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Análise: Yakuza 0 (PS4) O florescer do Dragão de Dojima

O prequel da Sega é uma excelente entrada da franquia para o PS4 no ocidente.

A franquia Yakuza está no mercado há pouco mais de dez anos, com seis capítulos lançados até agora. Comumente, os jogos japoneses demoram a chegar no ocidente, e este lançamento não é uma exceção, tendo um intervalo de quase dois anos entre a data original e a americana. Ignorando isso, os fãs sempre tiveram algumas dúvidas com o passado de alguns personagens, e Yakuza 0 nasceu para sanar todas essas indagações.

O longo caminho dos Yakuza

No jogo nós controlamos Kazuma Kiryu, que fica boa parte da história em Kamurocho, que é baseada na região de Kabukicho, e Goro Majima, que passa boa parte do tempo em Sotenbori baseado em Dotenbori em Osaka. Kiryu se vê envolvido em um caso de assassinato em um local chamado de “Empty Lot” (lote vazio, tradução literal). O morto é um homem que ele havia atacado a mando de dono de uma imobiliária. Ele parte então em busca de uma maneira de provar a sua inocência.

Já Majima foi banido do Clã Tojo e ficou encarregado do Grand Cabaret, um clube noturno de grande prestígio na sua região. Seu objetivo é voltar para o clã, mas os seus superiores o mantém ali por conta dos altos lucros que ele trás. Isso continua até que ele recebe uma proposta de matar um alvo em troca de voltar a ser membro do Tojo. Ele, porém, se recusa a matar o seu alvo e passa a protegê-lo.

O jogo se passa alguns anos antes do primeiro título da série, usando a narrativa como o seu principal elemento. Seu início é um pouco confuso e lento, isso acontece para situar o jogador nos acontecimentos a sua volta e introduzir os protagonistas. Mas após deixar claro o que está acontecendo e qual a ligação dos dois Yakuzas, o jogo deslancha e não dá chance para a vontade de parar de jogar surgir.

O enredo é o destaque do jogo. São diversos “plot twists” que me deixaram desde apreensivo, pois estava vidrado em saber o que aconteceria em seguida à genuinamente imagino que esteja faltando uma palavra aqui, já que, naturalmente, tinha que desligar o console para dormir.

Muito além de punhos e armas

Cada personagem possui três estilos de combate específicos: Kiryu têm o estilo Brawler, a briga de rua clássica; o Beast,  modo de combate no qual ele ignora os danos que toma e pega automaticamente qualquer objeto disponível em volta; e o Rush, um estilo de luta focado na velocidade.

Majima possui estilos diferentes: o primeiro é o Thug, um estilo balanceado similar ao Brawler; o Slugger, um estilo baseado no uso de armas, como tacos de baseball; e o Breaker, um estilo de luta baseado na dança Break que é muito rápido.

Pessoalmente, me adaptei mais ao Brawler do Kiryu, já que ele bate e se esquiva com uma boa velocidade, e com o Slugger do Majima, já que ele bate muito e em diversos inimigos ao mesmo tempo, o que facilita  no decorrer da campanha.

Mas as brigas não são nossas únicas atividades. No jogo podemos perambular pela cidade com nossos personagens e visitar um grande número de estabelecimentos, que vão desde restaurantes típicos japoneses aos famosos arcades. Se por algum motivo você se cansar de seguir a história, também pode ir ao karaokê e cantar umas músicas para passar o tempo. Ou ainda, caso deseje rebater umas bolas, pegar seu taco e ir a uma gaiola.

Duas cidades de coisas para fazer

A ambientação do jogo está incrível e muito bonita. Os prédios e as placas das lojas estão brilhantes e chamativos, lembrando bastante os filmes daquela época. Além disso, outro destaque fica por conta do alto nível do design dos personagens. Detalhes como a barba, tatuagens e marcas de expressão estão bastante críveis.

Uma coisa que eu estranhei no começo foram algumas cenas semi-estáticas para contar certas passagens da história. Os personagens fazem suas expressões faciais normalmente, mas não mexem a boca durante o diálogo. Além disso, eles quase não se movimentam. Esse efeito é usado para contar determinados trechos da história e eu sinceramente não sei o porquê disso ter sido incluso.

A parte ruim do jogo é o fato de ele ser muito repetitivo, basicamente o que temos a fazer é acompanhar a história e detonar vários inimigos. E são muitas, mas muitas lutas mesmo. Além das batalhas ao acompanhar a trama, enquanto andamos pela cidade, alguns NPCs nos atacam e iniciam uma luta, mesmo que você não tenha feito nada. Eles vão te atacar e tentar te derrubar, isso é divertido nas primeiras horas de jogo, mas depois de algumas dezenas de horas eu passei a ignorá-los e passar correndo, evitando conflitos.

Apesar disso, os combates são importantes para se acumular dinheiro e consequentemente evoluir o estilo de luta escolhido. As batalhas que mais valem a pena, porém, são aquelas que pertencem ao modo história, já que esses inimigos aleatórios geram um lucro ínfimo. Os investimentos nas habilidades possuem uma divertida animação com moedas e notas voando em direção a uma barra que vai enchendo até chegar ao valor desejado.

Para se conseguir dinheiro existem outras atividades disponíveis. Cada um dos personagens principais possuí uma atividade profissional, por assim dizer. Kiryu ganha o comando de uma imobiliária e precisa comprar e investir nas lojas de Kamurocho. Para isso ele disputa com os Cinco Bilionários, e cada um deles controla uma parte da cidade. Já Majima controla outro cabaré com uma espécie de minigame no qual devemos colocar cada uma das menina para cuidar de um cliente e ir revezando durante um tempo específico. Além disso, podemos comprar roupas e acessórios para elas. Das duas opções, eu gostei mais do sistema do Kiryu,  que é mais rápido e simples. O minigame com o Majima é chato e repetitivo.

Além disso, em cada cidade existem outras maneiras de se conseguir dinheiro. Com Kiryu nós podemos apostar em combates de mulheres de biquínis, enquanto com Majima podemos participar de uma arena de lutas, onde apostamos dinheiro e combatemos alguns inimigos. Temos também a opção de salvar algumas pessoas com problemas na cidade, após o combate contra os inimigos, elas geralmente nos dão presentes, que podem ser itens de recuperação ou pratos que valem muito dinheiro.

Uma grande aventura

Yakuza 0 possui uma excelente trama, cuja a principal função é situar o jogador dos primeiros acontecimentos, inclusive explicar o porquê que Kiryu e Majima são tão chegados. Apesar de ser um pouco repetitivo, sua história compensa e faz desse lançamento um dos mais esperados do ano. Fica a esperança de que a empresa traga para a nova geração os jogos mais marcantes, aqueles fizeram com que Yakuza se tornar-se uma aclamada franquia.

Prós

  • História profunda e cheia de reviravoltas;
  • Muitos mini games.

Contras

  • Combate repetitivo depois de algumas horas.
Yakuza 0 — PS4 — Nota: 9.0
Revisão: Pedro Vicente
Ailton Bueno escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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