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Direto de God of War (PS4), conheça Freya: Bruxa, Deusa e Mãe

Entenda uma das mais importantes personagens da nova aventura de Kratos, Freya a bruxa.

God of War (PS4) foi lançado a quase dois meses, e já se tornou um enorme sucesso para a Sony. Agora na mitologia nórdica, temos novos personagens para compor esse mundo, e uma delas é Freya. Com funções narrativas fortes, ela é uma excelente personagem, e neste texto quero ir mais a fundo nisso. Lembrando que existem muitos spoilers a seguir, leia por sua conta e risco.

Um pouco da origem mitológica

Antes de entrarmos no assunto, é interessante comentar que Freya não é uma personagem criada exclusivamente para o jogo. Sendo mais claro, ela é uma deusa, uma das mais antigas na religião germânica com relatos que a envolvem ou a descrevem. Associada a sexualidade, da sensualidade, da fertilidade, do amor, da beleza, da atração, da luxúria, ouro, guerra e morte, da música e das flores.


Nos contos, Freya é descrita como uma mulher atraente e sensual, de olhos claros, baixa estatura, sardas, trazendo consigo um colar mágico chamado Brisingamen. Este objeto, feito supostamente de ouro, já foi roubado por Loki, o deus da trapaça, e resgatado por Heimdall, o guardião da ponte do arco-íris (Bifrost) que liga os nove mundos. O ocorrido marca o ódio que um sente pelo outro, o que no futuro causará uma batalha mortal na chegada do Ragnarök, o fim dos tempos.

A releitura da Santa Monica Studio

A desenvolvedora do jogo não poderia respeitar totalmente a mitologia nórdica. Assim como foi com a grega, ela foi adaptada para o universo de Kratos. Freya sofreu dessas alterações, apresentada no jogo como a Bruxa da Floresta, ela ajuda Atreus e seu pai em sua jornada mostrando o caminho ou dando informações.



Para atender tudo isso a personagem passa por dois momentos, cada um com atitudes e diálogos distintos. Sutis ou não, essas revelações fazem a história seguir em uma direção muito interessante, movida por amor, ódio, vingança e péssimas escolhas.

De bruxa para deusa

No início da jogatina encontramos a bruxa após Atreus ferir um javali, e para compensar ter machucado um amigo, Kratos e seu filho a seguem para sua cabana, que aliás, fica embaixo de uma tartaruga. A ajudamos sem saber seu nome e prosseguimos nossa aventura assim. Neste momento ela simpatiza com a causa dos dois, e gosta muito de Atreus.

Mesmo limitada por causa de Odin, ela ajuda como pode. Mas tudo isso não iria fazer Kratos relaxar, piorando muito quando a bruxa revive a cabeça cortada de Mimir, que revela que o nome dela é Freya, uma deusa vanir. O relacionamento dos dois fica mais difícil, e com a confiança (que já não era muita) quebrada os dois partem para continuar sua jornada.



Esse momento não reflete muito no enredo, as mudanças são sutis, mas mostra claramente como ela pode ser gentil e poderosa, mesmo com as feridas do passado. Seus erros a consomem em vários diálogos e durante todo o jogo essa gentileza é a forma que ela usa de compensá-las. Esses problemas são causados principalmente pelo seu casamento com Odin, um sacrifício para trazer paz aos vanir, e essa infeliz união gerou o que mudaria tudo, um filho.

De deusa para mãe

Antes de uma deusa, uma mãe. Essa característica sempre esteve com a Freya, no medo, gentileza e proteção durante o jogo todo, mas é nos momentos finais que isso é colocado à prova. No maior conflito até então, Baldur, seu filho, não iria recuar, não iria ouvir e estava disposto a matar todos. Infelizmente, ela não poderia desistir, e a todo momento, pede para que parem, para que Kratos deixe seu filho em paz.

A fúria de Baldur vem de algo mais antigo, de uma escolha egoísta, mas movida pelo amor. O deus não poderia sentir nem morrer, algo que o torturou por anos, e a sede por vingança o toma desde então. A responsável por isso é sua mãe, e ela vem ao desespero quando Atreus quebra o feitiço, tornando seu filho vulnerável.



Mesmo com os esforços de Freya, usando sua magia para neutralizá-los, “revivendo” o gigante Tyr, e suplicando para que tudo aquilo parasse, a luta tem um fim com Baldur sendo poupado por Kratos. Ainda sem desistir, a deusa tenta conversar com seu filho, seu perdão foi negado, e o ódio prevalece. A única saída era oferecer sua própria vida, e foi o que ele fez.

Fúria, ódio, rancor, inimizade, frustração, tudo isso são os sentimentos que incorporam Freya ao segurar seu menino morto. Mesmo que a razão seja para protegê-la, Kratos fez um novo inimigo: Uma mãe de luto, disposta a descontar tudo que estava sentindo no homem a sua frente. Ela perdeu tudo e garantirá que o espartano sofra no futuro.



A Santa Monica fez um excelente trabalho na construção de Freya, lhe trazendo um lado facilmente reconhecível. O que uma mãe não faria pelo seu filho, não é? Vamos esperar pelos próximos capítulos dessa nova jornada de Kratos.

Revisão: Link Beoulve
Matheus Bigai Ferreira escreve para o PlayStation Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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