Blast from the Past

Soul Edge (PS1), o início de uma franquia e a inovação de um gênero

Lançado em 1995, Soul Edge foi o primeiro jogo da consagrada série de luta Soulcalibur.

A franquia de jogos de luta Soulcalibur possui mais de 20 anos de história e continua em alta. O recente anúncio de Soulcalibur VI confirma que a série está chegando com força na nova geração. Contudo antes de toda essa evolução tecnológica, a franquia deu seu primeiro passo em 1995 com Soul Edge (PS1), da Project Soul e publicada pela Namco. O jogo fez sua estreia inovando no gênero de luta.

Entre Soul Edge e Soul Blade

Antes de ser conhecida como Soulcalibur, o primeiro título da franquia da Namco levava o nome de Soul Edge, a espada maligna que foi amaldiçoada devido ao incontável número de vezes que foi usada em batalhas sangrentas e cujos portadores nutriam profundo ódio. A arma é o antagonista principal de toda a série Soul e o foco da história de Soul Edge.

Desenvolvido originalmente como um teste da Namco, na área de jogos de luta armada, Soul Edge foi o primeiro game da história a usar a tecnologia do sensor de movimentos, bem como o segundo jogo do mundo a ser um título de luta com arma tridimensional, atrás apenas de Battle Arena Toshinden (Multi), da Tamsoft, também de 1995. Lançado primeiramente para os fliperamas, o jogo teve seu título alterado para a versão do PlayStation na América do Norte, Europa e Austrália. O jogo foi intitulado Soul Blade para evitar problemas legais com a produtora estadunidense de mesmo nome Edge Games.


Mesmo gênero, mas foco diferente

Diferentemente da maioria dos jogos de luta das décadas de 1980 e 1990, cuja ênfase estava nos combates, Soul Edge inovou ao trazer uma nova visão para jogos de luta: história. O enredo de Soul Edge não funcionava apenas como um simples pano de fundo para justificar as lutas entre os personagens, mas era a própria essência do título.

A história de Soul Edge acontece no ano de 1584, quando o pirata Cervantes de León encontra a mítica espada Soul Edge e desaparece sem deixar rastros. Conhecida por diferentes nomes, usada por distintas culturas, causadora de inúmeras maldições, mas desejada por inúmeros motivos, a lenda de Soul Edge despertava o interesse daqueles que acreditavam no seu poder. Assim, nove guerreiros, cada um motivado por suas razões pessoais, saíram em busca da espada.


Neste primeiro título, os personagens presentes eram Hwang, Li Long, Mitsurugi, Rock, Seong Mi-na, Siegfried, Sophitia, Taki e Voldo. Na versão corrigida Soul Edge Ver. II (PS1), o jogo também trazia Cervantes de León como personagem jogável. A versão atualizada foi necessária devido reclamações dos jogadores de que o game estava demasiado difícil e de que o último chefe era praticamente impossível de ser derrotado.

A famosa mecânica dos finais alternativos — um bom e um ruim — para a história de cada personagem já estava presente em Soul Edge, porém ao invés da conclusão com imagens estáticas, como foi em Soulcalibur (Multi) e Soulcalibur II (Multi), o jogo de luta usava CGI animados do próprio gameplay, técnica que evoluiria para as cinemáticas de Soulcalibur III (PS2) em 2005.


Herança de Tekken

Criado no mesmo contexto do jogo de luta Tekken (PS1), lançado um ano antes de Soul Edge, o então novo título da Namco trazia algumas características de jogabilidade do veterano Tekken. Como na história de Kazuya Mishima, Soul Edge possuía manobras de salto quer permitiam passar por cima dos adversários e uma movimentação de batalha muito próxima da proporcionada por Tekken.

Soul Edge introduziu o 8-Way Run, mecânica em que o personagem pode se mover para ambos os lados do cenário. A jogabilidade também dava a cada personagem dois ataques especiais denominados Critical Edge; mecânica de desgaste das armas, chamada Weapon Gauge; bem como um forte sistema de bloqueio denominado Guard Impact. No qual o jogador tinha a chance de bloquear um ataque eminente seguido pela brecha na defesa do inimigo que permitia um contra-ataque rápido e poderoso.


Além de uma narrativa que privilegia a história como elemento principal das motivações dos combates, Soul Edge renovou o gênero de jogos de luta ao incluir combates armados eficientes e que necessitavam de controle de dano. A opção de trilhar linhas do tempo distintas para cada personagem, bem como conhecer a intrínseca relação entre eles foi algo inédito e o início de uma franquia que se consagrou por seu sistema de combate e o enredo profundo.

Revisão: Diogo Mendes
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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