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Análise: Batman: Arkham VR (PS4) nos coloca na pele de Bruce Wayne

Apesar de curto, Arkham VR mostra-se uma das experiências mais interessantes em realidade virtual.



Quando eu estava na E3, tive a oportunidade de experimentar os principais headsets de realidade virtual, mas, devido a uma agenda apertadíssima, não pude experimentar uma das demonstrações mais comentadas do evento: Batman: Arkham VR. Anunciado durante a conferência da Sony antes da feira, Arkham VR trata-se de um novo jogo desenvolvido pela própria Rocksteady que coloca os jogadores na pele de Bruce Wayne e do homem-morcego. Agora, com meu próprio PlayStation VR em casa, pude experimentar Arkham VR do começo ao fim no conforto da minha sala de estar.

Por motivos que irei abordar em um texto futuro sobre o PlayStation VR e realidade virtual como um todo, há uma notável ausência de jogos em terceira pessoa tradicionais em VR. Então, apesar de ser desenvolvido pelas mesmas pessoas e ser inserido na mesma cronologia, a jogabilidade de Arkham VR é completamente diferente daquela que conhecemos em Arkham Asylum, Arkham City e Arkham Knight. A descrição mais razoável deste novo jogo parece ser "first-person adventure" pois é completamente apresentado na perspectiva de primeira pessoa e bebe da fonte dos antigos point-and-click games, nos quais pequenas interações com o mundo são necessárias para permitir a progressão da história.
É curioso que há cópias físicas de Arkham VR, pois poderia ter sido um DLC.
A primeira cena de Arkham VR — a tela de título — coloca o jogador sobre um telhado e o permite se deslumbrar com a vista de Gotham. A resolução limitada do PlayStation VR e os gráficos geralmente simplificados deixam a vista menos maravilhosa do que poderia ser, mas ainda assim é impactante — o Batman não está ali, ele está aqui, eu sou o Batman e lá está minha Gotham.

Após um breve prólogo, minha atenção foi chamada pelo Alfred. É aí que somos apresentados à jogabilidade principal do jogo. Ao invés de me movimentar pelo cenário usando o analógico como um jogo tradicional, Arkham VR conta com pontos específicos para onde o Batman — eu — pode se deslocar com uma breve escuridão na tela. A impressão que eu tenho é que o jogo foi feito dessa forma para evitar tonturas e enjoos, porque provavelmente seria a primeira experiência em realidade virtual de muitas pessoas. No entanto, acaba servindo também como uma forma de guiar o jogador. Por ter um número discreto de posições possíveis em um cenário, é muito mais fácil perceber que na sala da mansão Wayne há uma chave que pode ser usada para… vou evitar o spoiler, mesmo que pequeno.


Arkham VR faz mais sentido quando visto como uma demonstração do que é possível em realidade virtual. O jogo todo é muito curto, então seu valor é baixo para um jogador interessado apenas em experiências para si mesmo, mas é uma ótima escolha para mostrar a amigos e parentes, que podem terminá-lo em uma sentada sem muita dificuldade. Como dito antes, a resolução do headset não faz favores para o jogo — um problema comum em todos os jogos que tentam apresentar visuais mais elaborados — mas funciona perfeitamente bem para ver objetos e personagens de perto.

É recomendado jogar com um par de controles PlayStation Move, que eu não tenho, então perdi toda a emoção de abrir gavetas com movimentos reais. Com o DualShock 4, basta movimentar o analógico para interagir com objetos (curioso, pois o DS4 é bem capaz com controles de movimento) e mirar um Batarang é feito com o movimento da própria cabeça. Mesmo sem os Move, preferi jogar de pé, que me permitia girar livremente e observar meus arredores virtuais, mas tive que reposicionar minha PlayStation Camera porque ela estava um pouco perto demais do sofá.


O mais interessante é que, apesar desses problemas, Arkham VR é incrivelmente imersivo. Em um determinado momento, encontrei-me respondendo às falas dos outros personagens, até fazendo uma voz rouca porque, afinal, eu sou o Batman. "Puxe a alavanca, Batman", disse o Robin, "a alavanca não funciona", respondeu Renan. Fiquei arrependido por não ter filmado essas cenas. A narrativa também ajuda, pois serve como epílogo de Arkham Knight e brinca com algumas expectativas do jogador.

Batman: Arkham VR mostra-se um exemplo interessante do que acontece quando uma grande desenvolvedora encara um projeto com escopo de indie. Claramente, foi feito por poucos membros da Rocksteady em relativamente pouco tempo, mas serve muito bem como jogo de lançamento do PlayStation VR e como o primeiro produto em realidade virtual protagonizando um personagem universalmente conhecido. Seria legal se fosse um pouco mais longo (ou, quem sabe, fosse gratuito como bônus de Arkham Knight ou Return to Arkham), mas continua sendo uma experiência obrigatória do VR atualmente.

Prós

  • Incrivelmente imersivo;
  • Narrativa serve com um interessante complemento a Arkham Knight;
  • Você pode ser o Batman, pô!

Contras

  • Visuais podem ser borrados demais pela baixa resolução do headset;
  • Extremamente curto.
Batman: Arkham VR — PS4 (exclusivamente no PSVR) — Nota: 8.0
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Renan Greca Quando não está ocupado sendo diretor, redator, newsposter, podcaster e RP do PlayStation Blast, Renan Greca gosta de jogar videogames. Às vezes, lembra de focar em seu mestrado também.

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