Blast from the Past

Wild Arms (PS): uma bela canção no deserto

Vamos relembrar o primeiro JRPG lançado para o PlayStation.


O PlayStation original é um dos melhores consoles no quesito de JRPG até hoje. Várias obras-primas debutaram ou tiveram ótimas sequências neste inesquecível console. E o jogo que inaugurou o estilo foi o implacável Wild Arms. Com uma mistura de cenários em 2D e batalhas em 3D, ele nos conta uma ótima história que cativa ainda hoje.

Um ode ao velho oeste

Antes de realmente iniciarmos este texto, peço que você veja esse vídeo com a introdução do jogo e preste atenção nessa canção, que é uma das melhores já feitas até na histórias dos games: A trilha sonora de Wild Arms é sensacional. Considero esta uma das melhores obras feitas para a indústria dos games até hoje. Sua mistura de canções clássicas do velho oeste com elementos mais modernos agrada, e também é clássica e épica ao mesmo tempo. O responsável por essa obra de arte é o japonês Michiko Naruke, que trabalhou em todos os jogos da franquia e também nos jogos de Super Smash Bros.



O jogo mistura muito bem o ambiente de velho oeste com elementos futuristas. Na história, assumimos o papel de três heróis. O primeiro é Rudy, que tem a capacidade de controlar as poderosas e antigas ARMs (Ancient Relic Machines, maquinário de relíquias antigas, em uma tradução literal), que são armas antigas pertencentes a civilizações perdidas há muitas eras; o segundo é Jack, um espadachim que está sempre acompanhado do seu fiel rato, Hanpan, que é capaz de falar e entender a língua humana; e a última é Cecília, uma maga que viveu a vida toda estudando no instituto Curan Abbey.

Wild Arms se passa em Filgaia e, mil anos antes da história principal, os demônios de metal invadiram o mundo na intenção de dominar o planeta. Os humanos resistiram e foram capazes de deter o líder dos demônios, e então dividiram e prenderam esse em estátuas espalhadas pelos cantos do mundo.

Os três personagens principais do jogo formam um grupo chamado Dream Chasers e vagam por Filgaia com a missão de impedir que o culto aos dêmonios consiga reviver a “mãe” e assim realizar uma nova tentativa de dominar o planeta.

Uma arma, uma espada e uma magia

O cenário do jogo foi todo ele construído em 2D, portanto ele se assemelha bastante com o visual visto nos jogos de RPGs produzidos para o Super NES, mas com um melhor grau de detalhamento e bem mais bem desenvolvido. Porém, se o compararmos com os jogos que saíram depois, podemos dizer que esses gráficos são ultrapassados, apesar de terem envelhecido bem.

O mesmo não pode ser dito do cenário de batalha. Ela foi produzida em 3D, mas sendo o primeiro RPG produzido no PS1, a produtora Media Vision ainda não sabia trabalhar bem a modelagem do jogo. Por essa razão, quando vemos as cenas de batalha, elas acabam por ficar um pouco feias hoje em dia. O sistema de batalha é clássico e baseado em turnos. A ordem de ação aqui se dá por RES (response, resposta em inglês).

O sistema de batalha, apesar de ser muito bom, é ligeiramente estático. A movimentação acontece somente quando a ação vai ser realizada, enquanto isso a câmera vai girando mostrando os monstros e nosso heróis. O fato de a cena não ser tão bonita acaba incomodando depois de algumas horas de jogo, mas nada que possa atrapalhar a jogatina.

Cada personagem tem o seu próprio repertório próprio de ações que em nada tem a ver um com o outro. Como já apresentado acima, Rudy é perito em armas, Jack é o espadachim e Cecilia é a maga do grupo. Para auxiliá-los, podemos usar Summons, que podemos encontrar fazendo missões paralelas durante o jogo.

Armas selvagens

Wild Arms é um jogo que já recebeu um remake para o PlayStation 2, que teve o seu roteiro e sistema de jogo e batalha modificado. Ele foi renomeado para Wild Arms Alter Code F. Na opinião deste que vos escreve, o remake não é melhor do que o original. As mudanças foram muito bruscas e acabaram desvirtuando a ideia original do jogo.

Recomendo muito que você tire um tempo para jogar essa joia, e caso você domine o inglês, irá compreender toda a grandeza dessa excelente obra. Wild Arms está disponível na PlayStation Network para PlayStation Vita e PlayStation 3.
Revisão: Arthur Maia
Ailton Bueno escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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