Blast from the Past

Soulcalibur III (PS2) e as novas crônicas da espada

Como Soulcalibur III revolucionou as mecânicas e modos de jogo da franquia.

A franquia de jogos de luta armada Soulcalibur estreou no cenário dos games inovando com Soul Edge (PS1) e seu sistema de luta tridimensional, porém a série Soul não parou suas inovações no primeiro título. Depois de vários avanços técnicos ao longo dos anos, foi com Soulcalibur III (PS2), da Project Soul, que a Namco deu novo fôlego a franquia, acrescentando novas mecânicas e modos de jogo que se tornaram marca registrada da franquia.

Em busca do selamento

A história de Soulcalibur III se passa no mesmo ano do enredo de Soulcalibur II (PS2/XB), em 1591, com apenas alguns meses de diferença entre os eventos do antecessor. Após se libertar do aprisionamento pela espada Soul Edge, Siegfried encontra uma espada sagrada e a usa para destruir Soul Edge. A fusão entre as duas armas originou um selamento das duas espadas, então Siegfried começa uma busca para encontrar uma maneira definitiva de destruir a espada maligna.


Entretanto, perturbado por todas as mortes que causou no passado, quando era controlado pela Soul Edge, Siegfried passa a ter sua mente assombrada pelas más memórias. Se aproveitando da fraqueza na alma do guerreiro, o espírito maligno da Soul Edge escapa da espada e habita um lugar temporário enquanto procura seu novo corpo. Enquanto isso, um misterioso personagem busca acabar com a maldição e uma série de lutadores também procuram pela espada amaldiçoada. A nova jornada em busca da Soul Edge e a Soul Calibur trouxe de volta personagens do título anterior, bem como marcou a estreia de novos jogadores na franquia, como Abyss, Night Terror, Olcadan, Setsuka, Tira e Zasalamel.

Sua própria jornada em busca da Soul Edge

Soulcalibur III é, até o momento, o maior título da franquia de luta armada. O jogo contempla o maior número de arenas de combate disponíveis, bem como uma incrível lista de 42 personagens jogáveis. Além de tudo isso, o game ainda inclui novas mecânicas e modos de luta que aumentaram a imersão do jogador com a história do jogo.


Create-A-Soul foi a estreia do modo de criação de personagem em Soulcalibur. Na ferramenta de Soulcalibur III, o jogador possuía liberdade para criar seu próprio guerreiro do universo Soul para batalhar em diversos formatos, inclusive em um modo história na busca pela espada amaldiçoada Soul Edge. O criador de personagens possuía diversas opções de físico, roupas, armas e estilos de luta. Os itens podiam ser conseguidos como recompensas de lutas ou comprados com a moeda virtual do jogo na loja do game.

O modo Chronicles of the Sword dialogava diretamente com o personagem original do jogador. Este modo de jogo mesclava luta armada e RPG, em que o jogador podia aprimorar os atributos de seu personagem do Create-A-Soul, tornando-o mais forte e ainda liderar um exército para tomar bases inimigas. Este formato de gameplay se intercalava entre momentos de estratégia em tempo real e lutas em arena, também exibindo cutscenes da história do personagem do jogador.


Maior jogo da série Soul

Outra novidade de Soulcalibur III foi o modo Tales of Souls, similar ao Edge Master Mode de Soul Edge. Nesta narrativa, o jogador escolhia um dos personagens de Soulcalibur e embarcava em uma jornada de batalhas ao redor do mundo para encontrar a Soul Edge. Como no primeiro título da franquia, esse modo de jogo permitia escolher entre dois finais: um bom e um ruim.

Além de explorar a história e a relação entre os personagens do jogo, Tales of Souls também tinha batalhas opcionais chamadas de Prepare to Defend Yourself, no qual o jogador enfrentava personagens bônus ou não jogáveis. Essas lutas contribuíram para ampliação do leque de guerreiros de Soulcalibur, bem como oferecia um elemento surpresa que agradava o jogador ao colocá-lo contra personagens raros.


A modalidade Soul Arena oferecia dois tipos de jornada: o Quick Play, em que o jogador batalhava em oito cenários diferentes e o Mission Mode, no qual era preciso enfrentar 12 missões. Similar ao modo arcade de Tekken 5 (PS2), em World Competition era possível lutar contra guerreiros do mundo todo e ainda personalizar as cores das roupas dos lutadores.

Apesar de tantos trunfos, Soulcalibur III sofria de um sério problema técnico: a corrupção do memory card. O jogo possuía modos de luta e história em que era impossível salvar o progresso, obrigando o jogador a sempre começar o gameplay do zero. O bug também poderia deletar outros saves do memory card se estes fossem modificados antes de sobrescrever o save de Soulcalibur III, problema que nunca foi contornado.



Com tanta inovação, Soulcalibur III não deixou para trás aquilo que o fez famoso: história e sistema de combate armado. A Project Soul soube equilibrar o novo e o tradicional em um título que é a experiência completa da série Soul.

Revisão: João Pedro Boaventura
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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