso, suas Batalhas são exaustivamente repetitivas, o que não é necessariamente ruim, aliás, a grande quantidade de conflitos é uma das principais características desse tipo de jogo. Mesmo assim, a ausência de um sistema que evite ou diminua a frequência de lutas inevitavelmente é sentida.

Em Ray Gigant (PS Vita/PC), por exemplo, você pode ver seus inimigos e decidir se quer ou não entrar em certas batalhas, enquanto na série Bravely Default, se pode simplesmente utilizar uma opção do jogo para diminuir a frequência com que você encontra seus adversários. Seja como for, MeiQ simplesmente ignorou quaisquer dessas possibilidades.

Um raio de luz

O game, no entanto, não é de todo ruim. O trabalho da equipe de dublagem, por exemplo, foi simplesmente sensacional, sendo esta composta inteiramente de dubladores profissionais, resultando em algumas das melhores interpretações que presenciei nos últimos anos. Com destaque para o Elder of Southern, que possui uma voz marcante, grave e impregnada de seriedade, como pede o personagem.
O sistema de batalha, principalmente no que se refere as Machinas, também foi uma surpresa agradável. As Machinas são autômatos controlados pelas magas e funcionam como seus defensores, além disso são extremamente customizáveis – sendo permitido trocar seu corpo, braço e adicionar gemas em seu interior. A mudança de qualquer uma de suas partes influencia não apenas nos atributos e no ganho de novos movimentos de luta, mas também no visual dos robôs, que pode mudar radicalmente, de acordo com suas escolhas. Essas mecânicas são únicas e distinguem MeiQ dos demais jogos do gênero.

Mais do que coração, é preciso foco

Depois de analisar MeiQ, tive a impressão de que a Compile Heart perdeu o foco durante seu desenvolvimento. Se ela queria chamar a atenção dos fãs de echhi, deveria ter adicionado uma comicidade típica dos jogos que contem este elemento, não se limitando apenas ao visual. O mesmo considero com relação  a sua história, se o desejo era realizar uma trama que fosse levada a sério, deveriam ter composto uma história mais profunda e complexa. Enfim, recomendo este jogo apenas àqueles que são realmente muito fãs do gênero.

Prós

  • Dublagem sensacional;
  • Mecânica das Machinas.

Contras

  • Piadas bobas e infantis;
  • Design sem originalidade;
  • Impossibilidade de se evitar conflitos.
MeiQ: Labyrinth of Death — PS Vita— Nota: 6.0
Manoel Siqueira Silva é formado em Análise de Sistema e Filosofia pela UFSCar. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Está sempre em busca de games de qualidade que foram subestimados ou são desconhecidos. Este ser pode ser encontrado no Twitter e no Facebook.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook