Jogamos

Análise: Zero Escape: Zero Time Dilemma (Multi) é um jogo mortal e enigmático

Jogo traz todo seu belo enredo para os gráficos melhorados em sua versão para o PlayStation 4.

Faz pouco mais de um ano que comecei a me aventurar por jogos do estilo visual novel. Não pela falta de interesse em si, mas por nunca antes ter tido a oportunidade de experimentar os jogos do gênero. Desde então, sempre que posso, aproveito para conhecer um ou outro título que surge pela jornada da vida. E foi desta forma que cheguei em Zero Escape: Zero Time Dilemma (Multi): um pouco curiosa com seu enredo, ainda que não tenha jogado os games anteriores da série.


Não senti que o fato de eu não ter jogado os anteriores foi um fator determinante para minha experiência final. É claro que ter um backlog maior dos personagens pode fazer diferença no early game, mas no desenrolar da história muito da relação entre os personagens presentes no jogo é esclarecida e de maneira relativamente satisfatória, tanto dos personagens que são figurinhas repetidas na série quanto daqueles que estão fazendo sua estreia.


A história de Zero Escape: Zero Time Dilemma é, ao mesmo tempo, bem intrigante e deveras maluca. Temos três grupos de três pessoas cada, totalizando nove participantes de uma espécie de Jogos Mortais, em que todos estão confinados e devem encontrar maneiras para contornar a situação e permanecerem vivos. No entanto, há muitas consequências mortais para as atitudes de cada personagem e de cada grupo, e é aí que o game mais se destaca. As escolhas do jogador irão influenciar diretamente no desenrolar da história, cada um dessas escolha possui uma consequência e são vários os finais possíveis para o game.

É engraçado porque logo que iniciei o jogo, em menos de cinco minutos acabei conhecendo um dos finais. Zero Time Dilemma te proporciona finais até mesmo rápidos e inesperados. O interessante é que podemos retomar exatamente ao ponto em que essa decisão foi tomada e escolher pela outra alternativa, dando prosseguimento em uma parte da história que não poderia ser conhecida naquele primeiro momento. Com isso, o fator replay é favorecido, pois o game terá despertado no jogador a curiosidade de saber quais seriam as outras consequências possíveis caso uma escolha tivesse sido feita de forma diferente.

Mas não é apenas de escolhas que este jogo é feito. No meio do caminho há diversos puzzles que o jogador precisa resolver para encontrar senhas, botões escondidos e respostas para escapar de alguma sala, por exemplo. Neste quesito, senti um dos únicos fatores que me incomodaram de verdade no jogo: alguns puzzles são tão complexos que sem o auxílio de um guia para solucioná-los, o jogador pode sentir-se desmotivado a continuar explorando as possibilidades. Além disso, vale destacar que qualquer escolha pode acabar resultando em mortes — pode-se dizer que é o que acontece na maior parte dos casos.

Um ponto positivo em Zero Time Dilemma é também a possibilidade que ele dá ao jogador de salvar o jogo a qualquer momento. Mesmo que esteja no meio de uma cutscene é possível pausa-lo e salvar para continuar jogando em outro momento. Essa é uma vantagem que permite ao jogador utilizar exatamente o seu tempo disponível para se dedicar ao jogo, diferentemente do que experienciei com outro visual novel que me encantou bastante, VA-11 Hall-A: Cyberpunk Bartender Action (PC). Nele, as jogatinas às vezes precisavam de quase duas horas para atingirmos um ponto de salvamento. Méritos para Zero Time Dilemma aqui.

Dentre as reclamações das versões de Zero Time Dilemma sobre os gráficos, pode-se dizer que na versão para o PlayStation 4 houve uma grande melhora, ainda que os gráficos não sejam os mais bonitos já vistos no console. O brilho e a iluminação estão bem mais trabalhados nesta versão, o que faz com que jogar no PS4 tenha uma vantagem frente às outras plataformas — dos portáteis principalmente. No entanto, por ser um jogo em animação, acredito que um port para o PS3 também não deixaria nada a desejar desta versão para o console atual da Sony e ainda permitiria que outras pessoas tivessem acesso ao game.

Infelizmente, essa nova versão conta apenas com os áudios em japonês (originais) e em inglês, com legendas apenas na língua inglesa. Seria fantástico se tivessem disponibilizado ao menos uma legenda em português do Brasil. Ainda que tenha uma trilha sonora discreta, a ambientação — gore na medida certa — e a história de Zero Escape: Zero Time Dilemma fazem a experiência valer bastante a pena, principalmente para os jogadores que curtem o gênero visual novel. Independentemente de ter jogado ou não os antecessores, dá para tirar um bom proveito dos enigmas e das escolhas na luta pela sobrevivência de todos os personagens.

Prós

  • História muito interessante;
  • Alto fator replay;
  • Possibilidade de salvar a qualquer momento;
  • Visuais melhorados no PlayStation 4.

Contras

  • Alguns puzzles extremamente complexos;
  • Ausência de legendas em português do Brasil.
Zero Escape: Zero Time Dilemma — 3DS/Vita/PC/PS4 — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS4
Ana Krishna Peixoto é formanda em Ciências Econômicas pela UERJ. No Blast, é redatora e revisora. Suas paixões são os esportes (sobretudo o futebol e o jiu-jitsu), os livros, a escrita e os videogames. Fã de PlayStation, não nega sua queda pela Nintendo. Pode ser encontrada no Twitter.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook